Reuben Fine, psicólogo e autor de muitos livros sobre xadrez e psicologia, foi um dos maiores gênios do xadrez dos EUA, enfrentou cinco campeões mundiais, com resultados significativos contra todos eles: Lasker (uma vitória), Capablanca (cinco empates), Alekhine (três vitórias, quatro empates e duas derrotas), Euwe (duas vitórias, três empates e duas derrotas) e Botvinnik (uma vitória e dois empates)

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Reuben Fine, campeão de xadrez, psicólogo e escritor, gigante americano do xadrez

 

Paul Keres x Reuben Fine (https://rafaelleitao.com)

Paul Keres x Reuben Fine (https://rafaelleitao.com)

Grandes Enxadristas: a História de Reuben Fine

Na opinião de Garry Kasparov: “Reuben Fine é um dos jogadores mais subestimados da história do xadrez”. 

Reuben Fine em New York State Champion, em 1941. (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Managed/ Direitos autorais: Divulgação/ Academia Rafael Leitão ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)

 

 

Reuben Fine (nasceu em Nova Iorque, em 11 de outubro de 1914 — faleceu em Nova Iorque, em 26 de março de 1993), foi um dos maiores gênios do xadrez dos Estados Unidos, psicólogo e autor de muitos livros sobre xadrez e psicologia.

Assim como Bobby Fischer algumas décadas depois, o Dr. Fine abandonou o xadrez no auge de sua carreira. Mas pelo menos o Sr. Fischer, que se aposentou em 1972 e mais tarde retornou às quadras em uma partida de exibição na Iugoslávia, havia provado seu ponto ao conquistar o campeonato mundial. Quando o Dr. Fine se aposentou, após uma tremenda vitória no torneio AVRO na Holanda em 1938, ele se tornou, e permanece, o grande “e se” do mundo do xadrez.

 

Nascido na cidade de Nova Iorque, em 11 de outubro de 1914, Fine aprendeu xadrez aos oito anos. Com 12 anos era operador dos tabuleiros murais no torneio de Nova Iorque de 1927, onde conheceu Alekhine e Capablanca.

Primeiras conquistas

No início dos anos 1930, Fine competiu com êxito contra Reshevsky, além de empatar com Alekhine em 1932. Na Olimpíada de 1933, em Folkestone – Inglaterra, Fine integrou pela primeira vez a equipe dos Estados Unidos. No terceiro tabuleiro, o enxadrista venceu seis partidas, empatou seis e perdeu apenas uma. Resultado importante para os americanos conquistarem a medalha de ouro.

Três ouros olímpicos

Na Olimpíada de Varsóvia, em 1935, Fine atuou no primeiro tabuleiro e mais uma vez os Estados Unidos conquistaram o ouro. Em Estocolmo – 1937, Fine jogou no tabuleiro dois e conquistou seu terceiro título olímpico. Ou seja, Reuben representou seu país em três Olimpíadas e conquistou o ouro em todas as ocasiões.

Candidato ao título mundial

Com grandes atuações nos torneios individuais pela Europa, em 1936 Reuben Fine era bem cotado a nível internacional. A revista Sahovski Glasnik oferecia uma lista com os dez melhores enxadristas daquele ano: 1. Capablanca, 2.Botvinnik, 3.Fine, 4.Euwe, 5.Flohr, 6. Alekhine, 7.Reshevsky, 8.Lasker, 9.Lilienthal, 10. Keres. Já para a revista Chess, o futuro do título mundial estava nas mãos de: Botvinnik, Fine, Reshevsky, Flohr e Keres.

Depois da já mencionada Olimpíada de 1937, Fine passou meses na Holanda ajudando Max Euwe na preparação para o match-revanche contra Alekhine. Quando voltou aos Estados Unidos, levou consigo uma esposa holandesa.

 

A maior exibição da carreira

Em 1938, Reuben Fine assombrou o mundo do xadrez. Com uma atuação brilhante, compartilhou o primeiro lugar no Torneio de AVRO, junto com Paul Keres – este último levou o título nos critérios de desempate. De qualquer modo, Fine estava na frente de Botvinnik, Euwe, Reshevsky, Alekhine, Capablanca e Flohr.

 

Histórico favorável contra os campeões mundiais

Durante sua carreira, Reuben Fine enfrentou cinco campeões mundiais, com resultados significativos contra todos eles: Lasker (uma vitória), Capablanca (cinco empates), Alekhine (três vitórias, quatro empates e duas derrotas), Euwe (duas vitórias, três empates e duas derrotas) e Botvinnik (uma vitória e dois empates). No total dos 25 jogos: 7 vitórias, 14 empates e 4 derrotas.

 

As disputas nacionais com Reshevsky 

Curiosamente, mesmo com tamanho destaque internacional, Fine nunca conseguiu vencer o Campeonato dos Estados Unidos. Nas três ocasiões em que o enxadrista esteve na disputa pelo título nacional (1936, 1938 e 1940) ele foi superado pelo maior rival da carreira: Samuel Reshevsky!

