Alfredo Bosi, crítico literário e professor titular aposentado do curso de Letras da USP, foi o sétimo ocupante da Cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras (ABL)

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Alfredo Bosi, crítico literário e professor

 

Posse de Alfredo Bosi na Academia Brasileira de Letras, em 2003 (Foto: Gustavo Stephan / Agência O Globo)

 

Autor de “História Concisa da Literatura Brasileira” e leitor talentoso de poesia, professor da USP se notabilizou por seus estudos de Machado de Assis e por tentar conciliar marxismo e catolicismo

 

 

Alfredo Bosi (São Paulo, em 26 de agosto de 1936 – São Paulo, 7 de abril de 2021), crítico literário, escritor e professor titular aposentado do curso de Letras da USP, foi o sétimo ocupante da Cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras (ABL) e foi um dos maiores críticos literários do país.

 

O crítico literário e ocupante da cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras, nasceu em 26 de agosto de 1936 e fez carreira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) com ensino de literatura. Um dos maiores críticos literários do país, focou sua produção em grandes nomes italianos, como Luigi Pirandello e Giacomi Leopardi, e brasileiros, como Machado de Assis, Jorge de Lima, Guimarães Rosa e Cecília Meireles. Bosi também foi um dos mentores do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, o qual também dirigiu.

 

Ocupante da cadeira nº 12 da Academia Brasileira de Letras desde 2003, Alfredo Bosi nasceu em São Paulo, descendente de italianos. Formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, em 1960, e logo recebeu uma bolsa de estudos na Itália, onde ficou um ano letivo em Florença.

 

De volta ao Brasil, assumiu os cursos de língua e literatura italiana na USP. Embora professor de literatura italiana, Alfredo Bosi sempre teve grande interesse pela literatura brasileira, o que o levou a escrever os livros Pré-Modernismo (1966) e História Concisa da Literatura Brasileira (1970), que se tornou obra de referência obrigatória.

 

Aos 34 anos, ainda um professor em início de carreira, publicou uma de suas principais obras, “História concisa da literatura brasileira”. O livro fora encomendado pelo poeta José Paulo Paes (1926-1998), à epoca editor na Cultrix. Editor e editado se tornaram grandes amigos. Nos anos 1980, quando a Brasiliense publicou “Um por todos”, a poesia reunida de Paes, Bosi assinou o prefácio do livro e localizou o amigo na tradição da poesia modernista brasileira que remonta à jocosidade de Oswald de Andrade.

 

Bosi também é autor de “Dialética da colonização”, “Machado de Assis: o enigma do olhar”, “Brás Cubas em três dimensões” e mais de uma dezena de livros, fora colaborações e organizações. Sua última publicação foi em 2017, “Arte e conhecimento em Leonardo da Vinci”.

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— Ele era um dos raros historiadores da literatura — diz o professor e editor Augusto Massi, que foi aluno de Bosi desde a graduação e um dos organizadores do livro “Reflexão como resistência: homenagem a Alfredo Bosi” (Cia das Letras) — “História concisa da literatura brasileira” não é um manual, um livro com datas, tem análises e foi escrito quando ele era muito jovem. Bosi se caracterizou sempre por ser um homem de cultura enciclopédica”.

 

Foi responsável, entre 1963 e 1970, pela seção Letras Italianas do Suplemento Literário do Estadão, no qual publicou mais de vinte artigos sobre autores diversos, como Leopardi, Pirandello, Moravia, Buzzati, Manzoni, Gadda, Ungaretti, Montale, Quasimodo, Pasolini, entre outros.

 

O assunto passou a dominar seu interesse em 1970, quando se decidiu pelo ensino de literatura brasileira no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

 

Logo, publicou outras obras notáveis sobre a crítica literária, como O Ser e o Tempo da Poesia, de 1977, Céu Inferno: Ensaios de Crítica Literária e Ideológica, de 1988, e Machado de Assis: o Enigma do Olhar, de 1999.

 

Com pensamento de esquerda, Bosi foi um dos responsáveis por introduzir o pensamento do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci no Brasil.

