Ary Carvalho, empresário e jornalista, presidente do Grupo de Comunicação O DIA

0

Jornalista começou no “Última Hora” e depois criou o “Zero Hora”

 

 

Ary de Carvalho (Foto: Sul 21/Reprodução)

Ary de Carvalho (Foto: Sul 21/Reprodução)

 



Ary Carvalho, de “O Dia”

 

 

Ary Carvalho (Birigui, interior de São Paulo – Rio de Janeiro, 4 de julho de 2003), presidente do Grupo de Comunicação O Dia, que edita o diário carioca “O Dia”, fez uma carreira rara no jornalismo: começou como repórter e chegou a dono de jornal. Sua trajetória deslanchou no Última Hora, de Samuel Wainer (1910-1980), do qual foi diretor. Em 1964, fundou o jornal Zero Hora, de Porto Alegre no Rio Grande do Sul.

Seis anos depois, vendeu o tabloide e mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1983, comprou o jornal O Dia, que transformou completamente. Era amante da boemia, tocava violão desde os 14 anos e compôs músicas em parceria com Lupicínio Rodrigues, Ronaldo Bôscoli, Joanna e Marcos Valle.

 

Trajetória

 
Nascido em 25 de abril de 1934, Ary Carvalho mudou-se para a capital paulista aos 14 anos. Em 1955, já trabalhando no jornal do bairro onde morava, teve sua primeira reportagem assinada em um veículo de comunicação de maior porte: um texto sobre os ritos cerimoniais de casamento da maçonaria, publicado na “Última Hora”, de Samuel Wainer.

Contratado pelo jornal, sediado no Rio de Janeiro, em pouco tempo já era chefe de reportagem. Promovido a secretário de Redação e depois a diretor, Carvalho aceitou, em 1961, a proposta de Wainer de dirigir a seção do jornal no Paraná.

Depois de aumentar a venda do jornal no Paraná de 6.000 para 23 mil exemplares, Carvalho dirigiu o “Última Hora” no Rio Grande do Sul, onde o jornal chegou a ter sua circulação impedida pelos militares em 1964. Em maio daquele ano, ele propôs a Wainer, que estava exilado na Embaixada do México, a compra da seção gaúcha do “Última Hora”. Foi assim que nasceu o “Zero Hora”.

Após vender o “Zero Hora” para o atual dono, a Rede Brasil Sul de Comunicações, Carvalho voltou para o Rio e, em outubro de 1983, comprou o jornal “O Dia”, que pertencia ao ex-governador do Rio de Janeiro Chagas Freitas. Sob sua direção, “O Dia” passou por uma reestruturação editorial e gráfica, ganhando qualidade sem perder seu perfil de jornal popular. Nesse período, teve aumento de circulação e vendagem e obteve vários prêmios nas áreas jornalística, administrativa e de marketing.

Ary Carvalho morreu dia 4 de julho de 2003, aos 69 anos, no Rio de Janeiro. Estava internado no Hospital Samaritano, em razão de um acidente vascular cerebral.

O velório, acompanhado por cerca de 300 pessoas, teve a presença de personalidades da política, de artistas e de empresários do setor de comunicação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi representado pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira, que já foi repórter de “O Dia”.

“O Ary era um repórter que virou dono de jornal. Mas a cabeça dele ainda era de repórter. Ele gostava de sentar e discutir a notícia, discutir um furo que o seu jornal deu ou levou, discutir uma suíte bem feita. É uma grande perda para o Brasil”, disse o ministro.

O ex-governador e atual secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, representou a governadora Rosinha Matheus (PSB) no velório. Único a chegar ao local de helicóptero, Garotinho provocou certo constrangimento quando o vento produzido pelas hélices do aparelho derrubou as coroas de flores que estavam alinhadas na entrada do salão onde o velório foi realizado.

O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), foi um dos primeiros a chegar. Também compareceram o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), o senador Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ), os deputados federais Francisco Dornelles (PP-RJ) e Alexandre Cardoso (PSB-RJ), o vice-presidente da Infoglobo Comunicações Ltda., João Roberto Marinho, e o presidente do Conselho Editorial do “Jornal do Brasil”, José Antônio do Nascimento Brito.

“Ary era um grande empresário e um companheiro importante. Mas a principal imagem que fica na memória é a da pessoa alegre e cheia de vida”, disse Marinho.

