Bertrand Tavernier, foi um dos mais importantes diretores franceses, foi indicado ao Oscar por “A Lei de Quem Tem o Poder” e ganhou prêmios como o Leão de Ouro em Veneza

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Cineasta francês Bertrand Tavernier

Um dos mais importantes diretores franceses, ele foi indicado ao Oscar por “A Lei de Quem Tem o Poder” e ganhou prêmios como o Leão de Ouro em Veneza pelo conjunto da obra (2015).

 

Bertrand Tavernier, Melanie Thierry e Raphael Personnaz — (Foto: Reuters)

 

Bertrand Tavernier: uma vida dedicada ao cinema

 

Bertrand Tavernier (Lyon, 25 de abril de 1941 – 25 de março de 2021), foi um dos mais importantes diretores do cinema francês. O diretor de cinema francês foi uma das figuras mais emblemáticas e respeitadas do cinema em seu país, que viveu dedicado ao seu trabalho eclético e muito premiado e à defesa e promoção da sétima arte.

 

O icônico cineasta de filmes clássicos como “Um Sonho de Domingo” (1984) e “Por Volta da Meia-Noite” (1986), foi um dos principais e mais premiados diretores do cinema francês após a nouvelle vague. Filho do escritor e combatente da resistência René Tavernier, Bertrand começou seu interesse pela sétima arte em seus dias de estudante universitário na Sorbonne, quando entrevistou o diretor Jean-Pierre Melville. Ele acabou conseguindo trabalho como relações públicas da empresa que produziu o filme de Melville de 1962, “Técnica de um Delator”, e posteriormente se associou a um amigo para se tornar assessor de imprensa independente, trabalhando nos filmes que lhe interessavam, entre eles “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard.

 

O trabalho evoluiu para a função de assistente de direção, que ele começou a exercer na Itália, fazendo sua estreia no trash “Maciste, O Gladiador de Esparta” (1964). No mesmo ano, debutou como diretor nas antologias românticas “Os Beijos” (1964) e “A Chance e o Amor” (1964).

 

Entretanto, seu primeiro longa individual só saiu uma década depois, o complexo filme de mistério “O Relojoeiro” (1974), que venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim. Com os dois filmes seguintes, “Que a Festa Comece” (1975) e “O Juiz e o Assassino” (1976), chamou atenção da Academia Francesa de Cinema, vencendo consecutivamente dois prêmios César (o Oscar francês) como roteirista.

 

O cineasta francês foi autor de filmes como Round Midnight (Por Volta de Meia-Noite)A Isca e Lei 627. Bertrand Tavernier nasceu em 25 de abril de 1941 em Lyon (centro-leste). Filho do escritor e combatente da resistência René Tavernier, ele descobriu o cinema durante uma estada em um sanatório.

 

Como alguns de seus colegas, Tavernier entrou no mundo do cinema pela via da crítica. Escreveu em publicações como Cahiers du CinémaPositifCombatLettres Françaises, entre outros. É autor de livros, alguns de referência, como Trinta Anos de Cinema Americano (em parceria com Jean-Pierre Coursodon), um tijolo de mais de 1200 páginas, considerado na França a bíblia sobre o assunto. Admirador do cinema B norte-americano, foi assistente de direção de Jean-Pierre Melville. Estreou como diretor com o episódio Les Baisers (Os Beijos), em 1964. A partir de então, deu início a uma filmografia bastante consistente, com ênfase num cinema narrativo sólido e bem trabalhado.

 

Amante do jazz, tornou-se mundialmente conhecido por Round Midnight (Por Volta da Meia-Noite, 1986). Apesar de adotar o título de uma composição clássica de Thelonious Monk, a história é uma homenagem indireta a Charlie Parker, o gênio do bebop. Um saxofonista de verdade, Dexter Gordon, interpreta o personagem fictício Dale Turner que, na década de 1950, muda-se para Paris em busca de um pouco de paz e um público fiel. Um fã (François Cluzet) tenta fazer seu ídolo sobreviver ao alcoolismo e outros aditivos. O filme é maravilhoso pela intensidade, história comovente e, também, claro, pela música. A trilha (premiada com o Oscar) é de Herbie Hancock. Dexter Gordon nunca havia trabalhado antes como ator, o que parece inacreditável, tamanha a credibilidade que imprime ao papel.

