José Roberto Guzzo, ex-diretor de redação de VEJA
À frente da publicação por 15 anos, jornalista consolidou a revista no posto de mais influente do Brasil
Ex-diretor de redação da revista Veja, ele era colunista da revista Oeste, da qual foi um dos cofundadores, e do jornal Estadão.
O jornalista José Roberto Guzzo (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Nilton Fukuda/Estadão ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)
José Roberto Guzzo (nasceu em 10 de julho de 1943, em São Paulo, SP — faleceu em 2 de agosto de 2025, em São Paulo), foi jornalista e colunista do Estadão. Guzzo era colunista do Estadão desde junho de 2021 e fundador da revista Oeste.
Atualmente colunista do jornal O Estado de S. Paulo e um dos fundadores da Revista Oeste, Guzzo foi um dos fundadores e responsáveis pela consolidação de VEJA como a revista mais importante do Brasil.
Guzzo cobriu eventos históricos como a guerra do Vietnã e a viagem do presidente americano Richard Nixon à China de Mao Tse-tung, em 1972 — foi o único jornalista brasileiro a acompanhar esse pioneiro encontro. O profissional tornou-se então diretor de redação da Veja, cargo que ocupou entre 1976 e 1991.
Nascido na capital de São Paulo, em 10 de julho de 1943, o jornalista ganhou o apelido de “mão peluda” nas redações pela habilidade de tornar textos mais agradáveis com poucas alterações.
Mais conhecido como J. R. Guzzo, como assinava seus artigos e reportagens, iniciou sua carreira como repórter do extinto jornal Última Hora de São Paulo no ano de 1961. Em 1966, migrou para o Jornal da Tarde, veículo do Grupo Estado.
Com uma bolsa de estudos, havia se mudado para a França e passara a atuar como correspondente. Em um encontro em Paris, no início de 1968, o futuro primeiro diretor de VEJA, Mino Carta, o convidou para uma das mais altas funções da publicação que nascia: a de editor internacional. Guzzo ficou surpreso, mas se encantou com o projeto que lhe foi apresentado. “Naquela idade você ainda é meio bobinho, mas eu tinha uma enorme vontade de aprender”, diria.
Aprendeu e, durante toda a sua trajetória profissional, foi mestre de gerações de jornalistas. Poucos escreviam como Guzzo e poucos tinham a clareza de um texto preciso, direto ao ponto, a um só tempo claro e profundo.
E foi na Editora Abril que se firmou como um dos mais importantes jornalistas do país e integrou a equipe que desenhou a revista que se tornaria uma marca histórica na vida dos brasileiros: VEJA, onde, além de editor de Internacional, foi correspondente em Nova York.
O talento o conduziu ao cargo de diretor de redação por 15 anos, entre 1976 e 1991. Sob seu comando, a publicação avançou para o status de revista mais influente do país e chegou a ter a quarta maior circulação no mundo, resultado de um trabalho minucioso com as reportagens para que os textos chegassem aos leitores com um conteúdo preciso e de fácil compreensão, pilares mantidos até os dias atuais.
Carreira
Guzzo iniciou sua carreira como repórter do jornal Última Hora de São Paulo, em 1961. Cinco anos depois, foi trabalhar no Jornal da Tarde, que acabara de ser lançado pelo Grupo Estado, do qual foi correspondente em Paris.
Foi na Editora Abril, porém, que Guzzo trabalhou a maior parte da carreira. Em 1968, fez parte da equipe fundadora da Veja, como editor de Internacional, e depois foi correspondente em Nova York.
Cobriu a guerra do Vietnã e acompanhou a visita pioneira do então presidente americano, Richard Nixon, à China, em 1972. Foi o único jornalista brasileiro presente ao encontro de Nixon com o líder chinês Mao Tsé-tung.
Em 1976, aos 32 anos, Guzzo assumiu a direção da Veja, que ocupou até 1991. Neste período, a publicação saiu do vermelho e sua circulação passou de 175 mil exemplares para quase 1 milhão, o que a levou ao quarto lugar no ranking das maiores revistas semanais de informação do mundo, atrás apenas das americanas Time e Newsweek e da alemã Der Spiegel. Por sua habilidade de transformar um texto enfadonho em algo agradável de ler apenas com retoques pontuais, ganhou o apelido de “mão peluda” na redação.
Em 1988, passou a acumular a direção da Veja com o cargo de diretor-geral da Exame, encarregado de reinventar a revista. Deixou a Veja em 1991, encerrando um ciclo na revista. Depois de um ano sabático, voltou à ativa, dedicando-se exclusivamente à Exame, primeiro como diretor editorial e depois como publisher. Nos 11 anos em que esteve à frente da revista, transformou-a na publicação mais rentável, em termos relativos, da Abril.
