Camille Claudel, a escultora que viveu entre Rodin, o irmão e o manicômio

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Camille Claudel, a escultora que viveu entre Rodin, o irmão e o manicômio

Camille Claudel, nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (Fère-en-Tardenois, 8 de dezembro de 1864 — Montdevergues, 19 de outubro de 1943), foi assistente de trabalho e companheira de Auguste Rodin em um romance altamente destrutivo.

Talento desde jovem

Camille Claudel fez suas primeiras esculturas aos 12 anos de idade. Na época, ela se mudou com os pais para Nogent-sur-Seine. Seu pai a apresentou ao escultor Alfred Boucher, que logo notou o talento da garota e a incentivou. Ele foi seu primeiro professor, e depois a apresentou a Rodin, que a incluiu em seu grupo de alunos.

 

 

 

Camille Claudel, a escultora que viveu entre Rodin, o irmão e o manicômio

Camille Claudel, a escultora que viveu entre Rodin, o irmão e o manicômio

“Shakuntala” ou “O Abandono”, de 1905

 

"Shakuntala" ou "O Abandono", de 1905

“Shakuntala” ou “O Abandono”, de 1905

 

Claudel se tornou musa e amante de Rodin. Um dos temas preferidos do escultor eram casais se abraçando. Este tema também foi amplamente trabalhado por Camille Claudel, que acabou encontrando um estilo próprio.

Camille pode ser resumida assim: ela era uma talentosa escultora que, quando tornou-se amante de Rodin, caiu em desgraça junto à sociedade parisiense. Afinal, o escultor era casado, célebre e a ligação foi um escândalo. Após quinze anos de tortuoso relacionamento, Camille rompeu e mergulhou cada vez mais na solidão e na loucura. Por iniciativa de seu irmão mais novo, o escritor Paul Claudel, foi internada em 1913 num manicômio.

 

Camille Claudel trabalhando com Rodin

Camille Claudel trabalhando com Rodin

 

Seu trabalho pregresso fica esquecido e é sugerido que a sociedade e seu irmão Paul desejavam apenas livrar-se dela. Porém, delirante e paranoica, Camille sofria e era um problema real: ela recebeu o diagnóstico de esquizofrenia.

Em 1881, com 17 anos, Claudel ingressou na Academia Colarossi, em Paris, uma escola que formava escultores. Entre seus mestres estava Auguste Rodin. É desta época que datam suas primeiras obras conhecidas: A Velha Helena e Paul aos treze anos.

 

A Velha Helena

A Velha Helena

 

Rodin, impressionado pela beleza de seu trabalho, recebe-a como aprendiz de seu ateliê. Ela colabora na execução de As Portas do Inferno (Les Portes de l’Enfer) e do monumento Os Burgueses de Calais (Les Bourgeois de Calais).

Ela trabalhou vários anos a serviço de Rodin, por quem era secretamente apaixonada. Ao mesmo tempo, criava suas próprias obras. Por vezes, a produção de um e outro eram tão semelhantes que não se sabia o que era do professor e o que era da aluna. Eles se apaixonam e Camille Claudel enfrenta duas dificuldades, pois por um lado Rodin não consegue decidir-se a deixar Rose Beuret e, por outro, alguns afirmam que suas obras seriam executadas pelo mestre. Triste em função das acusações e por Rodin manter outra mulher, Camille tentará se distanciar de Rodin. Percebe-se essa tentativa de autonomia em sua obra tanto na escolha dos temas como no tratamento: A Valsa (La Valse) e A Pequena Castelã (La Petite Châtelaine). Esta tentativa de afastamento segue até o rompimento definitivo em 1898. A ruptura é marcada por A Idade Madura (L’Age Mûr).

 

 

“As fofoqueiras”, de 1897

 

"As fofoqueiras", de 1897

“As fofoqueiras”, de 1897

 

Apesar de seu talento, Claudel nunca recebeu encomendas do setor público. Ela era considerada apenas “a aluna de Rodin”, mesmo que tenha iniciado um caminho completamente novo nesta modalidade de arte, com a obra “As Fofoqueiras”. Após separar-se de Rodin, Camille Claudel desenvolveu a paranoia de que ele queria espionar seus trabalhos.

