Malcolm X, um dos mais controvertidos líderes negros do continente.

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Bandido político

Malcolm X (Omaha, 19 de maio de 1925 – Nova York, 21 de fevereiro de 1965), foi um dos maiores ativistas dos direitos dos negros nos Estados Unidos.

Um dos mais controvertidos líderes negros do continente. Filho de um pastor batista (assassinado pela Ku-Klux-Klan), Malcolm Little, ainda menino, viu sua mãe enlouquecer e a família se desagregar. De orfanato em orfanato, foi parar na casa de sua meia-irmã. E foi lá, em Boston, que começou seu aprendizado no baixo mundo. Desenrola-se, a partir daí, a parte mais estimulante da narrativa, que toma metade do livro e da agitada vida de Malcolm.

De engraxate de um salão de baile – onde tocavam figuras famosas do jazz, como Lester Young e Count Basie -, ele passa a vendedor de sanduíches num trem da linha para Nova York, e acaba desembarcando de vez no Harlem, o bairro negro de Manhattan, onde adere à delinquência.

Foi sucessivamente garçom, proxeneta, viciado e traficante de cocaína e, de volta a Boston, pertenceu a uma quadrilha de assaltantes especializada em roubar tapetes persas de ricas residências. Preso, e condenado a dez anos de cadeia, Malcolm converte-se à pregação do “Profeta Elijah Muhammad, o líder dos “Muçulmanos Negros.”

DEMÔNIO BRANCO – Quando deixou a penitenciária, Malcolm Little decidiu chamar a si próprio de “Malcolm X”, um sobrenome provisório, representando o verdadeiro e desconhecido nome de família africano, que segundo ele, deveria ser revelado no futuro “por Alá”

Em meio a furiosas catilinárias contra o “demônio branco”, e em defesa de uma suposta superioridade da raça negra – permite-se mais algumas linhas sobre sua vida – encerrada a tiros, em 21 de fevereiro de 1965, supostamente a mando de Elijah Muhammad, a cuja liderança Malcolm X já deixara de se submeter.

No livro “Autobiografia de Malcolm X”, com a colaboração de Alex Haley, seu eixo central, a luta dos “Muçulmanos Negros”, se não foi de todo superado, pelo menos ficou adormecido – talvez, irremediavelmente adormecido.

A partir de sua publicação, dois meses após o assassinato de Malcolm X, o livro tornou-se uma autêntica bíblia do movimento do Poder Negro, com tiragens suficientes para ser considerado um best-seller, mesmo nos Estados Unidos. Quinze anos foram o suficiente para amenizar o impacto das teses de Malcolm X – em parte revisada por ele próprio, antes de ser assassinado. A essa altura, ele até já admitia a possibilidade de existirem alguns brancos decentes. Racismo à parte, a história continua valendo, pela riqueza trágica da vida de Malcolm X.

(Fonte: Veja, 30 de janeiro de 1980 – Edição 595 – LIVROS/ Por LUIZ HENRIQUE FRUET – Pág: 69/70)
(Fonte: Veja, 5 de março de 1975 – Edição 339 – DATAS – Pág: 75)

O líder negro norte-americano Malcolm X é assassinado, aos 39 anos, nos Estados Unidos, em 21 de fevereiro de 1965.

(Fonte: Zero Hora – ANO 51 – Nº 18.028 – 21 de fevereiro de 2015 – Almanaque Gaúcho/ Por Ricardo Chaves – Pág: 36)

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