Clara Schumann, a maior intérprete romântica do século 19, e mulher de um dos mais geniais de todos, Robert Schumann

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Clara Schumann (Leipzig, 13 de setembro de 1819 – Frankfurt, 20 de maio de 1896), pianista e grande intérprete romântica alemã, a maior do século XIX que popularizou os compositores rebeldes do século 19 e foi mulher de um dos mais geniais de todos, Robert Schumann (1810-1856), um dos períodos mais efervescentes da história das artes.

 

Clara era filha de Friedrich Wieck (1785-1873), um professor de piano que se gabava de transformar qualquer aluno mediano num titã do teclado. Para provar sua eficiência, ele fez de Clara uma virtuose precoce que, aos 13 anos, já se alinhava entre os melhores pianistas da Europa. Contra esse culto ao virtuosismo, rebela-se um implacável crítico musical de uma famosa revista, que iniciou sua carreira com um artigo em que saudava como gênio um obscuro compositor polonês. O talento que veio da Polônia se chamava Frederic Chopin (1810-1849). O jovem crítico era Robert Schumann. 

 

EROTISMO – À união entre Clara e Schumann apresentam todos os ingredientes de um romance apimentado. Eles se conheceram de forma bizarra: Schumann foi a Leipzig estudar piano com o professor Wieck e se divertia contando histórias de terror para os filhos do velho Friedrich. A adolescente Clara logo se apaixonou por aqueles fascinantes personagens. Depois de namoricos e bilhetes carregados de erotismo, Schumann resolveu pedir a mão de Clara – e recebeu como resposta um sonoro não, que se renovaria por cinco anos. Quando Clara completou a maioridade, o casal entrou na Justiça contra a recusa de Wieck – que acusava Schumann de beber demais – e ganhou. Condenado por calúnia, o pai da pianista amargou dezoito dias atrás das grades.

 

Paralelamente a essa movimentada história de amor, que resultou num casamento de dezesseis anos e sete filhos, Clara, que se limitava a tocar os compositores acrobáticos impostos pelo pai, tornou-se, a partir do casamento, a grande intérprete romântica. Com seu prestígio, ela colaborou para que Schumann e outros músicos inovadores fossem aceitos. Em troca, Schumann fez dela sua maior intérprete. Enfim, o casamento perfeito, que durou até Schumann ser internado num hospício, aos 44 anos, após tentar o suicídio atirando-se nas águas do Reno.

 

“COISA DE LOUCO” – Em outro histórico artigo, Schumann fez uma descoberta: um rapaz atarracado que, segundo ele, iria se tornar “a mais alta expressão musical de seu tempo”. O adolescente se chamava Johannes Brahms (1833-1897) e iria impulsionar a música para o futuro tanto quanto o irascívil Richard Wagner (1813-1883). Clara, que já não gostava de Franz Liszt (1811-1886) porque tinha raiva dos que faziam concorrência ao seu marido, tomou o partido de Brahms contra Wagner. Essa querela incendiava o meio musical da época. Ao ver Schumann internado, os aliados de Wagner disseram que sua devoção por Brahms só podia ser “coisa de louco”.

 

Nesse cenário de farpas, após a morte de Schumann, em julho de 1856, Brahms se transformou numa espécie de “anjo consolador”. Quase vinte anos mais jovem, ele se apixonou por Clara, que via nele um continuador da obra do marido. Em nome dessa devoção, Clara cultivou um ódio mortal a Wagner e seus seguidores. Intérprete sublime, Clara Schumann se tornou um emblema da arte romântica.

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Clara nasceu no dia 13 de setembro de 1819, na cidade de Leipzig, na Saxônia e faleceu em 20 de maio de 1896, em Frankfurt, na Alemanha.

 

(Fonte: Veja, 1° de agosto de 1990 – ANO 23 – N° 30 – Edição 1141 – LIVROS – Pág: 78)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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