Bibi Ferreira, atriz e cantora, lenda dos palcos, foi diva dos musicais e defensora persistente do teatro brasileiro

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Diva dos musicais brasileiros

 

 

Atriz, diretora, cantora, compositora e apresentadora. Filha de Procópio Ferreira, artista brilhou por décadas no teatro e nas telas.

 

 

 

 

 

São Paulo 28/07/2015 - CADERNO 2 - BIBI FERREIRA concede entrevista - Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Bibi Ferreira em entrevista ao Caderno 2 em 2015. (Foto: Nilton Fukuda/Estadão)

 

Lenda dos palcos, atriz e cantora Bibi Ferreira foi defensora persistente do teatro brasileiro

 

 

 

Bibi Ferreira (Rio de Janeiro, 1° de junho de 1922 – Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 2019), nome artístico de Abigail Izquierdo Ferreira, atriz e cantora, diva dos musicais brasileiros. Também apresentadora, diretora e compositora, ela foi um dos maiores fenômenos artísticos do país.

 

 

Bibi Ferreira estreou no teatro com 24 dias de vida

 

 

Bibi Ferreira, considerada uma diva do teatro musical brasileiro, teve sua estreia ocorrida ainda aos 24 dias de vida – quando foi levada à cena para substituir uma boneca que havia sumido – e ela, desde então, esteve sob os holofotes. Dizia adorar as luzes. E, fosse cantando, fosse representando, havia sempre um próximo espetáculo nos planos de Bibi.

 

 

Abigail Izquierdo Ferreira nasceu em 1º de julho de 1922. Filha de um dos maiores nomes das artes cênicas do Brasil, o ator Procópio Ferreira (1989-1979), e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, Bibi – apelido que ganhou ainda na infância – estreou nos palcos com pouco mais de 20 dias de vida.

 

Em cena, ela apareceu no colo da madrinha, Abigail Maia, em encenação de “Manhãs de sol”, de Oduvaldo Vianna (1892-1972).

 

 

Bibi Ferreira com o pai, Procópio Ferreira, em 1978 — (Foto: TV Globo)

 

 

Artista multimídia, Bibi ao longo da carreira fez filmes, apresentou programas de TV, gravou discos e dirigiu shows. Tudo sem nunca abandonar o teatro, uma grande paixão.

 

Também foi enredo da Viradouro no Carnaval do Rio em 2003. Recentemente, teve a vida e obra contadas no espetáculo “Bibi, uma vida em musical”, escrito por Artur Xexéo e Luanna Guimarães, com direção de Tadeu Aguiar. Na montagem, a protagonista foi interpretada por Amanda Costa.

Em março de 2018, já aos 95 anos, Bibi foi assistir a uma apresentação do musical, então em cartaz em um teatro no Rio e fez o público se emocionar ao chorar cantando, da plateia e sem microfone, uma música de Edith Piaf (1915-1963).

 

A própria Bibi interpretou a cantora francesa com maestria em um musical de enorme sucesso no Brasil e em Portugal. O trabalho minucioso foi considerado tão perfeito que mesmo pessoas que conheceram Piaf se espantaram com o nível de semelhança.

 

 

Com o espetáculo, Bibi conquistou os principais prêmios do teatro nacional, como Molière, Mambembe, Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Governador do Estado e Pirandello. Foram apenas alguns dos muitos prêmios que colecionou ao longo das décadas de carreira.

“Primeira-dama” do teatro

 

 

Bibi é considerada a primeira-dama do teatro brasileiro, tendo estreado nos palcos com apenas 20 dias de idade, na peça “Manhãs de Sol”, substituindo uma boneca que havia desaparecido horas antes do espetáculo.

 

Passou pelo colo de Carmem Miranda, tomou dicas de canto com Noel Rosa e estudou teatro em Londres em 1942. Até hoje, era uma das artistas brasileiras com uma das carreiras mais longevas.

