A primeira mulher negra a vencer o Turner Prize

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Lubaina Himid é a primeira mulher negra a vencer o Turner Prize

Artista também é pessoa mais velha na história a vencer o prêmio

 

Artista Lubaina Himid discursa após vencer o Turner Prize – (Foto: DARREN STAPLES / REUTERS)

 

É o mais prestigiado prêmio de artes visuais do Reino Unido. Ao premiar Lubaina, o júri decide homenagear a cultura africana.

 

Lubaina Himid (Foto: Darren Staples/Reuters)

 

Lubaina Himid se tornou a primeira mulher negra a vencer o Turner Prize, a distinção mais importante da arte contemporânea no Reino Unido, por uma obra que homenageia a cultura africana. Aos 63 anos, a artista alcançou ainda o marco de pessoa mais velha na história a vencer o prêmio, avaliado em € 28 mil. O evento aconteceu na Inglaterra, em 5 de dezembro de 2017. Também concorriam ao Turner os artistas Hurvin Anderson, Andrea Büttner e Rosalind Nashashibi.

 

Nascida na Tanzânia e radicada na Inglaterra, Lubaina é um dos nomes de destaque nas artes e no movimento negro. Em seu discurso, a artista agradeceu aos amigos que estiveram ao seu lado ao longo dos anos, e se disse chocada ao vencer o prêmio.

 

Lubaina Himid pinta por necessidade. Porque há histórias que precisam de ser contadas, espaços vazios à espera de serem preenchidos. Himid só sabe pintar e, por isso, é essa a forma que tem de intervir na sociedade.

Nasceu em 1954 em Zamzibar (atualmente na Tanzânia), na altura uma colônia inglesa. Com poucos meses de vida mudou-se para o Reino Unido, onde estudou arte.

Nos anos 80 tornou-se uma das porta-vozes do movimento negro da cena artística britânica. Para muitos, nunca foi justamente reconhecida pelo trabalho que tem desenvolvido.

 

Professora e curadora de exposições, Himid ajudou a lançar vários nomes, chamando a atenção para a importância dos artistas negros para a sociedade.

No portfólio tem trabalhos em madeira, em tela e mesmo em folhas de jornais, como a série que fez com o The Guardian sobre a forma como os negros são vistos pelos media.

Desenho, pinturas, esculturas, instalações… sempre cheias de cor.

Crítica, muitas vezes irónica, a obra de Himid reflete sobre a diáspora africana, o papel dos negro, o legado do colonialismo. Por exemplo, os perfis de escravos que pintou nas peças finas de um serviço de chá.

O júri destacou a “generosa e exuberante abordagem das artes plásticas da pintora, que combina a sátira com um sentido de teatralidade.

O reconhecimento de Himid chega agora, aos 63 anos, com o mais importante prémio britânico das artes visuais.

Para além de ser a primeira artista negra a receber um Turner, Lubaina Himid torna-se também a mais velha.

O prêmio foi criado para promover talentos emergentes e, por isso, só reconhecia criadores com menos 50 anos. No ano passado, a galeria Tate, que atribui este prêmio desde 1984, decidiu acabar com o limite de idade. Consideram que um artista “pode chegar ao ponto alto da sua carreira a qualquer momento”.

 

Essa foi a primeira vez desde 1991 que o prêmio não impôs um limite de idade para os participantes, anteriormente estabelecido em 50 anos. Segundo disse Maria Balshaw ao The Art Newspaper, a decisão veio para contemplar artistas que descobrem outras linguagens mais tarde na carreira: “Nesse anos oferecemos o prêmio para artistas de todas as idades, reconhecendo que rupturas podem acontecer em qualquer ponto da carreira.”

 

De acordo com a direção do Tate Modern, o trabalho de Himid mereceu ser premiado por sua “intransigente abordagem de discussões como história colonial e manifestações de racismo nos dias de hoje”, além de seu ótimo trabalho como professora e curadora.

 

O prêmio, surgido em 1984, contempla anualmente artistas residentes no Reino Unido que tenham tido exposições de boa recepção no ano anterior. No caso de Himid, suas mostras solo em 2017 passaram pelo Modern Art Oxford e Spike Island.

Alex Farquharson, diretor da Tate Britain Gallery, de Londres, que presidiu ao júri, elogiou a artista pela “generosa e exuberante abordagem das artes plásticas, que combina a sátira com um sentido de teatralidade”, sublinhando que o júri ficou impressionado “com a vitalidade da obra” e a “seriedade dos assuntos que trata, que são muito relevantes hoje em dia”.

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura – CULTURA / POR O GLOBO – 06/12/2017)

(Fonte: https://www.tsf.pt/cultura/arte – CULTURA / ARTE / POR Joana Carvalho Reis – 06 DE DEZEMBRO DE 2017)

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