GÊNEROS MUSICAIS

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Gênero tipicamente brasileiro, deriva de uma adaptação local do modo de interpretar a polca. Por volta de 1870, torna-se popular a formação instrumental composta de violão, cavaquinho e flauta. Esses conjuntos acompanham serenatas noturnas, em que o repertório costuma incluir polcas e modinhas. A maneira maliciosa e “chorosa” de tocar a flauta acaba dando origem ao novo gênero.
Seus principais representantes são o flautista Joaquim Antônio da Silva Calado, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, célebre pela composição Ô abre alas, Anacleto de Medeiros e, mais tarde, Pixinguinha. Eles nacionalizam a música estrangeira, fazendo com que, nas primeiras décadas do século XX, a polca, o xote, o tango e a havaneira estivessem sob a denominação genérica de choro.
Mais tarde, Villa-Lobos inclui o gênero em sua extensa lista de obras, dedicando-lhe importante espaço na série Choros. O flautista Altamiro Carrilho é grande divulgador do gênero internacionalmente, a partir dos anos 60, quando se apresenta no Egito, Alemanha, França e ex-União Soviética. Hoje, menos produzido e executado, o choro continua tendo em Pixinguinha seu nome mais expressivo.
Pixinguinha (1898-1973). Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, nasce no Rio de Janeiro, em 23 de abril. Seu apelido vem do cruzamento de “pizidim” (menino bom, no dialeto africano falado por sua avó) e “bexiguinha”, ironia dos vizinhos do bairro suburbano de Catumbi à sua aparência quando contrai varíola. Grava seus primeiros discos entre 1910 e 1911, integrando o grupo Pessoal do Bloco. Em 1920 se apresenta para a corte da Bélgica. Em 1928, grava o samba-choro Carinhoso, ainda em versão instrumental. A primeira gravação com letra, escrita por João de Barro, é de 1937, com Orlando Silva.

SAMBA

Derivação de ritmos africanos como lundu e jongo, o samba não surge como música, mas sim como dança popular. Vem da expressão semba, do quimbundo africano. Quer dizer umbigada e serve para descrever uma dança de roda em que os solistas chegam a tocar-se pela barriga. No final do século XIX, emprega-se a palavra samba para designar qualquer tipo de baile ou festa popular, como forró ou arrasta-pé. Musicalmente, aparece nas primeiras décadas do século XX. Com andamento vivo, em ritmo 2/4, diferencia-se da marcha e do batuque, sendo influenciado por ambos. O primeiro registro fonográfico importante é Pelo telefone, sucesso do carnaval de 1917 composto por Ernesto dos Santos, o Donga. Quem primeiro recebe o título de Rei do Samba é o mulato carioca Sinhô. Surgem ramificações, como o samba de breque, o samba-canção e o samba-exaltação.
Samba de enredo – A partir dos anos 30 torna-se o gênero por excelência do carnavalcarioca. Com os primeiros desfiles de escolas de samba, o samba de enredo se consolida. As letras apresentam o resumo de um tema histórico, folclórico ou biográfico. Por sua rítmica singular, é considerado o gênero brasileiro de execução mais difícil por estrangeiros.

Pagode – O samba renova-se através do pagode, que nos anos 90 figura entre os principais filões da indústria de discos no Brasil. O pagode diferencia-se do samba tradicional por apresentar um ritmo manemolente, numa cadência adequada à dança de salão. Grupos de pagode proliferam em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os mais conhecidos são Raça Negra (com mais de 1 milhão de discos vendidos), Fundo do Quintal, Só Preto sem Preconceito e Só pra Contrariar.

Sambistas – Entre as principais contribuições para o gênero, figuram as do mineiro Ary Barroso (criador do samba-exaltação), de cariocas como Cartola e Noel Rosa, do paulista Adoniran Barbosa e do baiano Dorival Caymmi. Compositores e intérpretes do samba tradicional continuam produzindo atualmente. Destacam-se Paulinho da Viola, Martinho da Vila e a cantora Beth Carvalho.

Ary Evangelista Barroso (1903-1964) nasce em Ubá, Minas Gerais, em 7 de novembro. Aos 12 anos, Ary Barroso trabalha como pianista no cinema Ideal, em Ubá. Em 1921 muda-se para o Rio de Janeiro, ingressando na Faculdade de Direito. Nos anos 30, passa a compor para o teatro musicado carioca. Francisco Alves, o Rei da Voz, grava em 1939 Aquarela do Brasil. A música introduz o gênero samba-exaltação e é regravada dezena de vezes no Brasil e no exterior. É premiado pela trilha sonora do filme Você já foi à Bahia?, de Walt Disney. Suas centenas de canções têm estilos variados, passando por choro, xote, marcha, fox-trote e samba.

Cartola – ver foto ao lado – (1908-1980). Agenor de Oliveira, o Cartola, nasce no Rio de Janeiro, em 11 de outubro. Aos 11 anos vai morar no morro da Mangueira. Aprende cavaquinho ainda criança, com o pai. Funda com Carlos Cachaça o Bloco dos Arengueiros, que, em 1929, se transforma no Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Já em seu primeiro desfile, a Mangueira apresenta um samba escrito por Cartola, Chega de demanda. Desaparece do meio artístico no início da década de 40. Apenas no final dos anos 50 é reencontrado, lavando carros e trabalhando como vigia. Entre seus maiores sucessos estão As rosas não falam e O mundo é um moinho.

Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) nasce no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro. Aos 13 anos Noel Rosa começa a tocar bandolim, sem ter aulas do instrumento. Entra em 1929 para o grupo Bando de Tangarás, formado por João de Barro, Almirante, Alvinho e Henrique Brito. Já em 1930 alcança o sucesso com o samba Com que roupa?. Por ter nascido em Vila Isabel, fica conhecido como Poeta da Vila. É responsável por Conversa de botequim, grande sucesso de 1935. O estilo irreverente e astuto de Noel marca o samba dos anos 30, que adquire tons coloquiais e passa a fazer a crônica social dos morros e vilas cariocas. Morre de tuberculose, aos 26 anos.

Adoniran Barbosa – ver foto ao lado – (1910-1982), pseudônimo de João Rubinato, nasce em Valinhos, São Paulo, em 6 de outubro. Participa de programas de calouros, no rádio, a partir dos anos 30. Atua também em filmes, como O cangaceiro, de Lima Barreto, nos estúdios da Vera Cruz. O grupo Demônios da Garoa passa a gravar suas composições. Em 1955, com o sucesso das músicas Saudosa maloca e O samba do Arnesto, transforma-se no grande cronista popular paulistano. Consagra-se com Trem das onze (1964).

Dorival Caymmi (1914- ) nasce em Salvador, em 30 de abril. Filho de músico, começa cedo a cantar na igreja. Começa a compor aos 16 anos, acompanhando-se ao violão. Em 1938, muda-se para o Rio de Janeiro e passa a cantar no rádio. Inclui a música O que é que a baiana tem? no filme Banana da terra, estrelado por Carmen Miranda. Outros sucessos vêm a seguir, como Samba da minha terra e É doce morrer no mar. Desliga-se do meio artístico em 1954, mas volta em 1972, gravando a Oração da Mãe Menininha. Seus filhos Nana, Dori e Danilo desenvolvem carreiras de prestígio.

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