Christa Wolf (Landsberg an der Warthe, Prússia Oriental, 1929 – Berlim, 1° de dezembro de 2011), considerada uma das maiores romancistas da então República Democrática Alemã, a consciência crítica de uma Alemanha dividida, o grande tema do seu trabalho literário, do qual se destaca Cassandra: Narrativa.
Christa Wolf morreu em Berlim, onde vivia desde os anos 1950. Era o símbolo da Alemanha dividida, o grande tema do seu trabalho literário, do qual se destaca Cassandra: Narrativa.
Morreu em Berlim, a cidade onde vivia desde os anos 1950, o símbolo da Alemanha dividida que foi, a par de um feminismo que era reflexo da pressão inevitável da sociedade sobre o indivíduo, o grande tema do seu trabalho literário. Christa Wolf, autora de Cassandra: Narrativa ou Medeia: Vozes, voz polêmica na antiga República Democrática Alemã (RDA), de que foi uma das escritoras mais respeitadas mas, igualmente, uma das mais críticas; voz que se manteve polêmica quando da reunificação (a que se opôs), morreu dia 1° de dezembro de 2011, aos 82 anos, de doença prolongada, anunciou a sua casa editorial a Suhrkamp-Verlag.
Candidata ao Nobel, viu o seu amigo Günter Grass, distinguido pela Academia Sueca em 1999, declarar na altura que gostaria de partilhar com ela aquela que é a mais importante distinção literária mundial.
Nascida em 1929 na Prússia Oriental, território atualmente polonês, tornar-se-ia cidadã da Alemanha de Leste no fim da II Guerra Mundial, quando a família, pela origem alemã, foi expulsa da cidade onde nascera, Landsberg an der Warthe (renomeada Gorzów Wielkopolski quando se tornou território polaco), instalando-se em Mecklenburg, na República Democrática Alemã.
Irrompe literariamente no panorama germânico em 1963, com a publicação de Der Geteilte Himmel (O céu dividido em tradução literal), e foi ganhando protagonismo na literatura alemã através de obras como Nachdenken über Christa T. (Em busca de Christa T., em tradução literal), de 1968, e já nos anos 1980, com as supracitadas Cassandra: Narrativa e Medeia: Vozes, editadas em Portugal pela Cotovia.
Na década de 1990, a revelação de que fora informadora da Stasi, a polícia política da RDA, durante dois anos (1959/1961), pô-la novamente no centro da polêmica. A revelação de que os seus relatórios eram inofensivos, que os agentes da Stasi criticavam a sua falta de empenho na função e que Wolf passou rapidamente de informadora a alvo das investigações da polícia política, que seguiu os seus passos durante três décadas, não aplacou as críticas.
As feridas nunca saradas da reunificação alemã e o pesado legado dos totalitarismos que assolaram o país foram o pano de fundo de todo o seu pensamento literário. Enquanto escritora, dizia em entrevista ao Die Zeit, em 2005, tentava aproximar-se de si através da escrita: Chegar o mais perto [de mim]que consiga, e tão impiedosamente quanto me for possível. Em 2010 foi distinguida com o prêmio Thomas Mann, um marco para qualquer escritor em língua alemã. O júri escolheu-a por uma obra que analisa as lutas, esperanças e erros do seu tempo de uma forma crítica e autocrítica, com profunda seriedade moral e narrativas poderosas.
Casada desde a década de 1950 com o também escritor Gerhard Wolf, foi mãe de dois filhos.
(Fonte: www.publico.pt/Cultura/ Por Mário Lopes – Memória – 01.12.2011)
- Christa Wolf, em 1996, no Instituto Alemão, em Lisboa (Foto: Luís Ramos)