 

Apesar do interesse por temas americanos (ele rodou, antes de Round Midnight, o documentário Mississipi Blues), o foco maior de Tavernier foi a França e sua história. Eclético, filmou de Simenon (L’Horloger de Saint-Paul, 1972, seu primeiro longa) ao diálogo com Dumas de A Filha de D’Artagnan (1994), alusivo ao famoso mosqueteiro gascão. Homenageou o grande Jean Renoir de Une Partie de Campagne com seu Um Sonho de Domingo (1984). Debruçou-se sobre um crime célebre em Le Juge et L’assassin (1976). Em Lei 627 (1992), que esteve em cartaz no Brasil na Mostra de São Paulo, desce aos porões do tráfico de drogas sob o olhar de um policial tão obstinado e fanático quanto o Javert de Os Miseráveis. Tentou também a ficção científica com A Morte ao Vivo (1980).

 

Em 1995, a carreira de Tavernier encontrou talvez o seu ápice com o Urso de Ouro concedido pelo Festival de Berlim ao seu A Isca. O filme concorreu também no Festival de Gramado, com prêmio de melhor atriz para Marie Gillain. Ela faz uma garota que, junto com dois amigos, vive de golpes aplicados em incautos. Tensa, bem trabalhada e fluida, a obra foi considerada um comentário cáustico sobre o materialismo e a amoralidade dos tempos contemporâneos.

 

Ao experimentar a ficção científica com “A Morte ao Vivo” (1980), antecipou em décadas a febre por reality shows que transformou o “Big Brother” num fenômeno. Cultuadíssimo, o filme também registrou um dos últimos papéis da estrela Romy Schneider, que morreu dois anos depois.

O reconhecimento internacional veio com “A Lei de Quem Tem o Poder” (1981), indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. No filme, Philippe Noiret vivia um chefe de polícia de uma pequena cidade que decide a despachar os cidadãos indignos do lugar com sua arma.

Seus filmes mais famosos vieram logo em seguida. Com “Um Sonho de Domingo” (1984), ambientado em uma casa de campo em 1912, venceu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes. E embora não tenha sido agraciado por seu trabalho em “Por Volta da Meia-Noite” (1986), sua ode definitiva ao jazz é considerada um dos melhores filmes já feitos sobre o gênero musical. A obra rendeu um Oscar ao jazzista Herbie Hancock pela Trilha Sonora, além de indicação de Melhor Ator ao mítico saxofonista Dexter Gordon.

 

A filmografia de Tavernier seguiu produzindo filmes espetaculares, como “A Vida e Nada Mais” (1989), vencedor do BAFTA (o Oscar inglês), e “O Regresso” (1990), mas foi só com “L.627 – Corrupção Policial” (1992), um thriller com registro quase documental sobre as atividades do dia-a-dia de um pequeno e mal equipado braço do Esquadrão Antidrogas de Paris, que ele venceu o troféu principal da França, o César de Melhor Filme, além do César de Melhor Direção.

 

O reconhecimento nacional o levou à sua primeira grande aventura de época, “A Filha de D’Artagnan” (1994), estrelada pela jovem Sophie Marceau no auge de sua popularidade. Mas após este breve desvio comercial, o cineasta voltou com tudo em “A Isca” (1995), sobre crimes de menores, que venceu o Festival de Berlim, e “Capitão Conan” (1996), drama de guerra que lhe rendeu outro César de Melhor Direção.

