Foi a primeira portuguesa a levar uma medalha olímpica para seu país

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1981/1982/1983/1984/1985/1986 – ROSA MOTA (PORTUGAL)

Rosa Mota, em Seul, depois da vitória na maratona (Foto: DR)

Rosa Mota, em Seul, depois da vitória na maratona (Foto: DR)

Com a incrível marca de seis vitórias consecutivas, Rosa Mota é a maior campeã da São Silvestre de todos os tempos. A atleta portuguesa triunfou de 81 a 86, em um desempenho nunca alcançado, inclusive entre os homens. Em sua estreia, aos 23 anos, ela saiu do bloco intermediário e foi acelerando até assumir a liderança no Largo São Francisco, após ultrapassar a ganhadora do ano anterior Heidi Hutterer, da Alemanha.

A partir daí, nenhuma outra competidora ameaçou sua posição. Rosa venceu ao completar os 8,9 mil metros em 26min45s08. Seus cinco títulos seguintes lhe renderam o recorde em número de conquistas e seu nome imortalizado na história da prova.

Além de suas vitórias na tradicional corrida do último dia do ano, Rosa Mota foi o grande destaque da década de 80 no atletismo mundial. Natural do Porto, em Portugal, a atleta bateu cinco vezes o recorde nacional dos 1,5 mil metros e sete vezes dos 3 mil metros, sendo a primeira portuguesa a levar uma medalha olímpica para seu país, ficando em terceiro lugar na maratona nos Jogos de Los Angeles, em 84.

O ouro veio quatro anos depois, nas Olimpíadas de Seul. Entre as muitas competições vencidas por Rosa, figura a obtidas em Atenas no ano de 82, sagrando-se campeã européia. Um ano mais tarde, ganhou a maratona de Roterdã. Em 87, chegou na frente no Mundial de Roma, tendo faturado um ano antes o Campeonato Europeu, a Maratona Feminina de Tóquio e a Maratona de Boston, nos Estados Unidos.

Em 91, aos 32 anos, venceu com superioridade indiscutível a Maratona de Londres, válida pela Copa do Mundo de Atletismo. A portuguesa completou o percurso no tempo de 2h26min14s, entre Greenwich e a ponte de Westminster, mostrando que ainda estava em forma. No mesmo ano, entretanto, perdeu o título mundial em Tóquio.

CURIOSIDADES
O êxito das Voltas de São Paulo, cuja primeira edição foi realizada no dia 12 de outubro de 1918, e de Piracicaba (1919), além de outras competições a partir de 1921, em Taubaté, Iguapé, Sorocaba e Batatais incentivaram o jornalista Cásper Líbero a criar a Corrida de São Silvestre.

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Quando recebeu o convite da diretoria do Clube Regatas Tietê para participar da São Silvestre, Jorge Mancebo ficou em dúvida entre participar da corrida ou passar o revéillon com a família. Na segunda edição da prova, ele chegou na frente e faturou o título.

O número de concorrentes da primeira São Silvestre foi bem pequeno: 60 esportistas se inscreveram e, destes, apenas 48 compareceram para disputar a corrida. Pelo regulamento, somente 37 foram classificados ao chegarem três minutos atrás do primeiro colocado. Atualmente, a competição do dia 31 de dezembro conta com mais de 12 mil participantes.

Por duas vezes, a São Silvestre registrou a presença de índios. Fisicamente aptos por causa do contato com a natureza, os nativos envolveram as edições de 1964 e1982 em uma expectativa nunca antes registrada. Participaram da 40ª prova, uma equipe de cinco integrantes da Ilha do Bananal, sendo três das tribos Craós e dois Carajás. Na ocasião, um dos organizadores da corrida, Aurélio Bellotti, e o indianista, Willy Aureli, viajaram até o acampamento dos indígenas para orientá-los sobre os aspectos técnicos da disputa. Durante a competição, faltou aos índios a experiência e o condicionamento físico dos adversários. Graças à iniciativa, que teve o apoio da Funai, a 58ª São Silvestre contou com representantes dos Xavantes e Serenas. A primeira tribo trouxe dez corredores e a segunda três. Um grupo de dança típica se apresentou em Interlagos, completando a festa do último dia do ano.

A pior classificação do Brasil na Corrida de São Silvestre ocorreu em 1972. Nosso melhor atleta, Irides Silva, chegou apenas em 17º lugar.

Campeão dos 5 e 10 mil metros na Olimpíada de Melbourne, na Austrália, o russo Vladimir Kutz era o grande destaque da 33ª São Silvestre. Entretanto, Kutz ficou somente com a 8ª posição, não por falta de méritos. Ele caminhou pelas praias de Santos e o passeio lhe rendeu bolhas nos pés. O atleta russo teve uma carreira curta no atletismo internacional, porém, marcante. Além dos dois títulos olímpicos, Kutz quebrou sete recordes mundiais.

A edição comemorativa dos 50 anos de São Silvestre teve a participação de estrelas de 29 países e a homenagem a antigos vencedores. Receberam o troféu Cásper o tcheco Emil Zatopek, o brasileiro Sebastião Alves Monteiro, o uruguaio Oscar Moreira, o chileno Raul Inostroza, o finlandês Viljo Heino, os belgas Lucien Theys, Gaston Roelants e Henry Clerck, o alemão Erik Kruzciky, o iuguslavo Franjo Mihalic, os ingleses Kennet Norris e Martin Hyman, o português Manoel Faria, o argentino Osvaldo Suarez, o francês Hamoud Ameurs, os colombianos Victor Mora e Álvaro Mejia Flores; os mexicanos Juan Martinez e Rafael Tadeo Palomares, o norte-americano Frank Shorter e o costa-riquenho Rafael Angel Perez.

Anteriormente disputada à noite, a partir de 1989 a Corrida Internacional de São Silvestre passou a ser realizada às 17 horas (sendo às 15h15 para as mulheres). Historicamente, o equatoriano Rolando Vera é o único atleta a conquistar vitórias nos anos de mudança dos horários. Ganhador da prova durante quatro anos consecutivos, de 1986 a 89, Vera foi o vencedor da última prova disputada à noite (1988) e também da primeira promovida durante o dia, no ano seguinte. A curiosidade é que a também equatoriana Martha Tenório é a única mulher a ter vitórias na São Silvestre nos dois períodos: ela venceu em 87 e em 1997.

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