Alexei Navalny, principal opositor de Putin
Ex-advogado ganhou fama ao fazer acusações de corrupção contra o presidente da Rússia e liderou um movimento contra Putin que levou milhares às ruas do país.
Mais proeminente opositor de Putin, ativista era o único dissidente capaz de mobilizar os russos e pagou por isso.
Crítico declarado do Kremlin estava preso desde quando retornou à Rússia, em 2021, o que foi amplamente apontado como uma tentativa politicamente motivada de reprimir as suas críticas a Putin
Alexei Navalny em uma cama de hospital, em Berlim, na Alemanha, com a esposa e seus dois filhos durante seu tratamento após ser envenenado. (Crédito da fotografia: Handout/Anadolu Agency via Getty Images)
Alexei Navalny (4 de junho de 1976 – 16 de fevereiro de 2024), advogado, ativista e opositor russo, o principal opositor do presidente Vladimir Putin e crítico aberto do Kremlin.
Navalny era há muito tempo uma pedra no sapato do presidente Vladimir Putin, expondo a corrupção em altos cargos do governo da Rússia, fazendo campanha contra o partido no poder e orquestrando alguns dos maiores protestos antigovernamentais vistos nos últimos anos.
Ele organizou protestos de rua contra o governo e utilizou o seu blog e as redes sociais para expor acusações de corrupção no Kremlin e na economia russa.
Sua luta rendeu uma fama global quando foi envenenado com o agente nervoso Novichok, em 2020.
É possível inclusive considerar que Navalny representou uma das ameaças mais sérias a Putin durante o seu governo, que já dura mais de duas décadas.
Navalny é um ex-advogado que ganhou fama há mais de uma década ao satirizar a elite do presidente Vladimir Putin e fazer acusações de corrupção. Na década de 2010, por exemplo, ele liderou um movimento contra Putin que levou milhares de pessoas às ruas do país.
Navalny incomodava por ser considerado o único dissidente capaz de mobilizar os russos. Na década passada era frequente vê-lo algemado em protestos que denunciavam a corrupção e o cerceamento da liberdade no regime. Pagou um preço alto por isso.
Ele foi detido por forças russas em janeiro de 2021 após retornar da Alemanha, onde foi tratado por uma suspeita de envenenamento. Navalny foi sentenciado à prisão até completar 74 anos por acusações que, segundo ele, foram forjadas para mantê-lo afastado da política.
Alexei Navalny foi um advogado que ganhou fama há mais de 10 anos por satirizar a elite de Vladimir Putin, além de acusá-lo de corrupção. Ele liderou um movimento contra Putin que levou milhares de pessoas às ruas na década de 2010.
O político foi peça chave nos protestos de 2011 e 2012 na Rússia, que denunciaram fraude eleitoral e corrupção no governo comandado por Putin. O auge de sua trajetória no mundo da política foi em 2013, quando obteve 27% dos votos em uma eleição para presidente da Câmara da capital russa.
Considerado uma grande pedra no sapato para o Kremlin, Navalny foi responsável por identificar um suposto palácio construído no Mar Negro para uso pessoal do mandatário russo, bem como mansões e iates utilizadas por Dmitry Medvedev.
Em 2020, foi envenenado durante um voo com o agente nervoso Novichok, produzido na era soviética e banido como arma química letal. Entrou em coma e, tratado na Alemanha, esteve à beira da morte. Um ano depois, voltou à Rússia e foi encarcerado — situação que não via perspectiva de sair enquanto Putin estivesse no comando do país.
Em 2020, Navalny chegou a ficar em coma ao ter sido envenenado com novichok e recebeu tratamento na Alemanha. O político voltou ao seu país natal no ano seguinte, onde foi detido e condenado a várias penas de prisão que totalizaram mais de três décadas atrás das grades.
Navalny foi preso em janeiro de 2021 ao voltar de uma viagem para a Alemanha. Ele sofreu uma suspeita de envenenamento e recebeu tratamento no país.
