Beatriz Segall, conhecida por viver a icônica vilã Odete Roitman na novela Vale Tudo, de 1988

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A atriz Beatriz Segall, foi a Odete Roitman em ‘Vale Tudo’

 

 

 

Beatriz Segall, a Odete Roitman em ‘Vale Tudo’ (Foto: Thiago Teixeira / Estadão Conteúdo)

 

 

Atriz que deu vida e consagrou a personagem Odete Roitman na novela ‘Vale Tudo’

 

 

Beatriz de Toledo Segall (Rio de Janeiro, 25 de julho de 1926 – São Paulo, 5 de setembro de 2018), foi uma das atrizes mais importantes do Brasil, atriz ficou conhecida por viver a icônica vilã Odete Roitman, a maior vilã da TV brasileira na novela Vale Tudo, de 1988.

 

 

 

Um dos principais trabalhos da atriz foi a vilã Odete Roitman, da novela “Vale Tudo” (1998), da TV Globo. Na emissora, ela também participou de títulos como “Pai herói”, “Anjo Mau”  e “O Clone”. Em 2009, ela aceitou o convite da Record TV para fazer “Bicho do Mato”, onde viveu Bárbara. O último trabalho na TV foi na série “Os Experientes”, de 2015.

 

 

Já no cinema, Beatriz Segall fez sua estreia “em A Beleza do Diabo”, de Romain Lesage. Ela também autuou em filmes comos “À Flor da Pele”, “Pixote” e, mais recentemente, “Família Vende Tudo”. No teatro, interpretou muitas personagens, em importantes montagens, como “O Inimigo do Povo” e “A Longa Noite de Cristal”.

 

 

 

Em uma carreira de mais de 70 anos dedicada aos palcos e à TV, Beatriz Segall viveu em 1988 o papel que a eternizou na teledramaturgia brasileira. Após 192 capítulos da novela “Vale tudo”, a vilã interpretada pela atriz carioca morria com três tiros e fazia o país inteiro se perguntar: “Quem matou Odete Roitman?

 

 

Nem que quisesse Beatriz Toledo Segall poderia interpretar personagens sem classes. Nascida, em julho de 1926, numa família de classe média, o pai dirigia uma prestigiada escola no Rio e ela teve educação esmerada, segundo os padrões dos anos 1940 – piano, francês e bordado. Amava o teatro, mas quando anunciou à família que queria ser atriz, o pai quase teve uma síncope. Meninas de boa família não subiam ao palco, naquele tempo em que atrizes tiravam carteirinhas de prostitutas para exercer a profissão. Mas, nos 50, quando recebeu uma bolsa para estudar francês e literatura em Paris, não renunciou a nada.

 

 

 

No Brasil mesmo, já havia iniciado um curso de teatro com a grande Henriette Morineau. A temporada na França foi gloriosa – prosseguiu esses estudos, enamorou-se do filho – Maurício – do pintor Lazar Segall. Casaram-se em 1954 e tiveram três filhos – Sérgio, Mário e Paulo. O primeiro tornou-se um importante cineasta, assinando como Sérgio Toledo. Foi premiado em Berlim, em 1987, com Vera. Durante dez anos Beatriz permaneceu devotada à família, aos filhos. Em 1964, o ano do golpe militar, retomou a carreira, substituindo Madame Morineau na montagem de Andorra no Oficina, de José Celso Martinez Correia. Não parou mais. O marido pertencia à ALN, tendo sido preso e torturado. Beatriz teve de ser o arrimo da família nesse período difícil.

Brilhou em todas as mídias – no cinema estreou em 1950, com A Beleza do Diabo, de Romain Lesage. Não filmou muito, mas participou de filmes importantes – Cléo e DanielÀ Flor da PelePixote, a Lei do Mais FracoRomanceDesmundo. Na TV, embora tenha participado de novelas de grande sucesso – Dancin’ DaysÁgua VivaPai HeróiSol de VerãoBarriga de Aluguel, etc – o grande papel foi como Odete Roitman, que virou emblema de autoritarismo e corrupção em Vale Tudo, novela de Gilberto Braga (com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères) na Globo, em 1988, há 30 anos. Consagrada como vilã, sua personagem inspirou o mistério que, nem depois de solucionado – Quem matou Odete Roitman? –, deixou de inspirar humoristas e autores.