 

Então ela sofre um grande golpe. Rodin escolhe ficar com Rose. Ela conclui que seu romance com Rodin não passou de uma aventura para ele e Camille passa a nutrir um estranho amor-ódio, que já era um sintoma da doença que a levará à loucura. Ela se instala num hotel Quai Bourbon e segue seu trabalho em grande solidão. Apesar do apoio de amigos, ela não consegue superar o luto da separação. Eugène Blot organiza duas grandes exposições, esperando o reconhecimento e benefício financeiro para Claudel. As exposições têm grande sucesso de crítica, mas Camille já está doente demais para ouvir os elogios. Ela passa a desejar a morte de Rodin, enquanto revive a infância, com sua mãe tentando impedir que ela se tornasse uma artista.

 

Após 1905, os períodos paranoicos de Camille multiplicam-se. Ela crê em seus delírios. Ela acredita que Rodin roubará suas obras de arte para moldá-las e expô-las como suas. Também suspeita que o Ministério das Belas-Artes da França está em conluio com Rodin, e que desconhecidos querem entrar em sua casa para lhe roubar. Também chora muito, e passa a ter ideias de suicídio. Nesta época vive grande abatimento físico e psicológico, não se alimentando mais e desconfiando de todas as pessoas, achando que qualquer um a matará. Ela se isola, rompendo com os amigos. Mantém-se vendendo as poucas obras que ainda lhe restam.

 

Seu pai, a única pessoa pela qual guarda afeição, morre em 3 de março de 1913, o que acentua seu estado. Tem crises violentas em que quebra suas obras. Em 10 de março, é internada no manicômio de Ville-Evrard. O irmão Paul Claudel — que trabalha como Embaixador da França em vários países  e é muito rico — nega-se a pagar uma pensão hospitalar para a irmã. Ele nada faz para amenizar o sofrimento de Camille, apesar de saber das condições sub-humanas em que viviam os internos da época. Rodin envia-lhe algum dinheiro e expõe algumas das esculturas que sobreviveram à destruição, mas nada faz para liberá-la do hospital. De qualquer maneira, sua iniciativa seria impedida pela mãe de Camille, que o considerava culpado pela ruína e loucura de sua filha. Camille morreu em 1943, aos 78 anos, enterrada anonimamente em vala comum, sem nunca ter recebido uma visita de sua mãe.

Do hospital, Camille manteve por algum tempo correspondência com sua família e seus amigos. Às vezes, pedia à sua mãe alguns itens como chá, açúcar em cubinhos e café — “…café brasileiro porque é de excelente qualidade…”. 

 

Camille Claudel: “Abandono”

Camille Claudel: “Abandono”

 

 

Camille Claudel: “A Idade Madura”

Camille Claudel: “A Idade Madura”

 

 

Camille Claudel: A Valsa

Camille Claudel: A Valsa

 

 

Detalhe de A Idade Madura

Detalhe de A Idade Madura

 

 

Camille Claudel: A Onda

Camille Claudel: A Onda

 

 

Camille Claudel: Prière

Camille Claudel: Prière

 

Camille Claudel: Busto de Rodin

Camille Claudel: Busto de Rodin

 

 

 

A data de 8 de dezembro marca o nascimento de Camille Claudel (1864-1943). O cinema parece apreciar a trágica vida desta escultora, tanto que, recentemente, levou sua vida duas vezes às telas. Em 1988, em um filme chamado apenas Camille Claudel, Isabelle Adjani encarnou a aprendiz, assistente e depois amante de Auguste Rodin em extensivos e desesperados 175 minutos. Em 2013, outra belíssima atriz, Juliette Binoche, debulhou-se em lágrimas por 95 minutos em Camille Claudel, 1915. Os filmes são bem diferentes. O primeiro propõe-se a uma biografia completa; o segundo foca na internação de Camille no ano de 1915.

Com Binoche, filme sóbrio e ficcional

Com Binoche, filme sóbrio e ficcional

De forma esquemática, a biografia de Camille pode ser resumida assim: ela era uma talentosa escultora que, quando tornou-se amante de Rodin, caiu em desgraça junto à sociedade parisiense. Afinal, o escultor era casado, célebre e a ligação foi um escândalo. Após quinze anos de tortuoso relacionamento, Camille rompeu e mergulhou cada vez mais na solidão e na loucura. Por iniciativa de seu irmão mais novo, o escritor Paul Claudel, foi internada em 1913 num manicômio.