Antes de deixar o comando da revista, contribuiu para a reformulação da revista Exame. Ao sair da Editora Abril, teve um período sabático, mas voltou a contribuir para o jornalismo publicando colunas em veículos como o portal Metrópoles, Estadão e Revista Oeste, da qual foi fundador.
Em 2021, passou a escrever colunas para o Estado de S. Paulo. De lá para cá, entre seus principais temas, estavam a defesa da liberdade de expressão irrestrita e críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à atuação do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o Estadão, Guzzo trabalhou normalmente na última semana. Na sexta, entregou aquele que seria seu último texto para o jornal paulista e que foi publicado no site neste sábado. No escrito, o jornalista opinou que o país vive “o mais vicioso conflito jamais surgido nas relações do Brasil com a maior potência econômica, militar e política do mundo”, os Estados Unidos, e criticou a reação oficial brasileira, que chamou de “hino contra a razão”.
“O governo brasileiro decidiu que [o ministro Alexandre de]Moraes, cujas decisões e conduta são o verdadeiro motivo pelo qual os americanos adotaram as sanções, está acima das obrigações humanas, como os arcanjos e os profetas. O Brasil é o ministro. O ministro é o Brasil”, escreveu.
Em sua visão, impôs-se aos brasileiros um “dever cívico, quase legal” de apoiar o ministro do STF Alexandre de Moraes contra as punições impostas pelos EUA. “Ou você fica do lado dele, e do que ele faz – ou então é linchado como traidor da pátria, sabotador do Brasil e inimigo da soberania nacional”, acrescentou, antes de criticar inquéritos abertos por Moraes para apurar a circulação de fake news nas redes sociais e a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Nos últimos anos, o jornalista também assinou textos no jornal Gazeta do Povo e no portal Metrópoles. Em junho deste ano, havia iniciado uma colaboração com o jornal mineiro O Tempo.
José Guzzo morreu na manhã do sábado, 2, aos 82 anos, em São Paulo. Guzzo foi vítima de um infarto. Segundo a família, ele já sofria de problemas crônicos coronários, pulmonares e dos rins.
O enterro foi realizado no Cemitério de Congonhas, em São Paulo.
Pelas redes sociais, fãs do trabalho de Guzzo, políticos e colegas de trabalho lamentaram a perda. Em postagem no X, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ressaltou ter recebido “com tristeza” a notícia da morte de Guzzo e prestou solidariedade aos parentes dele.
“Um dos fundadores da Revista Oeste e um jornalista que marcou época por sua coragem, lucidez e compromisso inegociável com a liberdade de expressão. O país perde um referência intelectual que nunca se calou diante do poder. Que Deus conforte seus familiares e amigos neste triste momento”, destacou o governador.
O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL/RS) escreveu no X que o jornalista brasileiro sofre uma “perda irreparável”.
“Guzzo era daqueles jornalistas verdadeiramente compromissados com a ética e a honestidade, exemplo de coragem que vai fazer muita falta. Sentimentos à família!”, destacou o parlamentar.
A vereadora de São Paulo Janaína Paschoal expressou condolências aos familiares, amigos e leitores de Guzzo, que chamou de “um dos mais corajosos jornalistas de todos os tempos”.
Alexandre Garcia usou as redes sociais para se despedir do jornalista. “O jornalismo perde seu texto mais brilhante, mais destemido. Guzzo turbinou a Veja, inspirou a Oeste, valorizou o Estadão, a Gazeta do Povo; foi modelo de jornalismo atento e crítico. Permanece em nós como inspiração”, disse no X.
Sergio Xavier Filho, por sua vez, lembrou que o colega de profissão foi um “monstro do jornalismo” e chefiou a produção de reportagens de grande relevância para a História do país.
“Nos anos 1970, graças a ele, saiu uma das mais importantes reportagens que desvendou a podridão da ditadura, ‘O Sequestro dos Uruguaios’. Guzzo escalou uma dupla por um ano para apurar na Veja. Reportagem de Cunha e Scalco mostrava como a ditadura brasileira agia nas ditaduras do Cone Sul. Guzzo escreve inclusive um dos prefácios do livro que saiu depois”, contou.
Guzzo foi “jornalista importante, figura essencial na minha formação (como jovem leitor de VEJA e como jornalista que escreveu para VEJA e Exame)”, relembrou Caio Blinder, em sua conta no X. O jornalista questionou ataques ao ex-colega morto neste sábado.
“[Guzzo] Tomou seu rumo político (sociedade plural agradece). Estou chocado, mas não surpreso, com algumas mensagens de ódio nas redes sociais”, disse.
O jornalista Silvio Navarro afirmou, também no X, que o “Brasil perdeu hoje um dos maiores jornalistas da história” e ele, “um amigo querido, minha maior referência para escrever”. “Você não, Guzzo. Não agora”, destacou o jornalista Claudio Dantas.
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