É considerada uma das precursoras do feminismo no Brasil

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Mulheres extraordinárias: Em CLAUDIA, Carmen Silva ajudou a criar o feminismo brasileiro

Pioneira e com seu espaço em CLAUDIA por mais de 20 anos, a psicanalista ajudou a transformar o lugar ocupado pela mulher na sociedade

 

Carmen Silva

Carmen da Silva (Foto: Arquivo Abril / DIREITOS RESERVADOS)

 

 

Carmen da Silva (Rio Grande, 31 de dezembro de 1919 – Volta Redonda, 29 de abril de 1985), psicóloga e ensaísta carioca. É considerada uma das precursoras do feminismo no Brasil.

“A arte de ser mulher” foi o título da primeira coluna da jornalista Carmem da Silva, na revista “Cláudia”, em 1963. Mas se os tempos eram libertários, a imprensa feminina brasileira ainda não acompanhava essas mudanças. Pelo menos até surgir esta morena gaúcha, que pregava a liberdade das mulheres, influenciando todo o pensamento da segunda onda do feminismo no Brasil.

Nascida no Rio Grande do Sul no dia 31 de dezembro de 1919, Carmem só começou a exercer o jornalismo na década de 40, quando viveu no Uruguai e na Argentina. Pouco se sabe deste período, quando ela chegou a publicar um livro. Sua vida se transformou quando ela se mudou para o Rio de Janeiro, no início da década de 60, consolidando-se como jornalista voltada para revistas e colunas femininas, que contribuiriam para a formação do pensamento de gerações de mulheres brasileiras.

Em sua autobiografia, “Histórias híbridas de uma senhora de respeito”, lançada em 1984, Carmem da Silva atribuiu a grande receptividade do seu trabalho ao fato de transmitir em suas colunas sua experiência como jornalista e mulher, as dificuldade amorosas e financeiras, sempre com muito bom humor e delicadeza. Todavia, no começo, suas palavras assustavam. A franqueza com que expunha suas idéias e narrava os fracassos e conquistas foi o embrião do jornalismo feminino dos dias de hoje. “Meus artigos caíram como UFOs incandescentes no marasmo em que dormitava a mulher brasileira naquela época. Logo comecei a receber uma avalanche de cartas de todos os tons: desesperados apelos, xingamentos, pedidos de clemência: deixem-nos em paz, preferimos não saber! consciência dói…”, dizia.

Com o tempo, o vínculo entre a jornalista e as leitoras foi se tornando cada vez mais forte. Encorajada por uma correspondência cada vez mais íntima, publicava os desafios e confidências que recebia com pseudônimo nos jornais, expressando junto a estas cartas seus medos e ambivalências. Com a coluna “A arte de ser mulher”, Carmem conquistou o sucesso definitivo. Nela, a jornalista defendia que a mulher deveria tornar-se um ser humano total e participante. Desmistificava a rainha do lar, mostrando a limitação dos horizontes da mulher, de quem a sociedade não exigia mais do que as habilidades necessárias às tarefas domésticas. Para ela, a mulher tradicional, a dona de casa, deveria abrir as janelas para o mundo e tornar-se uma pessoa ativa em seu meio social, construindo a vida a partir do eu-real, sem ilusões ou miragens e conquistando opiniões e valores próprios baseados na experiência da vida. O mais interessante em seu pensamento era a defesa permanente de uma relação companheira entre homem-mulher e a necessidade de respeito entre pais e filhos, pela superação de preconceitos e tabus.

O termo feminismo só entraria nos seus artigos na década de 70, pois como ela mesma dizia, era ainda um bicho-papão e poderia afastá-la da imprensa. A partir daí, Carmem dedicou boa parte de seus artigos ao tema e participou ativamente das principais manifestações públicas em defesa dos direitos da mulher. Na inesquecível passeata organizada pelo movimento feminista no centro do Rio de Janeiro em 1985, estava na frente de todas as mulheres, vestida de liberdade.

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Em 1963, dois anos após o lançamento de CLAUDIA, chegava à redação uma carta da escritora e psicanalista Carmen da Silva. Ela dizia que as leitoras estavam “explodindo de angústia e frustração”. Por isso, colocava-se à disposição para incentivar as mulheres a ser “protagonistas da própria vida”. Depois de um encontro com Thomaz Souto Corrêa, então redator-chefe da revista, ela passou a assinar a coluna A Arte de Ser Mulher.

Durante 22 anos – até a morte pela ruptura de um aneurisma abdominal, em 1985 –, Carmen abordou tabus e ajudou a criar o feminismo brasileiro. Falava da possibilidade de pôr fim a um casamento infeliz, quando no país ainda não existia divórcio. Tratou sobre infidelidade, anticoncepcionais, aborto, maternidade, orgasmo, sexismo e igualdade de gêneros. Traduziu, como ninguém, as discussões feministas restritas às intelectuais europeias e às líderes americanas. Tudo com carinho para o público não se assustar.

“Eu malhava em ferro quente, ia devagar, mas sem recuo, sem fazer concessões nas ideias, evitando termos que podiam chocar e criar anticorpos. Foi assim que levei oito anos de aparente indefinição antes de empregar a palavra bicho-papão: feminismo… Não precisam ter medo, feminista não morde”, lembrou na autobiografia Histórias Híbridas de Uma Senhora de Respeito. As leitoras amavam essa gaúcha, que se via como “uma rebelde com tendência a nadar contra a corrente”.

 

Sua morte foi totalmente inesperada. Estava dando uma palestra em Volta Redonda, quando a sua barriga começou a inchar. Brincando com o público, dizia ter ficado grávida de um momento para o outro. Na verdade era um aneurisma abdominal, que a matou estupidamente horas depois, no dia 29 de abril de 1985.

(Fonte: https://claudia.abril.com.br/noticias – NOTÍCIAS – Mulheres extraordinárias/ Por Letícia Paiva – 27 out 2016)

(Fonte: https://www.vix.com/pt)

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