A primeira mulher a assumir o Banco Central Europeu (BCE)

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Alemã é a 1ª mulher à frente de Comissão Europeia; Lagarde chefiará BCE

 

O atual presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, comemorou “um perfeito equilíbrio dos sexos” com dois homens e duas mulheres no Conselho

 

 

No comando: Christine Lagarde (à esquerda), atual diretora-gerente do FMI, e Ursula von der Leyen, atual ministra da Defesa da Alemanha, vão chefiar, respectivamente, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia (Montagem com fotos de Chris Ratcliffe e Krisztian Bocsi/Bloomberg)

Os líderes europeus conseguiram superar em 2 de junho de 2019 suas divisões e designar a alemã Ursula von der Leyen como a próxima presidente da Comissão Europeia, ao final de uma intensa cúpula sobre altos cargos no bloco que durou três dias.

Além dela, os líderes nomearam o liberal belga Charles Michel como o próximo presidente do Conselho, o social-democrata espanhol Josep Borrell como chefe da diplomacia europeia, e a francesa Christine Lagarde à frente do Banco Central Europeu (BCE).

Von der Leyen, atual ministra alemã da Defesa, “ocupará o novo cargo com muita prudência e compromisso”, avaliou a chanceler alemã, a conservadora Angela Merkel, em alusão àquela que será a primeira mulher à frente do Executivo do bloco.

O atual presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, comemorou “um perfeito equilíbrio dos sexos” com dois homens e duas mulheres. Lagarde, atual diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), também se tornará a primeira mulher à frente da instituição monetária europeia.

“É uma grande notícia para todos os que acreditamos na igualdade de gênero”, comemorou em coletiva de imprensa o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, para quem”a Espanha voltou com força” com o atual chanceler espanhol à frente da política externa e de defesa da UE.

Desta forma, os dirigentes dão luz verde ao último acordo que tinham nas mãos, depois de terem fracassado na véspera em outra distribuição de cargos, que deu a presidência da Comissão ao social-democrata Frans Timmermans, que continuará como primeiro vice-presidente da Comissão Europeia.

À espera da Eurocâmara

O presidente francês, o liberal Emmanuel Macron, foi quem fechou a questão, defendendo Von der Leyen, de 60 anos, na Comissão, uma jogada que lhe permitiu obter o BCE para Lagarde.

 

 

A Eurocâmara deve agora confirmar a nomeação da política alemã que, no entanto, não foi cabeça de chapa de uma das famílias políticas nas eleições à Eurocâmara (Spitzenkandidat), uma exigência que os eurodeputados tinham feito aos líderes.

 

 

“Esta proposta nos decepciona muito”, advertiu Iratxe García, chefe do grupo social-democrata no Parlamento Europeu, o segundo em importância depois do Partido Popular Europeu (PPE, direita), a quem pertence Von der Leyen.

 

A advertência não é insignificante. Para se tornar, a partir de 1º de novembro, titular da Comissão, a alemã, médica de formação, deve reunir uma maioria na Eurocâmara e atualmente todas as forças pró-europeias devem estar unidas para alcançá-la.

Os mandatários queriam conseguir um acordo antes de a Eurocâmara escolher seu presidente. Após se constituir nesta terça-feira, os eurodeputados têm previsto designar seu líder na quarta-feira, e para o posto soa o nome do social-democrata búlgaro Serguei Stanishev.

Embora não seja uma prerrogativa dos líderes, o cargo de presidente da Eurocâmara conta com uma distribuição do restante dos cargos com base em equilíbrios geográficos, de gênero e políticos. Stanishev cumpriria a cota de países do leste, já que o restante dos cargos são da Europa ocidental ou central.

Nada muda no Brexit

Embora a Alemanha tenha levado a joia da coroa, Merkel foi ofuscada na cúpula, pois precisou se abster da votação final por não ter o aval de seus parceiros de governo social-democratas e, além disso, enfrentou a pressão do restante do PPE pelo anterior acordo frustrado.

 

 

Por sua vez, os mandatários do Grupo de Visegrado (Hungria, Eslováquia, República Tcheca e Polônia), em sua maioria populistas conservadores, conseguiram bloquear o primeiro candidato do PPE à Comissão, o alemão Manfred Weber, e Timmermans, acertando um duro golpe de passagem ao sistema do “Spitzenkandidat”.

 

As negociações dos altos cargos, iniciadas no domingo, refletiram as divisões patentes dentro de um bloco que, em nível interno, deve resolver ainda o Brexit e, no plano internacional, enfrenta China, Rússia e os Estados Unidos. “Estou absolutamente certo de que os novos líderes (…) serão tão coerentes como somos hoje no que diz respeito ao acordo de retirada e à nossa disposição de discutir nossa futura relação com o Reino Unido”, advertiu Tusk.