 

“O que eu gosto muito num palco é que eu estou inatingível. Quando estou num palco ninguém me toca. É um momento só meu. Um momento em que não vou ser interrompida. Estou ali só para dar. O que eu puder dar, eu dou. É o momento da criação. Da comunhão. É muito bonita esta comunhão palco e plateia. É o momento em que, através de vocês, eu me encontro com Deus.”
Bibi Ferreira

 

 

Estrela de musicais

 

 

Como atriz e cantora, Bibi teve grande sucesso nos musicais “Gota d’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, “Minha Querida Dama” (versão brasileira do clássico “My Fair Lady”, que fez com Paulo Autran), “O Homem da La Mancha”, “Alô Dolly” e “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”, em 1983. Com este espetáculo, Bibi percorreu o Brasil inteiro e vários países, encerrando a turnê em Portugal.

 

Cantando e contando a vida de Piaf nos palcos, Bibi Ferreira foi premiada em 1985 e 2009 com a Comenda do Ordem e das Letras da República Francesa, o prêmio máximo da cultura na França.

 

Bibi também foi diretora de concertos, óperas e peças de teatro. Entre os nomes que dirigiu estão Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Roberta Miranda, entre outros.

 

 

Pioneira na TV

 

 

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Em 1960, ela participou da inauguração da TV Excelsior com o programa “Brasil 60”, no qual usava o recurso do videotape para transmitir reportagens das capitais brasileiras, aposentando o programa ao vivo, o que, até então, era comum na TV brasileira. O sucesso foi tanto que se desdobrou em “Brasil 61”, “Brasil 62” e assim por diante nos anos seguintes.

 

Na Excelsior, fez também “Bibi Sempre aos Domingos”. Em 1968, ela comandou na TV Tupi carioca o musical “Bibi ao Vivo”, com direção de Eduardo Sidney. No programa, Bibi apresentava, cantava e dançava com a orquestra do Maestro Cipó e as coreografias de Nino Giovanetti no histórico auditório da Urca.

 

 

“Não” para as novelas

 

 

Bibi Ferreira nunca aceitou papéis em novelas –dizia que não se sentia à vontade vivendo personagens na telinha. Acreditava que seu temperamento histriônico de apresentadora, um estilo único que criou, se adequava melhor do que a interpretação em um folhetim.

 

Além de ser poliglota, sempre transmitiu credibilidade, que vinha de sua ampla cultura, e fazia isso com charme imbatível. Na transmissão que fez para a TV Tupi, em 1972, da entrega do Oscar, maior prêmio do cinema mundial, mostrou todo esse potencial.

 

 

 

“In Concert”

 

 

Nos anos 90, Bibi Ferreira completou 50 anos de trajetória artística com o espetáculo “Bibi in Concert”. Em 2009, em homenagem ao Ano da França no Brasil, ela retornou ao Teatro Maison de France para reviver o musical “Bibi Canta e Conta Piaf”.

 

 

Em 2013, ela levou o “Bibi in Concert para Nova York e se apresentou na Broadway pela primeira vez. Bibi foi comparada com Ella Fitzgerald pelo jornal “New York Post” e ganhou um dueto com Liza Minelli, filha de Judy Garland, cantando “New York, New York”.

 

TV

 

 

Em 1960, Bibi inaugurou a TV Excelsior com o programa ao vivo “Brasil 60”, que levou à TV os maiores nomes do teatro. A atração mudaria de nome nos anos seguintes (“Brasil 61”, depois “Brasil 62” e assim por diante).

Na mesma emissora, também apresentou o programa “Bibi sempre aos domingos”. Em 1968, estrelou o musical “Bibi ao vivo” – com direção de Eduardo Sidney, o programa era transmitido do auditório da Urca.

Musicais

Ainda nos anos 1960, Bibi estrelou outros dois dos musicais mais marcantes de sua carreira. O primeiro foi “Minha querida dama” (“My fair lady”), de Frederich Loewe e Alan Jay Lerner, adaptação de “Pigmaleão”, de George Bernard Shaw. No espetáculo, atuou ao lado de Paulo Autran (1922-2007) e Jaime Costa (1897-1967).

