Cantor da Mangueira
Jamelão foi intérprete dos samba-enredo da Mangueira por meio século
José Bispo Clementino dos Santos (Rio de Janeiro, 12 de maio de 1913 – Rio de Janeiro, 14 de junho de 2008), popularmente conhecido como Jamelão, o melhor cantor de sambas-enredo de todos os tempos. No final da década de 20 ele passou a frequentar os ensaios da Mangueira. No princípio, queria tocar tamborim, mas logo percebeu que seu talento era outro. Por mais de cinquenta anos, foi a voz oficial da verde-e-rosa.
O cantor começou a carreira aos 15 anos, quando conheceu o sambista Lauro Santos, o Gradim, que o levou à Estação Primeira de Mangueira. Ele logo entrou nas rodas de samba da Praça Onze, no Rio de Janeiro.
Além do apelido de Jamelão, o nome de um fruto doce e escuro, ele ficou conhecido nos anos 40 como “Gogó de Ouro”, devido à versatilidade da sua voz.
Em 1945, participou do programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso, interpretado Ai, que Saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago. Foi a porta de entrada para o sucesso nas rádios e boates cariocas, assinando, em seguida, contrato com a gravadora Continental, uma das mais importante da época.
Também fez sucesso como cantor romântico. Até hoje, é apontado como o maior intérprete da obra de Lupicínio Rodrigues. Sua versão de Matriz ou Filial, de Lúcio Cardim, também é antológica. O cantor sofreu dois derrames em 2008.
O cantor tinha personalidade marcante e era conhecido pelas excentricidades, como o costume de andar com uma caixa cheia de elásticos no bolso e alguns deles na mão.
A trajetória
1913 – 12 de maio, nasce José Clementino Bispo dos Santos, no Rio de Janeiro.
1928 – Conhece o compositor Gradim, que o leva à Estação Primeira de Mangueira. Cavaquinista e ritmista, ele a princípio ficou na bateria na escola.
1938 – Canta pela primeira vez em uma gafieira.
1945 – Ao participar de concurso na Rádio Ipanema, ganha do apresentador o apelido Jamelão – outra versão diz que a alcunha teria surgido em uma gafieira.
1949 – Torna-se intérprete dos sambas-enredo da Mangueira, papel que iria desempenhar por mais de 50 anos
1959 – Grava Ela Disse-me Assim, de Lupicínio Rodrigues
1999 – Eleito o Intérprete do Século do Carnaval carioca.
2001 – Recebe a medalha da Ordem do Mérito Cultural do presidente Fernando Henrique Cardoso, e dorme durante a cerimônia.
2006 – Durante temporada de shows em São Paulo, sofre um acidente vascular cerebral. Não grava o samba-enredo da Mangueira para 2007.
Morreu no dia 14 de junho de 2008, aos 95 anos, de falência de múltiplos órgãos, no Rio de Janeiro.
(Fonte: Veja, 25 de junho, 2008 – Ano 41 – n° 25 – Edição 2066 – Datas – Pág; 158)
(Fonte: Zero Hora – ANO 45 – N° 15.630 – 15 DE JUNHO DE 2008 – TRIBUTO / MEMÓRIA – GENTE – Pág: 37)

