Asma Jahangir, ativista e defensora incansável dos direitos humanos no Paquistão

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Asma Jahangir, ativista dos direitos humanos no Paquistão

Asma Jahangir – ‘Defensora incansável’, dos direitos humanos no Paquistão – (Foto; ARIF ALI / AFP)

Asma Jilani Jahangir (Lahore, Paquistão, 27 de janeiro de 1952 – Lahore, 11 de fevereiro de 2018), advogada de profissão, foi uma das mais conhecidas ativistas pelos direitos humanos do Paquistão.

Advogada de profissão, Asma Jahangir fez dos direitos humanos e dos direitos das mulheres a sua bandeira, o que lhe valeu várias ameaças de morte. Esteve presa em 1983 por se associar ao Movimento de Restauração da Democracia no Paquistão, durante a ditadura militar do general Zia ul-Haq. Em 2007, esteve em prisão domiciliária pela participação no movimento de advogados que ajudou a fazer cair o líder militar Pervez Musharraf.

 

Nascida em 27 de janeiro de 1952, Asma teve carreira proeminente no Paquistão, como advogada e como ativista pelos direitos humanos. Ela ocupou a presidência da Comissão de Direitos Humanos no Paquistão e ela extremamente respeitada por suas críticas abertas aos grupos extremistas islâmicos. Também atuou como Presidente da Ordem dos Advogados da Suprema Corte e como relatora especial das Nações Unidas sobre direitos humanos e execuções extrajudiciais.

Jahangir foi co-fundadora da Comissão para os Direitos Humanos do Paquistão e do Women’s Action Forum, criado para contestar a lei paquistanesa que reduziu o valor do testemunho de uma mulher em tribunal. Entre 2004 e 2010, foi relatora da ONU para a Liberdade Religiosa e Direitos Humanos no vizinho Irã.

A ativista foi indicada para o Nobel da Paz, em 2005, condecorada com a Ordem Nacional da Legião de Honra francesa e reconhecida com o prêmio da Unesco/Bilbao para a promoção da cultura dos Direitos Humanos. Recebeu também o prêmio Norte-Sul, atribuído pela Comissão Europeia, em 2013.

Respeitada no país e no exterior, Asma foi apontada como uma das cem mulheres mais influentes do mundo pela revista “Time”. Com coragem, a ativista criticava publicamente o governo e militares paquistaneses. Também ficou conhecida por defender a minoria cristã, cujos membros são constantemente acusados de blasfêmia, crime que sob a controversa lei do país pode receber a pena de morte.

 

PERSEGUIÇÃO E AMEAÇAS

 

Sob constante ameaça de grupos religiosos extremistas, Asma recebeu diversos prêmios internacionais por sua firmeza na defesa dos direitos humanos. Há alguns anos, ela teve que enviar temporariamente a família para fora do país após ameaças de grupos militantes. Por sua atuação, foi presa em 1983 e posta sob prisão domiciliar em 2007. Há cinco anos, vazou documentos que indicavam que agentes da inteligência planejavam matá-la.

Asma Jahangir morreu em Lahore, em 11 de fevereiro de 2018, aos 66 anos de idade. Asma sofreu um ataque cardíaco e foi levada para o hospital, mas não resistiu. A perda repentina da ativista foi sentida nos mais altos círculos políticos do país e do mundo.

“Por décadas, Asma lutou bravamente pelos mais necessitados no Paquistão, muitas vezes com risco pessoal. Ela defendeu as causas de mulheres, crianças, trabalhadores em situação degradante, minorias religiosas, jornalistas, desaparecidos e muitos outros”, disse Salil Shetty, secretária-geral da Anistia Internacional, em comunicado. “A súbita morte é uma perda não apenas para o Paquistão, nem para a Ásia, mas para o movimento dos direitos humanos em todo o mundo”.

Após a notícia do falecimento, a casa da família em Lahore se tornou ponto de uma procissão de amigos, parentes, ativistas, políticos e jornalistas. Emissoras locais transmitiram imagens de personalidades públicas se abraçando em frente à residência, todos lamentando a perda.

— Ninguém pode substituir Asma — disse Zohra Yousuf, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão. — Ela era incomparável. Sofremos uma grande perda.

Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, também lamentou a morte da ativista, uma “salvadora da democracia e dos direitos humanos”.

 

Freiras lamentam a morte de Asma Jehangir, uma defensora da minoria cristã no país – (Foto: ARIF ALI / AFP)

 

“Eu a conheci há uma semana em Oxford. Não acredito que ela não está mais entre nós”, disse Malala, pelo Twitter. “O melhor tributo a ela é continuar sua luta pelos direitos humanos e pela democracia”.

O primeiro-ministro paquistanês, Shahid Khaqan Abbasi, destacou suas “imensas contribuições para a garantia do Estado de Direito, da democracia e da defesa dos direitos humanos”.

“Nós perdemos uma gigante dos direitos humanos. Ela era uma defensora incansável dos direitos inalienáveis de todas as pessoas e da igualdade, seja como advogada no sistema judicial doméstico, ativista global da sociedade civil ou como Relatora Especial”, lamentou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, em comunicado. “Asma era brilhante, profundamente fundamentada, corajosa e gentil. Asma não será esquecida”.

O diretor regional da Anistia internacional para o Sul da Ásia, Omar Waraich, escreveu no Twitter que “Jahangir era a pessoa mais corajosa” que já conheceu. “Bateu-se de forma intrépida contra ditadores, bandidos e misóginos. Nunca temeu os ataques que pudessem surgir. Nunca vacilou nos seus princípios. A sua perda é incalculável”, declarou.

Asma era casada com o empresário Tahir Jahangir, e deixa um filho e duas filhas.

(Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade – SOCIEDADE / LAHORE, Paquistão / POR O GLOBO – 12/02/2018)

(Fonte: https://www.publico.pt/2018/02/11/mundo/noticia – MUNDO – PAQUISTÃO / PÚBLICO – 11 de Fevereiro de 2018)

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