Diane Wolkstein, foi autora de livros infantis e folclorista que, em tempos idos, foi a contadora de histórias oficial da cidade de Nova Iorque, colaborou com Samuel Noah Kramer, um estudioso assírio, na escrita de “Inanna, Rainha do Céu e da Terra”, uma recontagem da história de 4.000 anos da deusa suméria da fertilidade, do amor e da guerra

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Diane Wolkstein, autora de livros infantis que impulsionou um renascimento da arte de contar histórias.

 

Diane Wolkstein (nasceu em 11 de novembro de 1942, em Newark – faleceu em 31 de janeiro de 2013 em Kaohsiung, Taiwan), foi autora de livros infantis e folclorista que, em tempos idos, foi a contadora de histórias oficial da cidade de Nova Iorque, incumbida de revitalizar essa arte quase extinta na cidade de oito milhões de histórias.

Segundo a maioria dos relatos, a Sra. Wolkstein deu início a um renascimento da arte de contar histórias durante os cinco anos em que atuou como a única contadora de histórias em tempo integral da cidade e ajudou a desencadear uma onda nacional de interesse pela antiga arte de narrar histórias.

A partir de 1967 (com um salário de 40 dólares por semana, na folha de pagamento do Departamento de Parques), ela realizou centenas de apresentações solo de contação de histórias, visitando dois parques por dia, cinco dias por semana. Ela carregava alguns adereços e a cabeça cheia de histórias. Entre elas, clássicos como João e Maria, e um repertório cada vez maior de histórias tradicionais chinesas, persas, nigerianas, haitianas , afro-americanas e de outras culturas, todas interpretadas com a autoridade de uma contadora de histórias fascinante.

Seu programa de rádio, “Stories from Many Lands” (Histórias de Muitas Terras), foi transmitido pela WNYC de 1968 a 1980. Ela ajudou a criar o Centro de Contação de Histórias da Cidade de Nova York , que treina milhares de voluntários e os envia para escolas e bibliotecas públicas da cidade. Ela ajudou a consolidar uma tradição ainda incipiente de contação de histórias nas manhãs de sábado no Central Park, aos pés da estátua de Hans Christian Andersen, perto da Rua 72 com a Quinta Avenida; nos últimos 50 anos, a participação se tornou um rito de passagem para as crianças da cidade.

 

Em 1972, a Sra. Wolkstein publicou o primeiro de seus mais de vinte livros. A maioria eram coletâneas de contos populares, lendas e histórias da criação, reunidas durante viagens de pesquisa. Ela visitou a China, a África e o Haiti diversas vezes. Em 1983, colaborou com Samuel Noah Kramer (1897 — 1990), um estudioso assírio, na escrita de “Inanna, Rainha do Céu e da Terra”, uma recontagem da história de 4.000 anos da deusa suméria da fertilidade, do amor e da guerra.

Jimmy Neil Smith, fundador do International Storytelling Center em Jonesborough, Tennessee, um grupo que promove convenções, oficinas e encontros de contadores de histórias desde 1973, disse que a Sra. Wolkstein fazia parte de um movimento de revitalização da contação de histórias que teve início na década de 1960, paralelamente ao renascimento da música folk.

A Sra. Wolkstein era uma amálgama: historiadora do folclore, etnógrafa, professora, artista de rua e acadêmica feminista. Várias de suas obras, notadamente “Inanna”, buscavam resgatar mitos esquecidos sobre divindades femininas. Outras reintroduziam mulheres heroicas de textos antigos, como seu livro de 1996, “A História de Ester”, um relato imaginado da vida interior da heroína bíblica.

Diane Wolkstein nasceu em 11 de novembro de 1942, em Newark, filha de Henry e Ruth Wolkstein, e cresceu em Maplewood, Nova Jersey. Seu pai trabalhava como contador e sua mãe como bibliotecária.

Ela conseguiu o emprego na prefeitura através da lábia, contou aos entrevistadores, apenas para perceber mais tarde em que se meteu. “Não havia margem para erro”, disse ela ao The New York Times em 1992, descrevendo suas visitas ao parque entre 1967 e 1971. “Quer dizer, era um parque. Se não gostassem, simplesmente iam para outro lugar.”

Sua última apresentação de contação de histórias no Central Park aconteceu na manhã de sábado, 15 de setembro, na estátua de Hans Christian Andersen, onde ela contou várias histórias favoritas do público, incluindo “Elsie Piddock Pula Corda Dormindo”, de Eleanor Farjeon (1881 – 1965). A história é sobre uma menina que pula corda tão bem que fadas a convidam para se juntar a elas nas colinas. Ela retorna mais tarde na história. (Contar mais seria estragar o final.)

Diane Wolkstein faleceu na quinta-feira 31 de janeiro de 2013 em Kaohsiung, Taiwan. Ela tinha 70 anos.

A Sra. Wolkstein estava sendo submetida a uma cirurgia de emergência devido a um problema cardíaco quando faleceu, disse sua filha, Rachel Zucker. Ela estava em Taiwan pesquisando para um livro de contos folclóricos chineses.

(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2013/02/04/nyregion — New York Times/ Nova Iorque/ por Paul Vitello – 4 de fevereiro de 2013)

©  2013 The New York Times Company

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