Rotina na prisão
Enquanto estava preso, Navalny recebia ajuda para que seus textos sejam publicados. Em uma mensagem na rede social X, ele descreveu uma rotina matinal.
“O cantor Shaman ficou famoso depois que eu já estava na prisão, então eu não consegui vê-lo ou ouvir sua música. Mas eu sabia que ele havia se tornado o principal cantor de Putin. E que sua principal música é ‘Eu sou russo'”, escreveu Navalny.
“Claro que fiquei curioso para ouvi-la, mas onde conseguiria fazer isso na prisão? E então eles me levaram para Yamal (local da prisão no Ártico). E aqui, todo dia às 5h da manhã, ouvimos o comando ‘Levantem!’, seguido do hino nacional russo e, imediatamente depois, a segunda música mais importante do país é tocada — ‘Eu sou russo’, do Shaman”.
Ele também disse que seu regime matinal agora inclui ouvir o hino nacional russo antes de começarem a tocar “Eu sou russo”, uma música patriótica de um cantor pró-Putin chamado Shaman.
A ironia, segundo Navalny, é que a propaganda estatal já ressaltou que ele costumava acompanhar nacionalistas russos em marchas anuais e agora, anos depois, estava ouvindo uma música pop ultra-nacionalista com propósitos educacionais enquanto faz seus exercícios matinais na prisão.
“Sendo honesto, ainda não tenho certeza se entendo corretamente o que pós-ironia e meta-ironia são. Mas se não for isso, o que poderia ser?”, brincou Navalny.
Político faleceu em uma colônia penal no Círculo Polar Ártico
Prisão Lobo Polar
A prisão, chamada de Lobo Polar, onde Navalny ficou presa, é considerada uma das prisões mais difíceis da Rússia. A maioria dos prisioneiros que continuam nela foram condenados por crimes graves.
Durante o inverno, as temperaturas no local podem chegar a até -28°C.
Cerca de 60 km ao norte do Círculo Polar Ártico, a prisão foi fundada na década de 1960 como parte do que já foi o sistema GULAG de campos de trabalhos forçados soviéticos, segundo o jornal Moskovsky Komsomolets.
Kira Yarmysh, porta-voz do político russo, disse acreditar que a decisão de o transferir para um local tão remoto e inóspito foi projetada para isolá-lo, tornar sua vida mais difícil e complicar o acesso de seus advogados e aliados.
“Eu sou o seu novo Papai Noel”, escreveu Navalny, à época, brincando em sua primeira postagem de sua nova prisão, uma referência às duras condições climáticas de lá.
Alexei Navalny morreu, informou o serviço penitenciário da região de Yamalo-Nenets, onde ele cumpria pena há cerca de três anos, nesta sexta-feira (16).
O Serviço Penitenciário Federal disse em comunicado que Navalny se sentiu mal após uma caminhada na sexta-feira e perdeu a consciência.
Segundo a agência norte-americana Associated Press, uma ambulância chegou para tentar reabilitá-lo, mas ele morreu.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirma que Putin foi informado da morte do opositor, mas que não sabe a causa de seu falecimento.
O rival de Putin estava detido em uma remota colônia penal em Kharp, conhecida como “Lobo Polar”, localizada no Círculo Polar Ártico. Ele havia sido condenado a 19 anos de detenção por “extremismo”.
Navalny, que apareceu magro e com a cabeça raspada em um vídeo divulgado em janeiro, cumpria pena em um regime normalmente reservado a condenados à prisão perpétua ou detentos perigosos.
“Putin tentou e não conseguiu assassinar Navalny rápida e secretamente com veneno e agora o assassinou lenta e publicamente na prisão. Ele foi morto por expor Putin e sua máfia como os bandidos e ladrões que são”, resumiu o ex-campeão de xadrez Gary Kasparov.
Não houve confirmação imediata da morte de Navalny por parte de sua equipe. O governo russo disse não ter nenhuma informação sobre a causa da morte.
(Créditos autorais: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2024/02/16 – MUNDO/ NOTÍCIA/ Por g1 – 16/02/2024)
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