Foi a primeira presidente eleita do Parlamento Europeu

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Simone Veil, ícone político feminista na França

 

Simone Veil, a primeira presidente do Parlamento Europeu (Foto: Regis Duvignau/ Reuters)

 

Sobrevivente do Holocausto teve papel chave para legalizar aborto no seu país

 

Simone Veil, primeira presidente do Parlamento Europeu – (Foto: Charles Platiau / REUTERS)

 

Feminista foi ministra francesa da saúde e impulsionou a legalização do aborto em 1975.

Simone Veil (Nice, França, 13 de julho de 1927 – Paris, França, 30 de junho de 2017), foi ativista e ícone da luta pelos direitos da mulher, defensora do aborto e sobrevivente de Auschwitz.

A antiga ministra Simone Veil, foi a autora da lei de legalização da interrupção voluntária da gravidez em França e primeira presidente do Parlamento Europeu, foi uma figura maior da vida política francesa, acadêmica, escapou aos campos da morte durante a II Guerra Mundial, para onde foi deportada com 16 anos, e incarnava para os franceses a memória do holocausto judeu.

Quando foi ministra da saúde, na gestão de Valéry Giscard d’Estaing, a feminista impulsionou a legalização do aborto em 1975.

Simone Jacob nasceu em 13 de julho de 1927, em Nice (sul da França). Em 1944, aos 16 anos, ela foi deportada junto com a família, para o campo de concentração de Auschwitz. Seu pai, mãe e irmão foram vítimas do Holocausto e ela carregava o número de prisioneira, 78651, tatuado em seu braço.

Após a guerra, estudou direito na tradicional Ciências Po, em Paris. Ao longo de sua carreira política, Simone tornou-se uma defensora da União Europeia. Em 1979, ela foi eleita a primeira presidente do parlamento europeu. Em 2010, ela se tornou a sexta mulher a entrar para a Academia Francesa.

Sobrevivente do Holocausto e ex-magistrada francesa, ela ficou conhecida pelo papel fundamental na descriminalização do aborto em seu país, quando foi ministra da Saúde, nos anos 70. Simone também foi a primeira presidente eleita do Parlamento Europeu, em 1979.

Sua família foi presa pela Alemanha Nazista, em 1944. Ela tinha 17 anos quando foi enviada ao temido campo de concentração de Auschwitz-Birkenau e depois para Bergen-Belsen, com sua mãe e irmã mais velha, Madeleine, enquanto a outra irmã, Denise, se uniu à Resistência Francesa e foi encarcerada no campo de concentração de Ravensbruck.

Seu pai e seu irmão foram deportados para o Leste Europeu logo após a prisão da família. Simone nunca mais teve notícias sobre eles.

Com o número 78651 tatuado em seu braço pelos nazistas, a francesa estudou Direito em Ciências Políticas em Paris e tornou-se juíza, ganhando graus honorários da Universidade de Princeton dos EUA e do Instituto Weizman de Israel.

 

Foto de 1977 mostra a então ministra da Saúde, Simone Veil (à direita) e a então secretária de Estado para Universidades, Alice Saunier-Seite – (AFP)

 

Desconhecida quando entrou no governo francês, Ministra da Saúde entre 1974 e 1979, Simone lutou obstinadamente contra um parlamento hostil e dividiu a opinião pública para promover um projeto de lei que se tornou conhecido como “Lei Veil”. A proposta foi aprovada e fez da França o primeiro país de predominância católico-romano a legalizar o aborto.

 

Simone Veil durante seu discurso sobre descriminalização do aborto (Foto: Getty Images)

 

Unionista desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Simone se tornou um membro do Parlamento Europeu em 1979, quando também foi eleita a primeira presidente da Casa. Ela se tornou, então, a líder do grupo liberal dentro do Parlamento, de onde saiu apenas em 1993, antes de retornar à política francesa para ser ministra durante o governo de Édouard Balladur.

