Bobby Morrow, antigo velocista norte-americano, campeão olímpico nos 100, 200 e 4×100 metros nos Jogos Melbourne 1956.

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Bobby Morrow, único branco a vencer os 100, os 200 e o 4 X 100

A façanha ocorreu em Melbourne/56. Além dele, só três negros, Jesse Owens, Carl Lewis e Usain Bolt conseguiram brilhar numa mesma edição olímpica

 

 

 

Bobby Morrow (1935-2020) A ‘bala’ dos três ouros olímpicos

Capa da revista “Sports Illustrated” de dezembro de 1956. (Foto: Sports Illustrated)

 

 

 

Bobby Joe Morrow (Harlingen, 15 de outubro de 1935 – San Benito, 30 de maio de 2020), antigo velocista norte-americano, campeão olímpico nos 100, 200 e 4×100 metros nos Jogos Melbourne 1956.

 

Morrow, conquistou ao longo de sua carreira, 11 ouros mundiais e três olímpicos conquistados pelo atleta e, comparado a nomes como Jesse Owens, Carl Lewis e Usain Bolt.

 

Começou a correr no quintal da família no Texas e desde cedo chamou a atenção para a sua velocidade. A ‘bala’ de San Benito treinou com Oliver Jackson, que lhe apurou o estilo e o ensinou a relaxar – dormia 11 horas antes das corridas.

 

 

Ganhou tudo nos EUA e brilhou nos Jogos Olímpicos de Melbourne (1956): três ouros (100 e 200m e 4x100m). Está no grupo dos mitos Jesse Owens, Carl Lewis e Usain Bolt.

 

 

Nascido em Harlingen, em 1935, Bobby Joe Morrow cresceu em San Benito, onde começou a praticar futebol americano, passando depois para o atletismo, modalidade na qual captou as atenções de várias universidades, acabando por optar pela de Abilene Christian, no Texas.

 

Nos Jogos Olímpicos Melbourne 1956 tornou-se no segundo atleta a conquistar ouro nos 100, 200 e 4×100 metros, depois do compatriota Jesse Owens, que nos Jogos Berlim 1936 também se sagrou campeão olímpico do salto em comprimento.

 

Retirou-se do atletismo em 1958, depois de vários títulos e recordes, mas em 1960 decidiu tentar a qualificação para os Jogos Olímpicos Roma 1960.

 

Uma lesão muscular acabou por o impedir de participar nas provas de apuramento, e apesar de estar como reserva, acabou por não participar na competição.

 

Desiludido com a decisão, chegou a partilhar a frustração com o então presidente John Kennedy e com o Senado.

 

Bobby Joe Morrow regressou à sua terra natal, onde o estádio de futebol americano foi batizado com o seu nome

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História

 

Em 9 de agosto de 1936, na tarde de encerramento das provas de Atletismo nos Jogos Olímpicos de Berlim, um negro norte-americano de nome James Cleveland Owens, apelidado Jesse, cravou mais uma humilhação no regime arianista de Adolf Hitler e conquistou o primeiro tri nas disputas de velocidade na História do evento. Depois de arrebatar a medalha de ouro nos 100 e nos 200 metros, ele abiscoitou outra no Revezamento de 4 X 100. Owens, aliás, também já havia vencido o Salto em Extensão. Mas foi nas contendas de pista que a façanha ganhou uma simbologia especial: quem conseguiria repeti-la?

 

Bobby Morrow (1935-2020) A ‘bala’ dos três ouros olímpicos

Na linha de chegada dos 100m em Melbourne. (Foto: Reprodução COI)

 

 

 

Aconteceria, integralmente, em Los Angeles/1984, com Carl Lewis, outro negro norte-americano – que, além dos 100, dos 200 e do Revezamento, igualmente levou o ouro da Extensão. E daí ocorreria com Usain Bolt, um negro da Jamaica, em Londres/2012, e no Rio/2016, embora só nas três contendas de pista. Todos afro-descendentes, nos quais ainda se intrometeu um branco, norte-americano do Texas, digno de se consagrar nesse rol dos heróis dos pés alados: Bobby Joe Morgan, nascido em Harlingen, 15 de outubro de 1935, um filho de fazendeiros da vizinha San Benito, onde não existia maternidade.

