Dona Ivone Lara, primeira mulher a fazer samba-enredo numa escola, cantora é ícone na história da música brasileira

0
Powered by Rock Convert

Dona Ivone Lara: Rainha do samba

Primeira mulher a fazer samba-enredo numa escola, cantora é ícone na história da música brasileira

 

“Rainha do Samba”, cantora foi primeira mulher a integrar grupo de compositores de uma escola

Yvonne Lara da Costa (em Botafogo, no Rio de Janeiro, 13 de abril de 1921 – Rio de Janeiro, 16 de abril de 2018), sambista, cantora e compositora, mais conhecida como Dona Ivone Lara, conhecida como “Rainha do Samba” de raiz e “Grande Dama do Samba”.

Nos anos 1960, a cantora e compositora carioca Dona Ivone Lara (1922-2018), considerada a grande dama do samba, foi impedida de assinar as músicas que compunha para a escola Império Serrano. Nos anos 1960, não era socialmente aceito uma mulher compondo sambas-enredo. Cursou enfermagem e trabalhou com a psiquiatra Nise da Silveira, como terapeuta ocupacional. Mais tarde, foi uma das primeiras assistentes sociais do Brasil e atuou para a humanização do tratamento de doentes mentais. Em 1965, tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Império, escola que a homenageou em 2012. Suas composições já foram gravadas por Maria Bethania, Clara Nunes, Gal Costa, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho.

Dona Ivone Lara, um dos principais nomes do samba no Brasil, é considerada a ‘Dama do Samba’, Dona Ivone foi a primeira mulher a fazer um samba-enredo numa escola, o Cinco Bailes da História do Rio, em 1965.

Nascida em 13 de abril de 1921, em Botafogo, no Rio de Janeiro, dona Ivone Lara compôs seu primeiro samba aos 12 anos, “Tiê, tiê”, depois de ganhar de seus primos um pássaro da espécie tiê.

Aprendeu a tocar cavaquinho com o tio Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e integrava o grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga.

Sua primeira escola de samba foi a Prazer da Serrinha, que começou a frequentar em 1945 e para quem compunha sambas que eram assinados pelo seu primo Fuleiro, devido ao preconceito contra as mulheres que existia nas agremiações naquela época.

Enfermeira e assistente social, trabalhou com pacientes que tinham doença mental. Ingressou na Império Serrano em 1965 e gravou seu primeiro disco, “Samba minha verdade, samba minha raiz”, em 1974. Ao se aposentar da área da saúde em 1977, passou a se dedicar integralmente à música.

Entre suas composições mais conhecidas estão “Sonho meu” e “Acreditar”, ambos em parceria com Délcio Carvalho.

Segundo o colunista Mauro Ferreira, Dona Ivone Lara morreu aos 96 anos e não aos 97 anos, como informam quase todas as fontes, pois nasceu em 1922, não em 1921. A data de 1921 foi forjada pela mãe da artista em 1932 para que ela pudesse ser admitida em colégio interno, cuja idade mínima para o ingresso era 11 anos.

O ano de 1921 passou a constar até nos documentos de Ivone, mas ela nasceu de fato em 13 de abril de 1922. Essa questão já foi esclarecida na biografia de Ivone.

Conhecida como a “Grande Dama do Samba”, ela nasceu em família de amantes da música popular e enfrentou o preconceito por ser mulher e sambista. Seu maior sucesso é “Sonho meu”, música que estourou nas paradas de sucesso com Maria Bethânia e Gal Costa.

 

 

Dona Ivone Lara, atração do projeto “Flores em vida”, no CCBB de Brasília (Foto: Silvana Marques/Divulgação)

 

 

A vida de Dona Ivone Lara

 

Dona Ivone Lara nasceu em 13 de abril de 1921, na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Foi a primeira filha da união entre a costureira Emerentina Bento da Silva e José da Silva Lara. Paralelamente ao trabalho, ambos tinham intensa vida musical: ele era violonista de sete cordas e desfilava no Bloco dos Africanos; ela era ótima cantora e emprestava sua voz de soprano a ranchos carnavalescos tradicionais do Rio de Janeiro, como o Flor do Abacate e o Ameno Resedá – nos quais Seu José também se apresentava.

Formada em Enfermagem e Serviço Social, com especialização em Terapia Ocupacional, Ivone Lara foi uma profissional na área até se aposentar em 1977.

