A primeira empresa de capital aberto do mundo a atingir US$ 4 trilhões em valor de mercado

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Nvidia se torna primeira empresa do mundo a atingir US$ 4 trilhões em valor de mercado

 

 

Nvidia se tornou a primeira empresa da história a superar US$ 4 tri (Foto: JHVEPhoto/Adobe Stock)

Nvidia se tornou a primeira empresa da história a superar US$ 4 tri (Foto: JHVEPhoto/Adobe Stock)

 

Nvidia é a primeira empresa a valer US$ 4 trilhões na história

Valor corresponde a R$ 21,8 trilhões. As ações da fabricante de chips subiam na quarta-feira (9), se beneficiando do aumento contínuo da demanda por tecnologias de inteligência artificial.

Prédio da Nvidia em Taiwan — (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ REUTERS/Ann Wang ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)

A fabricante de chips Nvidia alcançou a marca de US$ 4 trilhões (R$ 21,8 trilhões) em valor de mercado na quarta-feira (9), tornando-se a primeira empresa de capital aberto do mundo a atingir esse patamar.

Nvidia se tornou a primeira empresa da história a superar o valor de US$ 4 trilhões. O sucesso da companhia é impulsionado pela alta demanda de chips de inteligência artificial (IA), que cresceu após o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, quando a tecnologia se tornou prioridade para gigantes da tecnologia.

As ações da fabricante de chips subiam mais de 2% na manhã desta quarta. A valorização dos papéis acompanha o movimento de contínua demanda por tecnologias de inteligência artificial do mundo e consolidam a empresa como uma das ações mais favorecidas de Wall Street até o momento.

Nvidia atingiu um valor de mercado de US$ 1 trilhão (R$ 5,5 trilhões) pela primeira vez em junho de 2023 e o aumento continuou inabalável, com seu valor de mercado mais do que triplicando em cerca de um ano — mais rápido do que a Apple e a Microsoft, as únicas outras empresas norte-americanas com um valor de mercado de mais de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões).

A companhia superou brevemente o valor de US$ 4 trilhões durante a manhã, quando o valor de sua ação superou a marca de US$ 163,93 — na sequência, o valor recuou e fechou em US$ 162,88, o que avalia a companhia em US$ 3,97 trilhões.

Para efeito de comparação, US$ 4 trilhões, ao câmbio desta quarta-feira, são cerca de R$ 22 trilhões, ou quase o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2024, de R$ 11,7 trilhões, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Microsoft é a segunda maior empresa dos EUA, com uma capitalização de mercado de US$ 3,75 trilhões (R$ 20,5 trilhões).

Nvidia ganhou cerca de 74% desde as mínimas atingidas em abril, quando os mercados globais foram abalados pela onda de tarifas do presidente dos Estados UnidosDonald Trump.

No entanto, o otimismo em relação aos parceiros comerciais que fecharam acordos com os EUA tem elevado as ações ultimamente, com o S&P 500 atingindo uma máxima histórica.

Nvidia tem um peso de 7,3% no S&P 500, o maior do índice. Apple e Microsoft respondem por cerca de 7% e 6%, respectivamente.

 

O que a Nvidia faz?

Nvidia fabrica chips usados para treinar modelos de inteligência artificial, como o do ChatGPT, que exigem muita capacidade computacional. Entre os clientes da empresa, estão praticamente todas as gigantes da tecnologia, como MicrosoftGoogleAmazonMeta e Spotify.

Antes de dominar os chips de inteligência artificial, a empresa era completamente dedicada às placas de vídeo, que servem para melhorar a qualidade dos gráficos em jogos e vídeos. Foi nesse segmento, originalmente, que ela ganhou prestígio mundial.

O diferencial da Nvidia no mercado é que a empresa trabalha e domina a produção de um tipo de processador chamado GPU (Graphics Processing Unit, ou Unidade de Processamento Gráfico), que é o processador mais utilizado para o treinamento de inteligência artificial.

O boom da IA generativa iniciado com o lançamento do ChatGPT, por sua vez, impulsionou empresas a desenvolverem suas próprias inteligências artificiais, o que resultou no crescimento acelerado da Nvidia.

