André Glucksmann, filósofo francês que integrou o grupo que passou a ser chamado de “os novos filósofos”, ao lado de Bernard-Henri Lévy

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Ele integrou o grupo que passou a ser chamado de “os novos filósofos”, ao lado de Bernard-Henri Lévy.

André Glucksmann (Foto: www.newyorker.com/ Reprodução)

André Glucksmann (Foto: www.newyorker.com/ Reprodução)

O filósofo, nascido em 1937, sempre se declarou de esquerda, mas não hesitou em apoiar o conservador Nicolas Sarkozy na eleição presidencial de 2007.

André Glucksmann (Boulogne-Billancourt, 19 de junho de 1937 – Paris, 10 de novembro de 2015), filósofo francês, ex-maoísta, símbolo do intelectual comprometido e grande crítico dos totalitarismos, 

O filósofo, em um primeiro momento maoísta, rompeu de maneira espetacular com o marxismo em 1975 ao publicar “La cuisinière et le mangeur d’homme” (A cozinheira e o devorador de homens).

Ele integrou o grupo que passou a ser chamado de “os novos filósofos”, ao lado de Bernard-Henri Lévy.

No fim dos anos 1970, conseguiu reunir o intelectual de esquerda Jean-Paul Sartre e o liberal Raymond Aron em uma campanha a favor das pessoas conhecidas como “boat people”, que fugiam do Vietnã comunista.

A partir de então passou a criticar o totalitarismo. Em 1999 apoiou a intervenção da Otan contra a Sérvia, durante a guerra do Kosovo.

Filho de judeus alemães que fugiam do nazismo, Glucksmann nasceu em 1937, perto de Paris. Escapou por pouco dos campos de concentração durante a ocupação alemã. Participou da revolta de maio de 1968 e foi discípulo do filósofo engajado Raymond Aron (1905-1983).

Comunista na juventude, como filósofo sua causa tornou-se a luta contra o totalitarismo.

Em 1967, André Glucksmann se tornou conhecido com um livro, O Discurso da Guerra, sobre a estratégia americana no Vietnã. O engajado Glucksmann fez parte da geração conhecida nos anos 70 como “novos filósofos”. Em 2007, seu combate foi contra o ódio, que vê como mais forte que nunca – seja contra americanos, os judeus ou as mulheres contado no livro O Discurso do Ódio.

O filósofo, em um primeiro momento maoísta, rompeu de maneira espetacular com o marxismo na metade dos anos 1970, ao denunciar o gulag soviético e a tragédia das pessoas conhecidas como “boat people”, em fuga do Vietnã comunista.

Um de seus livros mais conhecidos resume a ruptura e o novo compromisso.

Em “La cuisinière et le mangeur d’homme” (A cozinheira e o devorador de homens), lançado em 1975, Glucksmann destacou que “o marxismo não produz apenas paradoxos científicos, mas também campos campos de concentração”, uma afirmação que caiu como uma bomba entre os intelectuais franceses, muito influenciados pelo marxismo.

Catalogado como um dos “novos filósofos”, ao lado de Bernard-Henri Lévy e Pascal Bruckner, principalmente, não parou de denunciar ao lado dos colegas a ideologia comunista, que na época dominava grande parte do mundo e atraía muitos intelectuais.

O filósofo francês André Glucksmann | (Foto: Jacques Demarthon / AFP / CP)

O filósofo francês André Glucksmann | (Foto: Jacques Demarthon / AFP / CP)

Guerra ao totalitarismo

 

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Do anticomunismo, a luta de Glucksmann seguiu para o combate ao totalitarismo em geral e à defesa dos direitos humanos.

Em 1977 ele conseguiu unir a grande figura da esquerda intelectual francesa, Jean-Paul Sartre, e o filósofo liberal Raymond Aron no Palácio do Eliseu para convencer o então presidente, Valéry Giscard d’Estaing, a atuar a favor dos refugiados vietnamitas.

O filósofo, nascido em 1937, foi considerado por muitos um ‘adepto do atlantismo’ e defendeu a intervenção da Otan contra a Sérvia de Milosevic em 1999, para defender a minoria kosovar.

Também defendeu a intervenção da Aliança Atlântica na Líbia, destinada a acabar com o regime de Muamar Khadafi, e sempre apoiou a causa chechena contra Moscou.

Após a queda do comunismo e o desmembramento da União Soviética, o filósofo seguiu denunciando o autoritarismo do presidente russo Vladimir Putin.

Ele sempre se declarou de esquerda, mas não hesitou em apoiar o conservador Nicolas Sarkozy na eleição presidencial de 2007. Mas a posterior aproximação deste de Putin o levou a tomar distância do político francês.

Em um de seus últimos livros, “Une rage d’enfant” (2006), contou que sempre ficou indignado com as “misérias do mundo” e que isto foi o motor de suas ações.

O filósofo André Glucksmann faleceu em Paris, em 10 de novembro de 2015, aos 78 anos.

“André Glucksmann carregava nele todos os dramas do século XX. Filho de refugiados nos anos 1930, conheceu o destino das crianças judaicas escondidas durante a Segunda Guerra Mundial”, afirmou o presidente francês François Hollande em um comunicado, a título de homenagem.

“André Glucksmann foi sobretudo o que deu o golpe definitivo à ideologia comunista na França”, recorda Pascal Bruckner.

“Naquela época teve muitos inimigos, detratores, mas suportou bem”.

Bernard-Henri Lévy disse que está “muito abalado” com a morte do pensador, depois de “40 anos de vida intelectual, de combates e de fúria compartilhada”.

“Era o único de meus contemporâneos com o qual tinha o sentimento de compartilhar a mesma preocupação pelo mundo e pelos demais”, completou o filósofo conhecido na França como BHL.

(Fonte: Época -– N° 485 -– 3 de setembro de 2007 -– Mundo/Entrevista/ Por André Fontenelle -– Pág; 72)

(Fonte: Zero Hora – ANO 52 – Nº 18.290 – NOTÍCIAS – AFP – TRIBUTO – 10 de novembro de 2015)

(Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/11  – POP & ARTE – Da France Presse – 10 de novembro de 2015)

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