Chu Teh-Chun (24 de outubro de 1920 – Paris, 26 de março de 2014), o último abstracionismo lírico chinês
Começou pela caligrafia para, em seguida, se consagrar à pintura clássica do seu país. Mas é na França, ao sintetizar as suas referências iniciais com as ocidentais, que vai conhecer grande sucesso.
A sua obra convoca e cita algumas das referências fundamentais da pintura clássica chinesa que rodeia e recria através da gramática visual do abstracionismo lírico ocidental, que se afirma no imediato após II Guerra Mundial. Como recordava hoje, no anúncio da sua morte em Paris, aos 93 anos, o comunicado da Academia de Belas-Artes de França, a obra de Chu Teh-Chun, após o recente desaparecimento de Georges Mathieu e do seu compatriota Zao Wou-Ki, “encarnava aquilo que o encontro de duas culturas, a francesa e a chinesa, pode originar de mais elevado em matéria artística quando a riqueza de uma herança milenária se reúne com a afirmação soberana da liberdade criativa”.
Chu Teh-Chun nasceu a 24 de outubro de 1920 numa família de letrados; desde cedo cultiva a arte da caligrafia. É quando estuda arte em Xangai, que entra em contacto com a pintura ocidental. Cézanne é um dos primeiros artistas com cuja obra se familiariza. Nos anos 30, começaa pintar segundo o cânone clássico chinês. A invasão japonesa e a guerra civil levam-no a partir para Taiwan, onde lecciona sobre pintura ocidental até 1955, ano em que viaja para França.
Este país é então um centro de experimentação artística e o pintor vai interessar-se pela arte abstrata, numa vertente também cultivada por Vieira da Silva. Como referido por diferentes críticos, a sua principal influência será Nicolas de Staël e as suas telas povoam-se de elementos e cores que recriam os volumes da pintura clássica e as linhas da caligrafia chinesas em conjunto com perspectivas e formas ocidentais. A partir dos anos 60, conhece sucesso crescente e volta a praticar caligrafia nos anos 70. A cinemática das suas telas oscila entre a agitação e a desconstrução, por um lado, e a intensidade subtil de universos cromáticos que convidam à reflexão.
No início dos anos, volta à China, visitando Pequim, onde recebe um acolhimento caloroso. Expôs ainda em Hong Kong e também em Macau.
Em 1987, tem uma grande retrospetiva organizada em Taipei e uma outra em Pequim, em 2010, ao completar 90 anos.
Membro da Academia francesa de Belas-Artes desde 1997, a sua obra conheceu grande valorização em anos recentes.
Chu Teh-Chun morreu em Paris, em 26 de março de 2014, aos 93 anos.
(Fonte: http://www.dn.pt/inicio/artes – ARTES – PINTURA/ por A.C.M. – 26 de março de 2014)