Os últimos meses foram intensos para a companhia fundada pelo CEO Jensen Huang. Apenas no último trimestre, a empresa teve um crescimento de receita de 69% em relação ao período anterior. No balanço financeiro divulgado em fevereiro deste ano, no encerramento do ano fiscal da companhia, a Nvidia informou que o crescimento relativo à 2024 foi de 112%.

Lucro bilionário

Nvidia registrou um lucro líquido de US$ 18,8 bilhões (R$ 107 bilhões) no primeiro trimestre de seu exercício fiscal, uma alta de 26% na comparação anual, informou a empresa na última semana.

O lucro por ação ajustado foi de US$ 0,96 (R$ 5,5), acima dos US$ 0,89 previstos pelo consenso da FactSet, empresa americana de dados financeiros.

Nvidia também apresentou receita de US$ 44,1 bilhões (R$ 251 bilhões) no trimestre encerrado em abril, um aumento de 69% em um ano. Já a receita de centros de dados, principal atividade da companhia, ficou levemente abaixo das projeções dos analistas.

Os resultados vieram apesar do impacto das restrições americanas – posteriormente suspensas pelo governo de Donald Trump – à exportação de chips para a China. A medida causou à Nvidia um encargo excepcional de US$ 4,5 bilhões (R$ 26 bilhões), abaixo dos US$ 5,5 bilhões esperados.

A empresa também superou as expectativas para vendas em seu primeiro trimestre fiscal. Por outro lado, projetou receita inferior ao esperado para o segundo trimestre, ao prever um impacto de US$ 8 bilhões nas vendas devido às restrições dos EUA sobre exportações de chips para a China.

No entanto, a gigante viveu incertezas com o tarifaço imposto por Donald Trump em abril de 2025. As altas taxas para o comércio internacional aumentaram o temor de executivos e investidores de que as fontes de receita pudessem encolher. A insatisfação chegou aos ouvidos do presidente americano, que recuou e isentou computadores, smartphones e semicondutores, como as GPUs. Os chips especializados em IA que são a menina dos olhos da da Nvidia, que fabrica a maioria dos componentes em Taiwan. Isso destravou o potencial e o valor da empresa.

“Há uma empresa no mundo que é a base da revolução da IA, que é a Nvidia, com o padrinho da IA, Jensen, tendo a melhor posição e perspectiva para discutir a demanda geral de IA das empresas e o apetite pelos chips de IA da Nvidia no futuro”, apontou o consultor da Wedbush Securities Dan Ives.

A Nvidia passou os últimos dois anos vendo a demanda por seus chips de processamento neural estourarem com o avanço da tecnologia – trazendo resultados, principalmente, no crescente aumento de seu valor de mercado, que chegou a ultrapassar Microsoft e Apple no clube dos US$ 3 trilhões. Atualmente, a empresa mais próxima da Nvidia, que nesta quarta vale US$ 3,7 trilhões.

O avanço da Nvidia é um claro reflexo da empolgação em torno da IA. Em 2021, o seu valor era de US$ 735 bilhões. No final de 2024, a empresa já era a segunda mais valiosa do setor de tecnologia, avaliada em US$ 3,4 trilhões. Dentro do ranking da S&P 500, que lista as 500 maiores empresas do mundo, a Nvidia já aparece na frente de todas as empresas do chamado G7 (ou Magnificent Seven, em inglês). O grupo é composto por Apple, Google, Amazon, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.

O sucesso da Nvidia não seria possível, claro, se ela não tivesse tantos clientes interessados em seus chips de IA, o que indica que o interesse pela tecnologia está longe de esfriar. As suas principais parceiras demandam quantidades grandes o suficiente para manter a empresa líder no mercado.

De acordo com o jornal Financial Times, só em 2024, a Microsoft comprou cerca de 485 mil unidades de processadores da marca, mais que o dobro do que a segunda maior consumidora da Nvidia nos EUA, a Meta, que negociou cerca de 224 mil unidades. E a fila de espera para clientes menores é enorme. Neste ano, por exemplo, a Universidade Federal de Goiás (UFG) recebeu 64 novas unidades das GPUs B200 a um custo de R$ 40 milhões após meses de espera.

Para reduzir a dependência, várias das gigantes trabalham em seus próprios chips de IA – o Google vem fazendo avanços com a linha Tensor, enquanto a Amazon desenvolve seu processador Trainium. Já a Microsoft lançou o Maia, chip com capacidade para rodar LLMs da base do serviço Azure, de nuvem.