O outro trabalho marcante foi “Alô, Dolly!” (Hello, Dolly!), versão da obra “The matcmaker”, de Thornton Wilder, com Hilton Prado e Lísia Demoro.

Já na década de 1970, Bibi foi o principal nome de “O homem de La Mancha”, musical de Dale Wasserman dirigido por Flávio Rangel e com letras adaptadas para o português por Chico Buarque.

Marca no Canecão

Tina Ferreira e Bibi Ferreira — (Foto: Bazilio Calazans/TV Globo)

 

A artista deixou ainda seu nome marcado na casa de shows Canecão, no Rio, ao dirigir o espetáculo “Brasileiro, profissão esperança”, de Paulo Pontes e Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), produção inspirada na obra do compositor Antonio Maria.

 

 

No início, o show foi concebido em escala menor para ser apresentado em boates, com Ítalo Rossi e Maria Bethânia nos papéis centrais. Mas depois o musical foi reformulado e ampliado. Passou, então, a ser protagonizado por Paulo Gracindo e Clara Nunes, transformando-se em um dos maiores sucessos da história do Canecão.

 

 

Em 1975, Bibi recebeu o Prêmio Molière pela interpretação da personagem Joana, de “Gota d’água”, de Paulo Pontes e Chico Buarque, montagem que ambientava a tragédia “Medeia”, de Eurípedes, em um morro carioca.

Amália

No início dos anos 2000, Bibi Ferreira fez mais um trabalho impressionante ao interpretar a fadista Amália Rodrigues (1920-1999) no espetáculo “Bibi vive Amália”.

Em seguida, Bibi apresentou dois recitais, “Bibi in concert” e “Bibi in concert pop”, nos quais se apresentou acompanhada por orquestra e coral.

Vida reservada

Admirada pelo público e adorada e respeitada pelos colegas, Bibi sempre manteve uma rotina discreta, evitando a exposição de detalhes de sua vida pessoal – raras eram suas aparições em eventos sociais.

Segundo amigos mais próximos, quando estava fora dos palcos, Bibi preferia passar o tempo em seu apartamento no Flamengo. Teve vários casamentos e apenas uma filha, Teresa Cristina.

 

Afastamento

 

“Nunca pensei em parar. Essa palavra nunca fez parte do meu vocabulário, mas entender a vida é ser inteligente. Fui muito feliz com minha carreira. Me orgulho muito de tudo que fiz. Obrigada a todos que de alguma forma estiveram comigo, a todos a que me assistiram, a todos que me acompanharam por anos e anos. Muito obrigada! Bibi.”

 

 

Com essas palavras, atribuídas a Bibi Ferreira em comunicado publicado em rede social, a atriz e cantora carioca anunciou, em 10 de setembro de 2018, que encerrava uma das carreiras mais gloriosas construídas por uma artista no Brasil e no mundo.

Aos 96 anos, a artista se retirou voluntariamente de cena para preservar a saúde após três sucessivas internações.

 

De acordo com a nota, Bibi disse que não iria mais se apresentar nos palcos como atriz e/ou cantora. Tampouco daria entrevistas, nem mesmo por e-mail, como vinha fazendo nos últimos tempos.

 

 A atriz e cantora Bibi Ferreira faleceu em 13 de fevereiro de 2019, aos 96 anos, no Rio de Janeiro. A artista morreu em seu apartamento no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro. A atriz acordou e a enfermeira que a acompanhava percebeu que o batimento cardíaco estava baixo e, por isso, chamou um médico. Tina acredita que a mãe morreu dormindo.

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/13 – RIO DE JANEIRO / NOTÍCIA / Por G1 Rio – 

(Fonte: https://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca – NOTÍCIAS / TEATRO E DANÇA / CULTURA / Por  Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo – 13 Fevereiro 2019)

(Fonte: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/13 – ENTRETENIMENTO / NOTÍCIAS / Teatro e Musicais / Por Ana Cora Lima e Carolina Farias Do UOL, no Rio – 13/02/2019)

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