 

Em 1938 e 1940, há uma rodada do fim, Reshevsky liderava com meio ponto a mais do que Fine, porém, os enxadristas se enfrentariam na última partida, com Fine de brancas. Em 1938, Fine jogou 1.d4 e Reshevsky conseguiu igualar. Já em 1940, Fine jogou 1.e4, mas omitiu uma combinação ganhadora nos apuros de tempo e Reshevsky segurou o empate e o título mais uma vez.

 

Fine nunca venceu o campeonato nacional

 

Samuel Reshevsky adorava fazer piada dos acontecimentos. Sempre que podia, perguntava para alguém próximo: “Quantas vezes Fine foi campeão americano?” Ao ouvir a resposta, exclamava: “E você sabe por que ele nunca venceu? Porque eu joguei todos esses torneios!”.

 

A ausência no Campeonato Mundial de 1948 e o fim da carreira

Durante a II Guerra Mundial, Fine trabalhou em um dos departamentos das Forças Armadas, onde ajudava a localizar submarinos alemães. Em 1946, com a morte do campeão Alekhine, Fine entrou na discussão pelo título mundial. Ainda em 1944, Reuben Fine já sugeria a realização de um match torneio.

 

Para Fine, como ele e Keres eram os campeões de AVRO 1938 e, em teoria, tinham o direito de desafiar Alekhine – situação que se tornou complexa pela guerra – ambos deveriam ser proclamados campeões do mundo entre 1946-1948, até a realização do match torneio.

 

Outra ideia debatida no Ocidente era realizar um match entre o único campeão mundial presente, Max Euwe, com o campeão dos Estados Unidos, Samuel Reshevsky, visto que os jogadores da União Soviética não estavam filiados a FIDE.

 

Durante o match Estados Unidos x União Soviética, realizado em Moscou, os seis principais aspirantes ao título se reuniram para debater o tema: Keres, Fine, Reshevsky, Euwe, Botvinnik e Smyslov. Como Fine estava estudando psicologia na Universidade da Califórnia e precisava voltar rapidamente para os Estados Unidos, entregou uma procuração para Reshevsky, que deveria defender seus interesses.

 

De fato, ficou decidido que o match torneio ocorreria em 1948. Porém, como Fine não disputou os últimos campeonatos nacionais, a Federação dos Estados Unidos não queria enviar Fine para o match torneio. Em realidade, anos antes, Fine tinha criado outra Federação nos Estados Unidos, a fim de melhorar as condições dos enxadristas que não viajaram para a Olimpíada de 1939, em Buenos Aires, já que federação e enxadristas não entraram em acordo sobre os valores.

 

Em agosto de 1947 estava claro que Fine não disputaria o match torneio. Em 1948, Fine tornou-se Doutor em Psicologia e não participou mais de torneios de elite. Seu envolvimento com xadrez ficou restrito aos livros escritos, sempre conciliando o tema xadrez e psicologia. Reuben Fine faleceu em 1993.

 

O real motivo da ausência de Fine no match torneio é condicionado a diversos fatores como a briga com a Federação dos Estados Unidos e a carreira acadêmica. No entanto, em algum momento da vida Fine também mencionou: “não quero passar três meses da minha vendo os russos entregarem partidas entre si”.

 

 

Smyslov, Euwe, Reuben Fine, Botvinnik e Tal. (https://rafaelleitao.com)

 

Fine também alegou que estava preparado para jogar o torneio em 1947, mas segundo ele: “os soviéticos conseguiram postergar o acordo por um ano e pra mim já não era mais possível”. Por fim, também reclamou de que, “ao contrário dos jogadores soviéticos, não havia compensação financeira para os jogadores ocidentais”.

 

E para você, por que Reuben Fine desistiu do Campeonato Mundial de 1948? E você acha que ele é um dos enxadristas mais fortes que não conseguiram o título mundial? Deixe sua opinião nos comentários.

 

Reuben Fine faleceu em à noite no St. Luke’s-Roosevelt Medical Center, em Manhattan. Ele tinha 79 anos e morava em Manhattan.

A causa foi uma pneumonia que se desenvolveu após um AVC, disse seu filho, Benjamin.

(Créditos autorais reservados: https://rafaelleitao.com – Rafael Leitão/ Grandes Enxadristas: a História de Reuben Fine)

Referências Bibliográficas:

Meus Grandes Predecessores, volume 4 – Garry Kasparov

Rei Branco e Rainha Vermelha – Daniel Johnson

(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1993/03/27/archives – New York Times/ Arquivos / Arquivos do The New York Times/ Por Harold C. Schonberg 27 de março de 1993)

Sobre o Arquivo
Esta é uma versão digitalizada de um artigo do arquivo impresso do The Times, anterior ao início da publicação online em 1996. Para preservar esses artigos como foram originalmente publicados, o The Times não os altera, edita ou atualiza.
Ocasionalmente, o processo de digitalização introduz erros de transcrição ou outros problemas; continuamos a trabalhar para melhorar estas versões arquivadas.
Uma versão deste artigo foi publicada na edição impressa de 27 de março de 1993 , Seção , Página 10 da edição nacional, com o título: Reuben Fine, gigante americano do xadrez.
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