Professor e geneticista renomado
Bernardo Beiguelman (nasceu em 15 de maio de 1932, em Santos, Brasil – faleceu em 6 de outubro de 2010, em São Paulo, São Paulo), foi um dos mais renomados geneticistas do país, com uma longa trajetória de dedicação à ciência.
Não foram bem os quadrinhos lidos no escuro que fizeram Bernardo Beiguelman ter miopia, como dizia sua mãe. Ele brincava que teve de estudar genética para entender que as broncas em casa não eram tão justas assim.
Paulista de Santos, mudou-se para SP aos 17. Em 1953, estava formado em história natural pela USP, onde concluiu o doutorado em ciências biológicas, em 1961.
Na década de 60, idealizou a criação do departamento de genética médica da Unicamp, de onde se tornou professor emérito em 2004.
O título de livre-docência veio em 1969 pela USP. Naquele ano, sua irmã Paula, doutora em ciência política e professora da USP, foi aposentada pelos militares. Para Bernardo, a irmã, que morreu em 2009 de câncer, era um modelo de luta.
De 1972 a 1992, ele foi conselheiro da OMS (Organização Mundial de Saúde). Publicou 451 trabalhos, participou de 144 congressos e 264 bancas, fez 269 conferências e orientou 70 pesquisadores.
Inquieto, adorava ir ao cinema, sair para beber e reunir os amigos. Tocava violino e violão todo dia, atividade atrapalhada ultimamente pela artrite. Era ainda fascinado por novidades tecnológicas e continuou lendo quadrinhos até o fim da vida.
Bernardo Beiguelman morreu na terça, aos 78 anos de complicações respiratórias. Sofria de problemas renais. Teve quatro filhos e cinco netos. Deixa a mulher, Sylvia.
Em 2000, perdeu o filho delegado, numa tentativa de assalto. Nunca se recuperou.
(Direitos autorais reservados: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano – Folha de S.Paulo/ COTIDIANO/ ESTÊVÃO BERTONI DE SÃO PAULO – São Paulo, 8 de outubro de 2010)
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