 

Bobby Morrow (1935-2020) A ‘bala’ dos três ouros olímpicos

Entre Ira Murchison e Thane Baker, companheiros dos 4×100. (Foto: Reprodução COI)

 

 

 

Em Melbourne/1956, um evento que aconteceu no Verão australiano, final do ano, em 24 de novembro ele levou o ouro dos 100 com 10”5. Apenas 72 horas depois, dia 27, o ouro dos 200 com 20”6, um novo recorde mundial e, é claro, olímpico. E daí, em 1º de dezembro, 39”5, ouro e o duplo recorde nos 4 X 100. Por quê tanto destaque aos seus números em relação a Owens, a Carl Lewis e a Bolt?  O detalhamento provém de uma triste razão: no domingo, 30 de junho, Bobby Morrow faleceu enquanto dormia no seu rancho de San Benito, o mesmo que pertencera a seus pais e que, agora, compartilhava com Judy, a sua segunda mulher. Da primeira, Jo Ann, ele se divorciara em 1968.

 

 

San Benito fica a meia hora, de carro, de Harlingen. Com apenas cerca de 25.000 habitantes, se orgulha de ostentar um estádio de Futebol Americano para 11.000 pessoas e em 2006 batizado de Bobby Morrow. Seus pais lavravam algodão e cenoura. E quando ele, apelidado de “Bullet”, a “Bala”, começou a despontar, na escola local, como uma promessa de velocista e de recebedor no esporte da pelota oval, imediatamente o matricularam num colégio cristão da bem maior cidade de Abilene, 120.000 moradores. Lá, o treinador Oliver Jackson lhe ensinou todos os truques da corrida perfeita, da largada ao equilíbrio na curva dos 200m e ao movimento dos braços.

 

 

Morrow se inscreveu às seletivas e classificatórias para Melbourne mas foi soterrado pela incredulidade. Dizia-se que o rapaz apenas registrara as suas marcas excelentes graças aos ventos do Texas. Ele, porém, detonou os rivais mais famosos. E confirmou o seu talento na Austrália. Uma lesão de coxa impediu a sua ida a Roma, em 1960. Daí, paralelamente, degringolaram a sua vida privada e a sua carreira no esporte. Ingenuamente, se envolveu com um estelionatário inescrupuloso. Tinha dois garotos com Jo Ann, a mídia passou a assediar a esposa inclusive em sua residência. E o matrimônio se esgarçou.

 

Apenas nos meados da década de 70, depois de conhecer Judy e de perambular por várias cidades e por empregos diferentes, resolveu se recolocar em San Benito e tocar o rancho dos pais. Viveu recluso, longe dos holofotes e da fama, até 1989, quando mereceu a sua justa entronização no Hall da Fama do Atletismo nos EUA. Depois, público, mesmo, só os fregueses da loja de roupas de Judy, de um lado de uma rua de Harlingen, e do “Daddy’s Money”, o seu ponto de encontro, na calçada defronte, destinado aos fãs da sinuca e dos videogames. Na festa de abertura do estádio, ao lhe mostrarem um quadro com a sua imagem nos idos de Melbourne, apenas disse: “É, mudei muito.” No físico. Pois, de resto, Bobby Morrow virou eterno.

 

 

 

 

Bobby Morrow faleceu em 30 de maio de 2020, aos 84 anos, de causas naturais, na sua residência em San Benito, no Texas.

(Fonte: https://esportes.r7.com/prisma – ESPORTES / PRISMA / Por SILVIO LANCELLOTTI Do R7 – 02/06/2020)

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