 

Na imagem de 1980, Simone Veil se dirige a fazendeiros durante manifestação em frente ao Parlamento Europeu – (Foto: DOMINIQUE FAGET / AFP)

 

Em 1998, Simone foi nomeada membro do Conselho Constitucional de França, do qual saiu apenas em 2007, quando terminou seu mandato. Mesmo assim, ela permaneceu entre os políticos mais populares do país nas pesquisas de opinião.

 

 

Simone Veil

Sobrevivente do Holocausto, Simone em foto de 1974, foi a única ministra do governo do presidente Valery Giscard d’Estaing e foi responsável por levar a lei da descriminalização aborto para o parlamento francês – (Foto: Getty Images)

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Simone volta a estudar direito em Paris. É onde ela encontra o marido, Antoine Veil, com quem ela se casa em 1946. Dez anos mais tarde, Simone deixa a advocacia pela magistratura. Ela faz sua carreira no Ministério da Justiça e, em 1970, integra o conselho superior de magistratura francês. Seu nome, no entanto, só viria ser conhecido pelo público em 1974, quando ela é nomeada Ministra da Saúde pelo então presidente Valery Giscard d’Estaing com Jacques Chirac como primeiro-ministro.

No cargo, Simone se lança no maior combate da sua vida pessoal e política. Mudando para sempre os direitos femininos na França, Veil leva para o parlamento a lei que descriminaliza a interrupção voluntária da gravidez. Batizada de Veil, a legislação foi a primeira que favorecia o aborto e abriu as portas para a discussão do aborto e direitos femininos.

“Nós já não podemos fechar os olhos para os 300.000 abortos clandestinos a cada ano que mutilam as mulheres deste país”, disse Veil em seu famoso discurso diante o parlamento. Na época, a casa contava apenas com 9 deputadas do sexo feminino, contra 481 homens. Foram 3 dias de debates até a votação da lei, que passou com 284 vozes a favor e 189 contra.

Sempre pró União Europeia, Simone assume o cargo de presidente do Parlamento Europeu em 1979 – a primeira mulher a comandar a casa. Em 1993, ela volta a ocupar o Ministério da Saúde e Cidades na França até se retirar da vida política, em 1995. De 2000 a 2007, Veil ocupa o cargo de presidente da Fundação pela memória do Holocausto. Em 2008, ela se torna a sexta mulher a ter uma cadeira na Académie Française – instituição homóloga à Academia Brasileira de Letras.

Quando foi eleita para a cadeira, que é vitalícia, Simone disse: “É uma grande honra, se tornar imortal. Porém, da minha parte, eu já passei da imortalidade, de modo que eu já morri um pouco nos campos de concentração”.

A política foi casada por mais de 60 anos com o empresário Antoine Veil, de quem recebeu o sobrenome, e estava viúva desde 2013. Os dois tiveram três filhos.

 

Simone Veil e o marido, Antoine Veil, em foto de 2010 – (Foto: JACQUES DEMARTHON / AFP)

 

Simone Veil morreu em 30 de junho de 2017, aos 89 anos, em sua casa em Paris.

O presidente francês Emmanuel Macron demonstrou suas condolências à família dela. “Que o seu exemplo inspire nossos compatriotas, que encontrarão nela o melhor da França”, afirmou ele no Twitter.

Em nota à AFP, o agora ex-presidente François Hollande também homenageou uma mulher que “encarnou a dignidade, o valor e a integridade”.

“A França perde uma mulher excepcional, uma grande testemunha e uma militante da memória da Shoa”, afirmou o presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif), Francis Kalifat.

(Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo – MUNDO/  POR O GLOBO / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS – 30/06/2017)

(Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia – MUNDO/ Por G1 – 

(Fonte: http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2017/06 – MULHERES DO MUNDO/ POR REDAÇÃO MARIE CLAIRE – 30.06.2017)

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