A primeira dama da gastronomia brasileira

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A primeira dama da gastronomia brasileira

 

Benê Ricardo foi a primeira mulher a se formar cozinheiro no Senac de São Paulo

 

Benedita Ricardo de Oliveira (1943-2018), Benê, a primeira dama da gastronomia brasileira

Mineira de São José do Mato Dentro, perdeu o pai aos cinco anos e a mãe, aos sete, foi morar com Dona Eugênia, a avó quituteira que era muito conhecida na região de Ouro Fino.

Aos 17 anos, após muito aprendizado, ela se muda para São Paulo. Na capital paulista, Benê trabalha até os 35 anos na casa da família alemã Buck, do presidente da multinacional Atlas Copco.

A ausência de hífen no título é proposital, já que Benê Ricardo não precisou de consorte para ficar marcada. Ao contrário, assim como Dona Ivone Lara no samba, o aposto de Benê se deve a uma conquista pessoal num ambiente machista: foi a primeira mulher a se diplomar cozinheira no pioneiro curso de gastronomia do Senac de São Paulo.

Neta de uma quituteira, sua primeira professora, Benê mudou-se de São José do Mato Dentro (MG) para a capital paulista aos 17 anos. Trabalhou 18 na casa de uma família alemã, que logo atinou para o dom e passou a investir na sua formação. Pagou-lhe cursos técnicos e uma temporada na Alemanha para aprender a culinária local.

 

 

 

Benedita Ricardo de Oliveira (1943-2018) – Reprodução

 

 

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Em 1978, inscreveu-se num concurso da revista Claudia. Venceu, credenciou-se banqueteira e começou a ter o nome ventilado nas famílias da alta sociedade paulistana.

Em 1978, ela vence um concurso de receitas da revista Cláudia e é convidada a trabalhar na cozinha experimental da revista feminina. Por três meses, Benê trabalhou na editora Abril, até ser desligada por motivos burocráticos.

Ainda que a decepção fosse grande, ela começa a trabalhar em uma cozinha industrial e, aos fins de semana, prepara grandes jantares na casa de empresários paulistanos.

Em uma dessas ocasiões, ao servir um banquete com inspirações alemãs e receitas trazidas da casa dos Buck, Benê impressiona o presidente-ditador Ernesto Geisel. Durante a noite, José Papa Jr., então presidente da Fiesp e também muito surpreso com os dotes culinários da cozinheira, faz o convite para que ela curse gastronomia na Escola de Hotelaria do Senac, que só aceitava homens na época.

Aos 38 anos, Benê Ricardo é a primeira dama a obter licença para estudar gastronomia no Brasil e a receber o diploma de 1º Cozinheiro pelo Senac — título concedido a quem se formava em Águas de São Pedro na época.

Depois disso, ela deixa o Grande Hotel São Pedro, no interior de São Paulo, e volta para a capital paulista para supervisionar o refeitório do Maksoud Plaza, na Alameda Campinas.

Foram quatro anos de dedicação no hotel até resolver ampliar os serviços de banquetes em carreira solo. Em 1986, ela monta o Buffet e Eventos Benê, que a consolida como uma das grandes banqueteiras de São Paulo.

Venceu importantes campeonatos brasileiros e, por pouco, não foi a representante do Brasil na edição 2001 do Concurso Bocuse d’Or, na França.

E foi na recepção na casa de um industrial que o chucrute de Benê cativou o mais poderoso dos comensais: o general -presidente Ernesto Geisel. Atento à saciedade presidencial, João Papa Jr., chefe da Fiesp à época e presente no jantar, tratou de rasgar o retrógrado protocolo do Senac e garantiu uma vaga à cozinheira no curso da instituição.

Dali para frente é história. Benê virou comandante de cozinhas estreladas (uma delas, a do hotel Maksoud), bateu ponto em programas de TV e batizou linhas de produtos em empórios requintados. “Era uma tradicionalista, mostrava o melhor da cozinha brasileira sem mimimi”, afirma o chef Carlos Ribeiro, seu amigo.

Morreu no dia 31, aos 74 anos, de câncer no pâncreas.

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/04 – COTIDIANO / Por Antonio Mammi – SÃO PAULO – 6.abr.2018)

(Fonte: https://pensecomida.com.br – 06/04/2018)

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