Ary Carvalho deixou viúva, Marlene, as filhas Eliane, Lígia e Ariane, e quatro netos. Emocionada, Eliane lembrou o legado do pai: “Ele nos deixou algo muito bonito e, quando passar essa dor, a gente tem que tocar essa obra dele, ele merece. Menino pobre de Birigui [SP], meu pai é um típico exemplo do homem brasileiro que venceu na vida”, disse.

(Fonte: Veja, 29 de janeiro, 2003 – ANO 36 – Edição 1 810 –N° 27 – DATAS – Pág; 79)

(Fonte: https://www.terra.com.br/istoegente/206/aconteceu – Edição 206 – ACONTECEU – TRIBUTO / por Dirceu Alves Jr. – 14/07/2003)

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil – FOLHA DE S.PAULO – BRASIL – PERSONALIDADE/ Por MAURÍCIO THUSWOHL DA SUCURSAL DO RIO – 5 de julho de 2003)

Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. 

 

 

 

 

 

 

 

 

O empresário e jornalista Antônio Ary Carvalho, presidente do Grupo de Comunicação O DIA

Uma vida dedicada ao jornal

Ary Carvalho nasceu em Birigüi, interior de São Paulo. Aos 14 anos, mudou-se para a capital, para continuar os estudos. Em 1955, trabalhava no jornal do bairro onde morava, a Folha de Pinheiros. No bar Ponto Chic, reduto da boemia paulista, conheceu um fotógrafo da Última Hora – de Samuel Wainer – que havia documentado um casamento celebrado pelo rito maçom e precisava de texto para complementar a reportagem.

Ary comprou dois livros sobre o assunto, observou as fotos e foi para a máquina de escrever. A reportagem, com a assinatura do autor, foi publicada na capa do segundo caderno do jornal, onde ele conseguiu emprego. Em pouco tempo, passou da reportagem Geral para a Economia e, a seguir, foi ser chefe de reportagem.

Depois de promovido a secretário de redação do jornal e, em seguida, a diretor – o mais jovem diretor de redação da Última Hora -, Ary Carvalho aceitou, em 1961, o desafio de dirigir a Última Hora do Paraná, que, sob seu comando, passou de seis mil exemplares diários para 23 mil. Em 1962, nova mudança. A convite de Samuel Wainer, transferiu-se para Porto Alegre, onde foi dirigir a Última Hora gaúcha, que, assim como a de São Paulo e de outras capitais, foi impedida de circular pelos militares que tomaram o poder no golpe de 1964.

Foragido durante algumas semanas, o jornalista veio ao Rio de Janeiro visitar Samuel Wainer, que estava exilado na Embaixada do México, e lhe propôs a compra do diário. Wainer aceitou vender as máquinas de escrever, oito máquinas fotográficas, quatro lambretas, um arquivo fotográfico e dois carros, mas não o título.
De volta a Porto Alegre, Ary Carvalho lançou, no dia 4 de maio de 1964, o Zero Hora, um tablóide que revolucionou a imprensa no Rio Grande do Sul.

Em 1970, vendeu o Zero Hora aos atuais donos da Rede Brasil Sul de Comunicações. Transferiu-se para o Rio, onde dirigiu O Jornal e de onde saiu para ser diretor-editor da Última Hora carioca. Acabou comprando o título com o dinheiro que recebera da venda do Zero Hora e instalou o jornal num prédio na zona do Cais do Porto. Mais profissionais foram contratados, e o jornal aumentou sua circulação.

Em 14 de outubro de 1983, Ary Carvalho adquiriu O DIA, que vendia 180 mil exemplares nos dias úteis e 300 mil aos domingos. Iniciou, então, uma transformação editorial e gráfica, fiel ao lema estabelecido nos primeiros dias de sua administração – “fazer um jornal melhor todo dia” – e sem perder o foco em seu principal parceiro: o leitor, como fez questão de destacar na capa da edição comemorativa dos 50 anos do DIA, em 5 de junho de 2001.

As inovações adotadas pelo jornalista e empresário não apenas mudaram o aspecto e o conteúdo do DIA, mas também transformaram o jornal numa empresa moderna, alcançando altos níveis de eficiência que lhe valeram vários prêmios nas áreas de jornalismo, administrativa e de marketing. Casado com Marlene, Ary Carvalho tinha três filhas – Eliane, Lígia e Ariane – e quatro netos, Arthur, Fernanda, Júlia e Maria Helena. Deixa uma irmã, Adail Padoan.”

(Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br – O DIA / IG – 4/07/03)

Share.