 

Em “Quando Tudo Começa” (1999), Tavernier seguiu um ano na vida do diretor de uma escola em uma região economicamente falida da França e venceu o Prêmio da Crítica no Festival de Berlim e o Prêmio do Público no Festival de San Sebastian.

 

Ele seguiu frequentando festivais no século 21, mas sem causar o mesmo frisson. Seus últimos longas de ficção foram “Passaporte para a Vida” (2002), “Holy Lola” (2004), escrito por sua filha, “Às Margens de um Crime” (2009), “A Princesa de Montpensier” (2010) e “O Palácio Francês” (2013). Pelo derradeiro, ainda voltou a vencer o César de Melhor Roteiro.

 

Depois disso, assinou o documentário “Viagem Através do Cinema Francês”, lançado em 2016 e transformado em minissérie no ano seguinte, dedicando-se a contar a história do cinema de seu país.

 

Cinéfilo assumido, Tavernier adorava falar da história ao cinema. Ele escreveu um guia sobre a história de Hollywood, cuja primeira edição foi chamada de “20 Anos de Cinema Americano”, mas acabou expandida em reedições para “30 Anos…” e até “50 Anos de Cinema Americano”.

 

Ele também publico um livro de entrevistas, chamado “American Friends”, com conversas que teve com John Ford, Robert Altman, Roger Corman e “muitos outros que não haviam sido entrevistados antes”, e se dedicou à preservação de filmes clássicos, movido tanto pelo desejo de defender o cinema independente francês como pela paixão pelo cinema americano do século 20.

 

Artista comprometido com obra eclética e reconhecido no exterior, Bertrand Tavernier dirigiu filmes de época e contemporâneos, com predileção por temas sociais. Grande cinéfilo, Tavernier militou a favor do cinema francês independente, mas isso não o impediu de mostrar sua paixão pela Hollywood do século XX. Seus filmes foram premiados tanto na França quanto no exterior.

Em 1983, “Coup de torchon” foi indicado ao Oscar e um ano depois “Un dimanche à la campaign” levou um prêmio em Cannes. Nos anos 1990, “La Vie et rien d’autre” ganhou o BAFTA por melhor filme estrageiro e “L’appât” com o Urso de Ouro da Berlinale.

Na França, acumulou cinco prêmios César ao longo de sua carreira e a Mostra de Veneza o premiou com um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra.

O cineasta escrevia seus próprios roteiros sobre tramas policiais, políticas, históricas, de aventura, guerra…

Tavernier deixa uma filmografia produzida a partir do sentimento, em guerra contra as injustiças, o racismo, as drogas e o desemprego. Mimava a narração e as personagens, os mesmos que a corrente cinematográfica da “Nouvelle Vague” rejeitava.

Seu objetivo era “explorar e se introduzir nas épocas e universos mediante personagens” com destinos complicados. “E não ficar entediado, é uma questão de cortesia!”, afirmava o diretor, que descrevia o “prazer físico” que sentia ao estar em um estúdio e dirigir os atores.

– Amante do ‘faroeste’ –

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Filho do escritor e combatente da resistência René Tavernier, ele descobriu o cinema durante uma estadia em um sanatório. Ao se mudar para Paris, fundou com alguns amigos o cineclube NickelOdéon e colaborou nos anos 1960 para várias revistas.

Foi assessor de imprensa de filmes de Jean-Luc Godard e Claude Chabrol, entre outros, e em 1970 escreveu um livro que se tornou uma referência no assunto: “30 anos do cinema americano”. Ele também publicou entrevistas com grandes autores de Hollywood.

Tavernier dizia que se tornou diretor “devido à sua admiração pelos filmes de faroeste”.

Dentro e fora de suas produções, Tavernier militou em diferentes questões: contra a censura, contra a tortura durante a guerra da Argélia, a favor dos imigrantes sem documentos, a favor de resgatar alguns diretores do esquecimento etc.