 

 

No teatro, entre muitíssimas personagens, em montagens que fizeram história – Os InimigosMarta SaréO Inimigo do PovoA Longa Noite de CristalO Interrogatório etc –, foi uma extraordinária intérprete de Edward Albee em Três Mulheres Altas, contracenando com Natália Thimberg e Marisa Orth na versão de 1995. Em 2009. recebeu do então governador José Serra a comenda da Ordem do Ipiranga.

 

 

Carreira

 

 

Odete Roitman foi a personagem que marcou a carreira de Beatriz Segall na TV brasileira. A associação com a sofisticada personagem da novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères foi tanta que Segall passou a receber apenas convites para papéis refinados.

“Odete Roitman é uma personagem que vai ficar na história; não por um valor meu, mas por tudo o que a novela reuniu. Até hoje eu sou chamada de Odete na rua. Em Cuba me chamaram de Dona Odete”, disse a atriz.

“Criou-se um mito, que atrapalha um pouco, de sempre fazer papel de chique, de bem-vestida. Eu queria fazer o papel de uma mulher bem povão, mas o público não aceitou.”

Teatro

Nascida em 25 de julho de 1926 no Rio de Janeiro, Segall fez sua primeira peça durante um exercício de língua na Aliança Francesa. Convidada para se tornar profissional, recusou por causa da desaprovação do pai, que queria que ela fosse professora.

Pouco depois ela participou de um filme, “A beleza do diabo” (1950), quando decidiu fazer um curso de intepretação. Após participar de um trabalho semiamador com outras atrizes que também estavam começando, como Fernanda Montenegro e Nicette Bruno, foi à França estudar teatro e literatura.

Ao retornar ao Brasil, recusou outra peça e ficou por 14 anos como dona de casa, após se casar com o museólogo, exonomista e autor teatral Maurício Segall, filho do artista Lasar Segall. Até que em 1964 aceitou um papel no Teatro Oficina a convite do diretor José Martinez Corrêa.

Além de atuar em algumas novelas e filmes, recuperou com o marido o Teatro São Paulo, que administrou até 1974.

Na TV

A estreia na Globo aconteceu em 1978, na novela “Dancin’ days”. Após agradar o público, no ano seguinte esteve na novela “Pai herói”, quando viveu a vilã Norah.

Em 1980, participou do premiado filme “Pixote, a lei do mais fraco”, dirigido por Hector Babenco. Oito anos depois, após passagem por outras emissoras, voltou à Globo para viver seu papel mais icônico.

Mesmo assim, após muita insistência do autor Gilberto Braga, que fazia questão da atriz como Odete Roitman. Na época, Segall estava em cartaz no teatro, e não aceitou o projeto inicialmente.

A atriz chegou até a repetir o mesmo papel em duas novelas diferentes. A miss Penélope Brown estreou em 1990 em “Barriga de aluguel”, de Gloria Perez. Em 2001, ela voltava a aparecer em “O clone”, da mesma autora.

Na Globo, seus últimos trabalhos foram na novela “Lado a lado”, em 2012, na qual interpretou uma rica senhora francesa, Madame Besançon. Em 2015, esteve no seriado “Os experientes”, que abordava a vida na terceira idade.

Beatriz Segall faleceu em 5 de setembro de 2018, aos 92 anos, no hospital Albert Einstein, em São Paulo, de problemas respiratórios.

(Fonte: https://istoe.com.br – Edição nº2541 – CULTURA / Por Estadão Conteúdo – 05/09/18)

(Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2018/09/05 – SÃO PAULO / NOTÍCIA / Por G1 SP, São Paulo – 

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