Carlos Bacellar, historiador e professor da USP, um guardião da memória de São Paulo
Historiador esteve à frente do Arquivo Público do Estado de São Paulo de 2007 a 2013, quando instituição ganhou nova sede e compartilhou arquivos do Dops
“Informática é uma coisa difícil. Parece ser uma panaceia para todos os problemas, mas ela é muito inconstante. Você faz um sistema hoje, começa a implementar, daqui a cinco anos ele já está velho. O software envelheceu, as máquinas envelheceram. Isso exige um investimento de renovação contínua. Imagina que daqui a 100 anos você não tenha mais papel sendo produzido no Estado, que tudo seja digital. O que vai deixar de investir em tamanho de prédios para guardar essa massa de documentos, vai investir em volume de equipamentos de informática. Duvido que fique mais barato. Apenas muda o rumo do investimento. Imagina o seguinte: você tem mil terabytes de informação armazenada. O equipamento fica obsoleto, você troca. Se o software fica obsoleto, tem que migrar. Isso custa muito caro. A informática não barateia. Em termos de preservação, ela encarece.”
Carlos Bacellar, em entrevista ao Estadão – 23/7/2012
Carlos Bacellar, quando era coordenador do Arquivo Público do Estado de São Paulo, com material do antigo Deops em 7 de outubro de 2009. Foto: Sérgio Neves/Estadão
Carlos de Almeida Prado Bacellar, foi historiador e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).
Com graduação em História, mestrado e doutorado em História Social, Carlos era docente do Departamento de História da FFLCH, presidente do Conselho Supervisor do Sistemas Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi), desde 2015, e membro do Conselho Consultivo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo desde julho de 2014, além de ser pesquisador nível 1D do CNPq — destinada a pesquisadores com trajetória consolidada e alta produção científica.
As principais áreas de atuação do pesquisador eram Demografia Histórica e História Social da População, com enfoque nos seguintes temas: história da família, demografia da escravidão, compadrio e elites agrárias.
Além de uma vasta produção acadêmica e intelectual, Bacellar teve uma relevante atuação na gestão da memória documental pública, trabalhando para que o Arquivo Público fosse considerado um órgão estratégico da administração pública e de memória institucional e coletiva. Com isso, conseguiu que o Arquivo deixasse a ser submetido à Secretária de Cultura, com escassez permanente de verbas, e passasse a integrar a estrutura da Casa Civil estadual.
Em sua gestão, o Arquivo Público do Estado de São Paulo se transferiu para uma nova, moderna e adequada sede, planejada para receber um arquivo de grande porte, e a instituição potencializou suas ações de compartilhamento digital público de conjuntos documentais e acervos, como o do extinto Dops, órgão de inteligência e repressão dos regimes ditatoriais do País. Apesar das ações de digitalização, tinha consciência das fragilidades da tecnologia na preservação documental digital, como mostra a declaração que deu ao Estadão em 2012.

Ao longo de sua trajetória, Carlos Bacellar foi citado diversas vezes em reportagens do Estadão, principalmente sobre o Arquivo Público estadual, como essa da repórter Francoize Terzian para o caderno Seu Bairro, Norte, sobre a mudança do arquivo para o bairro de Santana.
Lei de Acesso à Informação
Carlos Bacellar concedeu uma entrevista ao repórter Fernando Gallo, do Estadão, naquele ano para falar sobre a Lei de Acesso à Informação, pela qual era um dos responsáveis pela implementação no Estado de São Paulo. Na época, Bacellar estava temeroso sobre falhas no registro e armazenamento de dados:
“Não adianta você querer dar acesso à informação se você não acha a informação, se ela está desorganizada, caótica, guardada em depósitos, em buracos. Em geral, os órgãos públicos reservam o pior lugar que eles têm para guardar os documentos”
Carlos Bacellar, em entrevista ao Estadão – 23/7/2012
Carlos Bacellar morreu no domingo, 15 de março aos 66 anos. Segundo nota do Arquivo Público do Estado de São Paulo, instituição da qual foi Coordenador de 2007 a 2013, Bacellar faleceu em decorrência de uma doença progressiva e incurável.
Ele deixa a esposa, a chef Heloísa Bacellar, e a filha Isabel.
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