Ainda assim, toda essa produção ainda não é capaz de acompanhar as crescentes necessidades das gigantes. A corrida do ouro fica ainda mais rápida quando rivais, como a OpenAI, anunciam novidades quase mensalmente no universo da inteligência artificial.

“Acreditamos que tanto a Nvidia quanto a Microsoft atingirão o clube das empresas com valor de mercado de US$ 4 trilhões até setembro e, nos próximos 18 meses, o foco será o clube das empresas com capitalização de mercado de US$ 5 trilhões… já que este mercado em alta de tecnologia ainda está em seus estágios iniciais, liderado pela revolução da IA”, explicou Dan Ives.

De acordo com registros corporativos e pesquisas da Dealroom, a empresa comandada por Huang gastou US$ 1 bilhão em 50 rodadas de financiamento em startups e outros negócios corporativos em 2024. Esse valor foi destinado a “entidades não filiadas” entre janeiro e setembro, e incluem tanto seus braços de investimento de risco quanto os mais seguros. O montante representa aumento em relação a 2023, que teve 39 rodadas e US$ 872 milhões aplicados.

“Embora os primeiros passos nas implantações de IA estejam em torno dos chips da Nvidia e dos gigantes da nuvem, estimamos que, para cada US$ 1 gasto na Nvidia, há um multiplicador de US$ 8 a US$ 10 no restante do ecossistema tecnológico”, afirmou Ives.

Como a Nvidia ganha dinheiro

Fundada há mais de 30 anos, a companhia do CEO Jensen Huang antecipou em algumas décadas o boom atual da tecnologia – quase sem querer. Criada em 1993, a Nvidia passou a desenvolver em 1999 chips de processamento de vídeo (ou GPUs) para computadores e videogames. Essa tecnologia tornou-se essencial para processar vídeos pesados na indústria de games (abastecendo consoles como Xbox e PlayStation) e indispensável em supercomputadores — que podem ser usados em sistemas de nuvem ou de mineração de criptomoedas, duas áreas em que a Nvidia tornou-se a favorita há anos.

Para qualquer inteligência artificial funcionar, é necessária uma quantia enorme de dados. Estes, por sua vez, exigem uma infraestrutura de computadores de ponta para processar informações. É aí que entram as GPUs: criados para acelerar o processamento gráfico de forma paralela às CPUs (unidades de processamento central, que executam tarefas sequencialmente e com mais consumo de energia), esses chips evoluíram para abastecer as máquinas por onde rodam as redes neurais que turbinam a IA.

© 2025 Microsoft

Esse processo ocorreu ao longo dos anos, quando especialistas passaram a otimizar as GPUs para algoritmos de IA. Estima-se que são necessárias apenas duas GPUs para realizar o mesmo trabalho em IA de mais de 10 mil CPUs.

Hoje, a Nvidia é líder global em chips gráficos – domina 70% do mercado, segundo a empresa de pesquisas Omdia, deixando para trás rivais como Amazon, Google, Intel, AMD e Qualcomm. A procura cresceu tanto nos últimos anos, em especial em 2023, que startups e outras empresas de tecnologia que querem entrar na corrida da inteligência artificial esperam 18 meses para receber os sistemas da Nvidia, sem optar pela infraestrutura de computação de outras empresas, segundo empresários consultados pelo jornal New York Times. Isso é algo raro em um setor que tem tanta pressa em inovar.

“Se fosse uma empresa de semicondutores comum, o valor das ações da Nvidia seria US$ 58 e não US$ 158?, afirmou na terça, 8, Jim Cramer, apresentador americano especializado em fundos de investimento.

(Direitos autorais reservados: https://www.msn.com/pt-br/dinheiro/economia-e-negocios- Estadão conteúdo/ DINHEIRO/ ECONOMIA E NEGÓCIOS/ Nvidia é a primeira empresa a valer US$ 4 trilhões na história/ História de Bruno Romani e Bruna Arimathea – 09/07/2025)

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/07/09 – G1 Economia/ ECONOMIA/ NOTÍCIA/ Por Redação g1 – 09/07/2025)

* Com informações da agência de notícias Reuters.

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