Armand Hammer, ex-presidente da Occidental Petroleum, uma das maiores indústrias americanas

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Hammer: bons negócios com o camarada Lênin

Armand Hammer (Manhattan, Nova York, 21 de maio de 1898 – Los Angeles, Califórnia, 10 de dezembro de 1990), magnata do capitalismo, ex-presidente da Occidental Petroleum, uma das maiores indústrias americanas. Um dos mandamentos de Hammer, pagar dividendos gordos aos acionistas.

Formado em Medicina nos Estados Unidos, filho de judeus russos que migraram para Nova York no século 19, Hammer apresentou-se ao governo soviético em 1921 disposto a ajudar, como médico, a população siberiana que sofria com a escassez de alimentos.

Cedo Hammer descobriu uma maneira mais prática de socorrer os famintos. Com o beneplácito de Lênin – até hoje o milionário tem em sua mesa-de-cabeceira um retrato autografado pelo chefe da revolução russa -, ele importou o trigo excedente de uma supersafra que acabara de ocorrer nos Estados Unidos.

Mandou os navios de volta ao porto de Nova York com os porões recheados de peles e de barris de caviar, cuja importação estivera suspensa desde 1917. Dessa manobra engenhosa sobraram para Hammer alguns milhões de dólares.

Na União Soviética, Hammer lucrou o que pôde. Explorou jazidas de amianto, vendeu tratores Ford e construiu a fábrica de lápis Hammer – nome que Stálin trocaria mais tarde para Sacco – Vanzetti. Seu negócio mais fabuloso talvez tenha sido, contudo, a compra de milhares de peças de arte pertencentes à família do czar.

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Na década de 30, a coleção foi vendida, no varejo, em enormes exposições promovidas por Hammer em lojas populares americanas. Como a tática teve sucesso, anos mais tarde ele a repetiria na venda da coleção de obras de arte de William Randolph Hearst, o grande magnata da imprensa americana que se enroscou em dívidas pesadas. Nessa liquidação, até um pequeno mosteiro medieval espanhol, que foi trazido por Hearst, desmontado, para os Estados Unidos, foi vendido por Hammer para enfeitar um cemitério da Flórida.

Analisada por ele mesmo, a vida de Hammer é uma longa história de especulações arriscadas, mas temperada por incursões na política internacional – desde que conheceu Lênin e Trotsky, Hammer tinha a mania de circular entre chefes de Estado para promover a paz mundial.

Na época ele andava pelo mundo afora num Boeing 727 da Occidental Petroleum atrás de audiências com reis e presidentes, gostava de receber condecorações e de tirar fotografias ao lado de figurões. Uma vez que suas habilidades como diplomata parecem estar muito aquém da sua esperteza no mercado.

Foi justamente na União Soviética dos primeiros anos da revolução que Hammer – ex-presidente da Occidental Petroleum – uma das maiores empresas de petróleo do mundo -, começou a montar a sua história de magnata do capitalismo, que ele próprio contou na autobiografia Hammer – um Capitalista em Moscou, escrita em conjunto com o jornalista Neil Lyndon.

(Fonte: Veja, 23 de janeiro, 1991 -– Ano 24 – N° 4 –- Edição 1 166 –- Notas Econômicas –- Editora Abril –- Pág; 72)

(Fonte: Veja, 13 de setembro de 1989 – ANO 22 – N° 36 – Edição 1096 – LIVROS/ Por Antenor Nascimento – HAMMER, UM CAPITALISTA EM MOSCOU, de Armand Hammer e Neil Lyndon – Pág: 124)

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