(Fonte: https://exame.abril.com.br/mundo – MUNDO / Por AFP – 2 jul 2019)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Christine Lagarde rompe mais uma barreira

Aos 63 anos, com estilo carregado de feminismo, diretora do FMI se prepara para ser a primeira mulher a assumir o Banco Central Europeu (BCE)

 

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, fez sua carreira quebrando os tetos de vidro do meio das finanças internacionais. Com um estilo impregnado de feminismo, ela agora se prepara para assumir o Banco Central Europeu (BCE).

 

Com 63 anos, Lagarde sempre foi pioneira: a primeira mulher a dirigir a prestigiada firma de advogados Baker McKenzie, a primeira encarregada do Ministério da Economia da França (2007-2011) e também a primeira a conduzir o Fundo. Em 2018, a revista Forbes classificou-a como a terceira mulher mais poderosa do mundo.

 

Com os cabelos curtos e brancos e seu estilo clássico impecável, ela agora foi indicada para ser a primeira mulher a conduzir o BCE por oito anos. Vegetariana, atleta e não fumante, Lagarde precisou convencer os céticos quando chegou à sede do FMI em Washington. Ela é política, não economista, e precisou polir o brasão da entidade

 

Quando assumiu, em 2011, encontrou um FMI traumatizado pelo escândalo sexual que derrubou outro francês, Dominique Strauss-Kahn, e precisou enfrentar as rebarbas da grande crise mundial de 2008 e 2009. “Soube impor calma sem se mostrar moralmente superior”, lembra a entidade. “Hoje, é muito valorizada porque trouxe um toque de humanidade”, acrescenta.

 

Lagarde sempre deu atenção aos problemas sociais e falava inequivocamente sobre as desigualdades dos Estados Unidos e a necessidade de incluir planos de assistência social nos programas de reformas econômicas — como aconteceu na Argentina, por exemplo.

 

Seu currículo exemplar é, contudo, marcado por uma sentença da Justiça francesa, que em 2016 considerou-a culpada de uma “negligência” cometida em seus tempos de ministra e que acabou custando caro ao fisco. Diante de sua “reputação internacional”, foi liberada da pena.

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A carreira da mãe de dois filhos e mulher do empresário francês Xavier Giocanti ganhou uma nova dimensão com o cargo no FMI, renovado em 2016. Sem descanso e amparada em estudos, ela sempre explica por que as mulheres são essenciais para o crescimento econômico.

 

Sem medo de incomodar seus pares masculinos, ela não hesita em dizer, por exemplo, que se o banco Lehman Brothers tivesse mulheres em seus cargos decisórios, a crise mundial de 2008 não teria ocorrido, ou ao menos teria sido menos devastadora. Também não foge de exemplos pessoais para sustentar seus comentários.

Diante de dirigentes, se expressa em um inglês impecável. Durante uma comemoração do Dia Internacional da Mulher, admitiu que na adolescência seu inglês era medíocre, apesar de seu pai ser professor de literatura inglesa. Ela assumiu de bom grado seus fracasso pessoais — como ter reprovado duas vezes no concurso de entrada na escola francesa Ena, ou os contratempos de sua carreira.

 

Toque pessoal

 

Como exemplo, lembrou que no escritório de advocacia “Baker, quando, ao não ter conseguido clientes suficientes por ter sido mãe, me disseram que não poderia ser sócia e teria que esperar mais um ano”, disse em 8 de março.

 

À frente do FMI, defendeu a ortodoxia financeira nos quatro rincões do mundo — especialmente na Grécia, desagradando seus pares europeus. Sua franqueza provocou polêmicas, como quando pediu para os gregos, fartos das medidas de autoridades, pagarem seus impostos. Noutro caso, reprovou implicitamente autoridades por não se comportarem como “adultos”. Por isso vieram de Atenas os ataques mais ferozes ao FMI, acusado de ter “responsabilidade criminal” na crise grega.

 

Mas Lagarde aprendeu a lição. No ano passado, na Argentina, tomou cuidado de insistir que o programa de reformas econômicas apoiado pelo FMI é iniciativa dos próprios argentinos. Evita tomar posição diante de fatos políticos em público, como a crise da Venezuela, mas denuncia que a guerra comercial sino-americana ameaça o crescimento econômico global.

 

Em raras ocasiões, ela exibe um pouco de sua intimidade. “Diria aos seus leitores: aos 50 anos, ou mais, é possível ser monumentalmente feliz em tudo, mental, física e sexualmente”, disse em abril à revista Elle.

(Fonte: https://exame.abril.com.br/economia – ECONOMIA /  Por AFP – 2 jul 2019)

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