MPB

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Os festivais da canção, produzidos pelas principais emissoras de TV na segunda metade dos anos 60, têm como saldo uma nova geração de artistas e uma reestruturação da música popular. Como reação ao agravamento da repressão política e da censura, o final da década é acompanhado pelo surto da canção de protesto e da iconoclastia musical. A jovem guarda cria novos ídolos e o movimento tropicalista redefine as diretrizes estéticas da MPB. Elis Regina firma-se como cantora de prestígio nacional e passa a gravar novos talentos, como João Bosco e Milton Nascimento. Mineiro, Milton valoriza o grupo de compositores e músicos reunidos em torno do Clube da Esquina. São eles Beto Guedes, Lô Borges e o grupo 14 Bis, além do tecladista Wagner Tiso e do guitarrista Toninho Horta.
Compositores e intérpretes espalhados pelo Brasil chegam aos grandes centros urbanos. Representando a diversidade regional da música brasileira, eles encorpam a chamada MPB. De Alagoas surge Djavan; do Pará, Fafá de Belém; do Ceará, Belchior e Fágner. Também se destacam Ivan Lins, Simone e Guilherme Arantes. O grande nome da MPB, porém, é Chico Buarque de Holanda.

Milton Nascimento (1942- ) nasce no Rio de Janeiro em 26 de outubro. Os pais adotivos levam-no para Três Pontas, Minas Gerais. Aos 15 anos organiza um conjunto vocal, o Luar de Prata, com Wagner Tiso. Em 1966, Elis Regina grava Canção do sal. No ano seguinte, obtém o segundo lugar no 2o FIC, da TV Globo, com Travessia, em parceria com Fernando Brant. Sua música resgata tradições do barroco mineiro (com temas árcades e religiosos), da música vocal dos escravos africanos, e as mistura ao rock, notadamente dos Beatles. Também pesquisa elementos indígenas brasileiros. É admirado por influentes jazzistas internacionais. Grava numerosos sucessos em LPs: Clube da Esquina (1972), Milagre dos Peixes (1974), Minas (1976), Geraes (1977), Clube da Esquina 2 (1978), Sentinela (1981), Ânima (1984), Miltons (1988), entre outros.

Chico Buarque de Holanda – ver foto ao lado – (1944- ) nasce no Rio de Janeiro, em 19 de junho. Em 1963, entra para a faculdade de arquitetura, mas não conclui o curso. Projeta-se como compositor ao vencer o II Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1966. Sua música, A banda, defendida por Nara Leão, empata com Disparada, de Geraldo Vandré e Teo de Barros. Durante o Regime Militar instituído em 1964, sua obra torna-se sinônimo de resistência civil (como Apesar de você e Cálice). É sistematicamente censurado. Para burlar censores, adota o pseudônimo Julinho da Adelaide. Suas letras abordam com sensibilidade o universo feminino, como em O meu amor e Tatuagem. É autor de peças teatrais (entre outras, Calabar, Gota d’água e Roda viva). Faz trilhas para cinema ( By e-bye Brasil, República dos assassinos, Ópera do malandro) e dança (O grande circo místico). Escreve o romance Estorvo.

Tropicalismo – Com o nome extraído de uma criação do artista plástico Hélio Oiticica – Tropicália – o movimento marca, no final dos anos 60, uma radicalização da música brasileira do ponto de vista estético. Reflexo da contracultura, persegue a modernidade a partir da internacionalização dos valores culturais. Assim, Caetano Veloso e Gilberto Gil mesclam o folclórico, o ultrapassado e o subdesenvolvido com as novas tendências mundiais, sobretudo o rock, principal produto de exportação da música norte-americana, e internacionalizado com o imenso sucesso do quarteto britânico Beatles. Além de Caetano e Gil, aparecem ligados ao movimento tropicalista o maestro Rogério Duprat, Os Mutantes, Capinam, Torquato Neto e Tom Zé. Suas idéias são veiculadas principalmente nos festivais de música, então a sensação da televisão brasileira. Em oposição à corrente engajada, que apresenta canções de protesto, os tropicalistas recusam o alinhamento po lítico direto. As idéias desse grupo estão resumidas no disco Tropicália ou panis et circenses. As músicas Alegria, alegria, Tropicália (de Caetano Veloso) e Domingo no parque (de Gilberto Gil) são emblemáticas do movimento.

Caetano Veloso (1942- ) nasce em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 7 de agosto. Caetano Emanuel Viana Teles Veloso aprende violão e começa a compor na adolescência. No 2o Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1966, recebe o prêmio de melhor letra por Um dia. Na edição seguinte do festival, acompanhado pelo grupo argentino Beat Boys, classifica em quarto lugar a faixa Alegria, alegria. Lança o movimento tropicalista ao lado de Gilberto Gil. Choca o público do 3o Festival Internacional da Canção, da TV Globo, ao apresentar É proibido proibir, cantando de costas para a platéia. Passa a apresentar o programa Divino maravilhoso, pela TV Tupi, de São Paulo. Dirige um longa-metragem, O cinema falado (1987). Em 1993, grava o disco Tropicália 2, que comemora os 25 anos do tropicalismo.

Gilberto Gil (1942- ) nasce em Salvador, Bahia, em 26 de junho. Gilberto Passos Gil Moreira ingressa na Universidade Federal da Bahia, em 1960, para cursar administração de empresas. Participa de vários festivais, apresentando composições que rompem com a linha tradicionalista da música popular brasileira. Uma delas é Domingo no parque, arranjada pelo maestro experimentalista Rogério Duprat e apresentada por Gil e Os Mutantes. Participa de um show ao lado de Caetano Veloso no teatro Castro Alves, em Salvador, pouco antes de exilar-se em Londres (1969). Sua música Aquele abraço, mostrada na ocasião, transforma-se em um de seus maiores sucessos. Nos anos 80, Gil torna-se grande divulgador da música jamaicana no Brasil. Sua música é caracterizada pela riqueza rítmica e melódica.

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