— Há cartas de Bosi falando dessa vocação filosófica que ele procurou alimentar — diz Massi, salientando que o professor tinha formação católica, mas era ligado à ala mais progressista da Igreja. — Havia esse aspecto de militância, de dar aula para operário e fazer trabalho humanitário. Ele não era só um cara de gabinete.

 

Alfredo Bosi faleceu em 7 de abril de 2021, aos 84 anos, vítima da covid-19, em São Paulo.

“Foi um dos maiores intelectuais do País, um ser humano da mais alta envergadura, de quem tive a honra de tê-lo tido como um de meus mestres”, lamentou-se o crítico e poeta Antonio Carlos Secchin. “Bosi é um dos intelectuais que farão falta no futuro, quando formos reconstruir o País depois da pandemia”, observou o escritor e roteirista Marçal Aquino.
O presidente da ABL, Marco Lucchesi, lamentou a perda.“A tanta dor, soma-se a morte do admirável acadêmico Alfredo Bosi. Sou tomado de profunda emoção. Nem encontro palavras. Escrevo com olhos marejados. Bosi: um homem de profunda erudição, humanista inconteste, um homem que estudou o Renascimento e que o representou (…). Jamais relegou a segundo plano os direitos civis e as liberdades. Amado amigo, fraterno, radical”, disse por meio de nota no site da Academia.
Para Fernando Paixão, poeta e professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, Bosi foi um “intelectual pleno”, que tinha “tinha uma visão muito própria da literatura” e se preocupava com os destinsos políticos do país. Leitor de Bosi desde os anos 1970, quando lhe caiu nas mãos uma edição de “O ser e o tempo na poesia”, Paixão lembra que o crítico era dono de uma formação vastíssima, que reunia referências que iam da filosofia à história e a literatura. Num ensaio sobre o impacto que “O ser e o tempo na poesia” lhe causou, ele escreveu que o livro teve “o mérito de lançar as bases de um pensamento que prosperou e assumiu novos desafios” e “constituiu um passo decisivo para revelar aquele que se tornaria um dos intelectuais mais respeitados do país, além de ter se mantido como fonte essencial sobre o tema”.

— Bosi foi um grande intérprete da poesia, que é uma arte difícil. A eleição da poesia como o campo para o qual ele voltaria o seu olhar crítico já aparece em “O ser e o tempo” — disse Paixão ao GLOBO.

Ele se lembra de Bosi como um homem um tanto fechado, pouco dado a arrombos e extremamente generoso e dedicado às amizades. Paixão editou alguns livros de Bosi na Ática, como “Machado de Assis: o enigma do olhar”, a primeira reunião dos ensaios do crítico sobre o autor de Dom Casmurro. O olhar de Bosi sobre Machado fez escola ao contrastar com a interpretação de Roberto Schwarz, que encontrara no autor as “ideias fora do lugar” que marcam a experiência social brasileira. Segundo Paixão, Bosi, por outro lado, procurou resgatar a “universidade” de Machado de Assis.

Ao GLOBO, Schwarz, que também deu aulas na USP, disse que Bosi era professor muito querido entre os alunos e ressaltou uma das facetas mais originais do pensamento dele: a tentativa de fundir marxismo e catolicismo, sobretudo em “Dialética da colonização”. Nos anos 1970, Bosi chegou a militar ao lado de operários em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. Entre 1982 e 1984, presidiu o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns e, partir de 1987, passou a atual na Comissão de Justiça e Paz da Igreja Católica.

— O livro mais original dele é “Dialética da colonização”, que é uma interpretação ousada do Brasil do ponto de vista do catolicismo de esquerda — explica Schwarz. — Os intelectuais agnósticos sempre encararam as manifestações religiosas como um resto de obscurantismo. Com coragem e originalidade, Bosi promoveu uma virada interessante e polêmica ao afirmar que obscurantistas são as elites.
(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil – NOTÍCIAS / BRASIL / por Ubiratan Brasil e André Cáceres – (Estadão Conteúdo) – 07/04/2021)

(Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil – NOTÍCIAS / BRASIL / por Redação VEJA São Paulo – 07/04/2021)

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura – CULTURA / por Talita Duvanel e Ruan de Sousa Gabriel – 07/04/2021)

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