Com a morte do pai aos 3 anos, e da mãe aos 12, ela foi criada pelos tios e com eles aprendeu a tocar cavaquinho e a ouvir samba, ao lado do primo Mestre Fuleiro; teve aulas de canto com Lucília Villa-Lobos e recebeu elogios do marido dela, o maestro Villa-Lobos.

Casou-se aos 25 anos com Oscar Costa, filho de Afredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, com quem teve dois filhos, Alfredo e Odir. Foi no Prazer da Serrinha onde conheceu alguns compositores que viriam a ser seus parceiros em algumas composições, como Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira.

Entre outros sucessos, a sambista também compôs o samba “nasci para sofrer”, que se tornou o hino da escola.

 

Dona Ivone Lara no Viradão Carioca (Foto: Rodrigo Vianna / G1)

 

Império Serrano

 

Com a fundação do Império Serrano, em 1947, passou a desfilar na ala das baianas. Dona Ivone Lara também compôs o samba “Não me perguntes”, mas a consagração veio em 1965, com “Os cinco bailes da história do Rio”, quando tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba.

Em 1975, depois de seu filho Odir sofrer um acidente de carro, seu marido Oscar teve um enfarte e morreu.

Aposentada em 1977, passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Entre os intérpretes que gravaram suas composições destacam-se Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paula Toller, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Mariene de Castro, Roberta Sá, Marisa Monte e Dorina.

‘Dona’

 

Não basta chamá-la apenas de Ivone Lara: o respeito e a admiração que impôs a MPB o transformaram em Dona Ivone Lara.

A sambista também teve trabalhos como atriz, fazendo filmes, e foi a Tia Nastácia em especiais do programa Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Em 2008, Dona Ivone interpretou a canção “Mas quem disse que eu te esqueço” no projeto Samba Social Clube. A faixa foi incluída, no ano seguinte, numa coletânea com as melhores performances do projeto.

Em 2008, ela perde o filho Odir, vítima de complicações decorrentes da diabetes.

Homenagens

 

No ano de 2012, foi homenageada pelo Império Serrano, no Grupo de Acesso, com o enredo “Dona Ivone Lara: o enredo do meu samba”.

Em 2010, foi a homenageada na 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Em 2014, foi a homenageada na 19ª edição do Trem do Samba em dezembro de 2014. Um mês antes, Dona Ivone participou do primeiro dia de gravações do “Sambabook” em homenagem à sua carreira da gravadora Musickeria. Cantores como Maria Bethânia, Elba Ramalho, Criolo, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Arlindo Cruz, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan fizeram versões de suas canções, enquanto a própria gravou com Diogo Nogueira uma canção inédita, composta com seu neto André.

Em 2015, entrou para a lista 10 Grandes Mulheres que Marcaram a História do Rio.

Dona Ivone Lara foi a maior compositora do samba e da música brasileira. Nenhuma outra mulher teve tantas vozes cantando suas músicas ou gravadas como ela.

  • Entre seus principais sambas estão: “Alguém me avisou”; “Acreditar”; “Tendência” Mas quem disse que eu te esqueço”, “Samba”, “Minha raiz”; “Sorriso de criança”; “Sorriso negro”; “Sonho meu” e “Minha verdade”.

 

Dona Ivone Lara morreu na noite de 16 de abril de 2018, aos 97 anos, no Rio de Janeiro. Ela estava internada desde a última sexta-feira (13)  no Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) da Coordenação de Emergência Regional (CER), no Leblon, com um quadro de anemia.

O sambista Dudu Nobre usou o seu perfil no facebook para homenagear a artista. “Obrigado por tudo dona Ivone Lara. As bênçãos, os ensinamentos, as conversas, os sambas, a poesia. Descanse em paz, Grande Dama do Samba”.

O corpo foi velado na quadra da Império Serrano, sua escola do coração, em Madureira, na zona norte da cidade. O sepultamento foi, no cemitério de Inhaúma.

(Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/musica – DIVERSÃO – MÚSICA – 17 ABR 2018)

(Fonte: Zero Hora – Ano 54 – N° 19.065 – 18 de abril de 2018 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 26)

(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/17/politica – BRASIL/ POLÍTICA/ por EL PAÍS – 17 ABR 2018)

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia – RIO DE JANEIRO – MÚSICA / Por Elisa Soupin e Nathalia Castro, TV Globo – 

(Créditos autorais: https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/02/mulheres- carnaval – FORBES MULHER/ Conheça as mulheres que fazem parte da história do carnaval brasileiro/ Redação – 12/02/2024)

Powered by Rock Convert
Share.