“Não me sinto mais cansado agora do que quando comecei”, afirmou em 2016, ao apresentar seu documentário “Viagem através do cinema francês”, uma história muito pessoal da sétima arte que ele produziu após ter visto centenas de filmes.

Bastante diversa nos assuntos tratados, a obra de Tavernier parece convergir na crítica aos desajustes da civilização contemporânea, violenta, excludente, racista. É um cinema que, em seus melhores momentos, alcança aquele tipo de crueza que não exclui o olhar terno voltado aos personagens.

Fiel à sua dupla persona de realizador e historiador, Tavernier finaliza sua carreira com o documentário Viagem Através do Cinema Francês (Voyage à travers le cinéma français), de 2016. Trata-se da panorâmica sobre uma cinematografia, a exemplo do que fizeram Martin Scorsese (sobre o cinema norte-americano e italiano) e Marc Cousins (uma série sobre o cinema mundial, outra sobre o cinema de mulheres).

Mas há uma diferença, sutil, inscrita nas entrelinhas do filme de Tavernier. Necessariamente abrangente, Viagem Através do Cinema Francês, mostra empenho em resgatar uma parte da cinematografia francesa demonizada à época da nouvelle vague. Resgata do limbo aqueles velhos autores detonados pelos “jovens turcos” do Cahiers du Cinéma e mostra como as obras de Jean Delannoy, Claude Autant-Lara e Henri-George Clouzot encontram seu lugar numa história mais completa e generosa do cinema francês. Um belo epílogo de trajetória e também um legado à cinematografia que o consagrou.

Seus filmes foram amplamente premiados:

  • prêmio Louis-Delluc de 1974 para “O Relojoeiro”,

 

  • indicação ao Oscar de 1983 por “A Lei de Quem Tem o Poder”,

 

  • prêmio de direção em Cannes em 1984 por “Un dimanche à la campaign”,

 

  • BAFTA 1990 de melhor filme estrangeiro por “A vida e nada mais”,

 

  • Urso de Ouro em 1995 em Berlim por “L’appât”,

 

  • Leão de Ouro em Veneza pelo conjunto da obra (2015).

Era também um grande cinéfilo, dedicado à preservação e transmissão de filmes, movido tanto pelo desejo de defender o cinema independente francês como pela paixão pelo cinema americano do século 20.

Diretor Bertrand Tavernier em foto de março de 2010 — (Foto: FRANCOIS GUILLOT / AFP)

 

Com a roteirista Colo Tavernier (da qual se divorciou e que faleceu em 2020), teve dois filhos: Nils, ator e diretor, e Tiffany, escritora. Com ela, gravou “Holy Lola” (2004) sobre a adoção no Camboja.

 

Voltou a se casar em 2005 com a roteirista Sarah Thibau.

 

Em 2015, foi homenageado com um Leão de Ouro especial do Festival de Veneza, pelo conjunto da obra.

 

Bertrand Tavernier faleceu em 25 de março de 2021, aos 79 anos, anunciou o Instituto Lumière, que ele presidia.

“Junto com sua esposa Sarah, seus filhos Nils e Tifanny e seus netos, o Instituto Lumière (…) comunica com tristeza e dor o falecimento hoje de Bertrand Tavernier”, informou a instituição no Twitter.

Tavernier foi casado com a roteirista Claudine (Colo) O’Hagen de 1965 a 1980 e deixa dois filhos cineastas, Nils Tavernier, diretor e ator, e Tiffany Tavernier, romancista, roteirista e assistente de direção.

(Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/03/25 – POP & ARTE / CINEMA / NOTÍCIA / Por France Presse – 

(Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/03/25 – ESTADOS DE MINAS / INTERNACIONAL / por AFP – PARIS – 25/03/2021)

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/entretenimento/noticias – ENTRETENIMENTO / por Luiz Zanin Oricchio / Estadão Conteúdo – 25/03/2021)

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/cinema/noticias – ENTRETENIMENTO / CINEMA / NOTÍCIA / por Pipoca Moderna – 26/03/2021)

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