Apesar da atuação escabelada de Isabelle Adjani, a primeira versão cinematográfica parece ser a mais correta do ponto de vista histórico. Camille Claudel, 1915 dá a impressão de que a escultora fora vítima de uma injustiça.  A personagem de Binoche parece estar internada indevidamente. Seu trabalho pregresso fica esquecido e é sugerido que a sociedade e seu irmão Paul desejavam apenas livrar-se dela. Porém, delirante e paranoica, Camille sofria e era um problema real: ela recebeu o diagnóstico de esquizofrenia.

Com Adjani, filme escabelado e fiel

Com Adjani, filme escabelado e fiel

 

 

CAMILLE CLAUDEL GANHA MUSEU NA FRANÇA

Museu

 

Museu

Museu

 

 

Após sua morte, em 1943, Claudel foi esquecida. Nos últimos anos, no entanto, a casa da família (à esquerda na foto) em Nogent-sur-Seine foi ampliada para ser transformada em museu da artista. O arquiteto Adelfo Scaranello integrou com sensibilidade o novo espaço no ambiente já existente. A área de exposições, de 1.283 m2, foi inaugurada no último dia 26 de março.

 

À sombra do mestre

 

À sombra do mestre

À sombra do mestre

 

Seu gênio criativo ultrapassou a compreensão de sua época.

“Ela sempre foi vista apenas como aluna de Rodin”, diz Cécile Bertran, curadora do novo museu. “Claro que havia uma grande proximidade artística com Rodin. Eles tinham muito em comum, mas Rodin ficou famoso antes.”

A tragédia de Camille Claudel tem ingredientes que a potencializam. A cidade era Paris e ela estava envolvida com Rodin e com seu irmão Paul Claudel, um dos grandes escritores de sua geração na França. É certo que o preconceito de gênero tem seu papel no desespero da escultora. Ela foi sufocada por dois artistas respeitadíssimos em sua época. Um, seu mestre, por quem era apaixonada, a abandonou; outro, seu irmão, que parecia vê-la como um estorvo.

 

 

Passeio pelo século 19

 

 

Passeio pelo século 19

Passeio pelo século 19

 

 

As obras expostas no museu enfocam a arte no século 19. O passeio pelo acervo termina com as esculturas de Camille Claudel.

 

 

Auge na França

 

Auge na França

Auge na França

 

O auge da escultura francesa ocorreu no século 19. O museu mostra a evolução da arte como manifestação de livre expressão. Rodin introduziu o experimental na arte da escultura.

 

“Joana d’Arc”, de Paul Dubois

 

"Joana d'Arc", de Paul Dubois

“Joana d’Arc”, de Paul Dubois

 

Uma réplica em gesso da escultura “Joana D’Arc”, de Paul Dubois, pode ser vista no novo museu, que fica a cerca de 120 quilômetros de Paris. A obra foi encomendada para ser colocada diante da basílica de Reims. A estátua mostra a heroína nacional em seu cavalo.

 

Esculturas de Joseph-Marius Ramus

 

Esculturas de Joseph-Marius Ramus

Esculturas de Joseph-Marius Ramus

 

O museu expõe as obras de quatro gerações de grandes escultores. Um deles é Joseph Marius Ramus, autor das obras da foto, que se mudou para Nogent-sur-Seine em 1845.

 

Medo de cópias

 

Medo de cópias

Medo de cópias

 

Encerrando o passeio pelo museu Camille Claudel, na última sala o visitante encontra os trabalhos da escultora. Ela mesma destruiu muitas de suas obras porque temia que Rodin as copiasse. O museu mostra 44 trabalhos dela, que permitem ao visitante uma boa referência sobre o trabalho da artista.

 

(Fonte: http://www.dw.com/pt-br – CAMILLE CLAUDEL GANHA MUSEU NA FRANÇA/ Por Autoria: Jake Cigainero – Março de 2017)

(Fonte: http://www.sul21.com.br – Milton Ribeiro – dezembro 8, 2013)

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